Você pára no posto de gasolina e vai até o caixa eletrônico.
Insere o cartão. E sai com o bolso cheio de… músicas.
Isso mesmo, músicas em formato digital. Esta é a concepção básica do FunStation, terminal de auto-atendimento idealizado pelo tecladista brasileiro Bruno Brau que vai aportar por aqui no primeiro semestre do ano que vem — se tudo correr bem, a partir de março. O sistema do FunStation pretende ser multiplataforma — isto é, trabalhar com qualquer tipo de dispositivo — e foi desenvolvido por Bruno junto com engenheiros da Universidade de Tecnologia de Lugano, na Suíça.
— Percebi que todos os “roadies” de minha banda, a Rotor, possuíam tocadores e pen drives, mas viviam me pedindo para preenchê-los com música porque não tinham onde baixá-las — conta Bruno, recordando o que lhe deu a idéia do projeto. — Fui percebendo que há um nicho a ser explorado: o das pessoas que têm 40 reais para comprar um tocador genérico, mas não conseguem uma boa conexão web para baixar canções.
Opção de “encher o tanque” de som
O sistema funcionará exatamente como um terminal eletrônico — poderão ser conectados a eles celulares, iPods, pen drives e tocadores genéricos, desde que tenham Bluetooth ou USB. O usuário poderá baixar quantas músicas quiser. Bruno pensa inclusive num esquema do tipo “complete o tocador”, com uma seleção pré-montada na estação. O pagamento poderá ser feito com cartões de crédito ou débito, mas Bruno também pensa em usar PIN codes (códigos numéricos) em cartões pré-pagos — exatamente como um cartão de celular — como moeda no FunStation.
— O código poderia ser usado de modo criativo. Poderíamos fazer promoções, trocando, por exemplo, o código da “recarga musical” por X tampinhas de refrigerante — diz o músico.
Brau tem como sócio no projeto Marcos Maynard, expresidente da EMI e hoje à frente da Maynard Enterprises, que está apresentando à idéia às gravadoras para garantir o conteúdo da FunStation.
As faixas no terminal virão todas com DRM (Digital Rights Management).
Protótipo foi testado em feira na Suíça
O sistema já teve um protótipo testado há algumas semanas numa feira na Suíça.
As telas do terminal são simples e intuitivas, dividas em quatro campos — músicas, vídeos, ringtones e jukebox.
Têm sistema de busca rápida e listam as faixas como em sites na internet, permitindo ouvir e assistir antes de comprar.
O usuário pode visualizar seu carrinho, escolher seu tipo de conexão e depois fazer o pagamento, efetuando a transferência para o seu aparelho. O software — cujo principal arquiteto é Armando Périco Neto, da Universidade de Lugano — deixa até o usuário escolher a pasta para onde as músicas irão. O preço das faixas ainda não está estabelecido, mas Bruno calcula algo em torno de 99 centavos de dólar, ou seja, menos de dois reais.
— O difícil está sendo pegar os formatos de controle de direitos autorais de cada detentor e estruturá-los para funcionar em todo tipo de gadget. O iPod é especialmente complicado, já que o formato do iTunes é todo fechado — comenta Bruno.
Ele espera que, uma vez instalado e ganhando escala — instalado em locais como shoppings, postos de conveniência, bares, restaurantes — o FunStation possa fechar acordos com os donos do copyright e, através de patrocínios, oferecer também conteúdo gratuito aos usuários. O importante, para Bruno, é levar cada vez mais para o cotidiano o ato de baixar música, eliminando a necessidade de se sentar diante de um computador para fazê-lo.
Participação do Leitor
Espaço reservado exclusivamente para comentários acerca da matéria ou publicação veiculada nesta página. Solicitação de informações ou dúvidas devem ser encaminhadas por meio do Fale com o Ministério; reclamações ou denúncias devem ser dirigidas para Ouvidoria.