13 de dezembro de 2007
Tem puxadinho até nos Arcos
O Globo - RJ, Rafael Galdo, 13/12/2007
Monumento histórico sofre com degradação, mas Ministério da Cultura analisa restauração
Não há dúvidas de que os Arcos da Lapa são um dos maiores símbolos do Rio. Mas o monumento, de 1750, sofre com a depredação e com construções irregulares em suas paredes, próximo à Ladeira de Santa Teresa. Menos pior que o Ministério da Cultura (MinC) analisa um projeto de restauração do antigo Aqueduto da Carioca — tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) —, com recursos do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), com patrocínio da iniciativa privada.
De acordo com o superintendente do Iphan no Rio, Carlos Fernando Andrade, a proposta — orçada em R$ 1,5 milhão — já foi aprovada pelo instituto, aguardando agora a decisão do MinC.
— Acredito que ainda este mês tenhamos um resultado — ressalta Andrade.
As obras incluiriam a restauração da pintura e da cobertura da estrutura, além de recuperação dos postes, raspagem e emassamento, entre outros reparos. Mesmo antes do início da reforma, no entanto, os puxadinhos de construções com paredes junto aos Arcos podem ser derrubados. Os proprietários das casas apresentaram uma proposta no Iphan de transformá-las em centros culturais. Mas o instituto tenta chegar a um acordo para a demolição imediata.
No local, o muro de uma das casas da Ladeira de Santa Teresa se estende até o monumento. E, na residência vizinha, tijolos empilhados formam uma barreira que entra por uma das abóbodas. No espaço ao lado, um artista de rua faz seus trabalhos e um varal de roupas ocupa um dos vãos. — Não é possível que continue essa bagunça, com os Arcos como muro de casa — ressalta Andrade. Até um arbusto cresce numa das faces dos Arcos, próximo aos puxadinhos. Na base de outra abóbada, pedaços de cimento se desprendem do monumento. A tradicional pintura branca também está desgastada pela ação do tempo, como ressalta a estudante Fernanda Ribeiro, moradora do Catete: — As faces do monumento estão todas manchadas. São marcas do próprio escoamento da chuva pelas paredes. Quem vê, pensa até que são infiltrações. Próximo às passagens de pedestres, pichações ajudam a piorar a má aparência do ponto turístico. Já perto das escadarias e dos painéis de azulejos de Jorge Selarón, sob os Arcos, a calçada de pedras portuguesas está esburacada, e moradores de rua ficam concentrados ali.
Do outro lado, perto da Avenida República do Paraguai, um dos arcos está chamuscado pelo fogo que moradores de rua põem a seus pés. m problema que, há muito tempo, incomoda os freqüentadores do berço da boemia carioca e que ressurgiu para a badalação noturna na última década. — Mesmo com a revitalização, nunca deixou de haver muitos moradores de rua em todo o Largo da Lapa. Outra queixa comum são os assaltos à noite. Batedores levam carteiras e mochilas sem sequer percebermos — comenta o também estudante Luiz Carlos Rodrigues, morador de Copacabana. Por cima dos Arcos, quem passa de bondinho entre o Centro e Santa Teresa, percebe muita sujeira. O gradeado de proteção dos passageiros também está malconservado.
- Publicado por Marcelo Lucena/Comunicação Social
- Categoria(s): Na Mídia
- Tags: Patrimônio Histórico