Em visita à São Paulo Fashion Week, ministro defende liberação das leis de incentivo à cultura para a moda
SÃO PAULO - Em visita à São Paulo Fashion Week, na noite deste sábado, 19, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, defendeu a liberação das leis de incentivo à cultura para a indústria da moda, assim como falou na necessidade da criação de um fundo para incentivar os designers do setor. Paradoxalmente, também convocou o setor da moda para trabalhar no sentido da democratização de seus produtos para as classes menos favorecidas economicamente.
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Gil falou para um auditório lotado no terceiro andar da Bienal de São Paulo, onde acontece a SPFW. Confessou-se um homem “vaidoso”, profundamente ligado à moda.
“Eu adoro. Eu sou vaidoso. A elegância é uma diversão que sempre permeou minha vida desde a infância. Ser elegante não é exclusividade de um grupo, de uma classe social. Um índio pode ser extremamente elegante. Como elegantes são os negros da Bahia, do Ilê-Ayê, dos Filhos de Ghandi”, afirmou Gil. Em seguida, armou uma pequena arapuca para os repórteres que o entrevistavam. “Essa semana, em Salvador, eu usava durante o show uma calça do dia a dia dos meninos do candomblé”, ele contou, acrescentando que o traje se compunha ainda de uma camiseta regada “de uma dessas marcas populares” e sandália. “E eu tava elegantíssimo. Minha moda vai disso até um terno Prada como esse aqui”, afirmou, mostrando o paletó na cadeira. A platéia fez um “uuuhhhhhhh” sonoro, e ele zombou da reação. “Vocês fazem uuuhhh porque essa ainda é uma marca colonizada de nossa reação à moda. Um terno Prada não é mais elegante que um turbante do Ilê Ayê ou dos Filhos de Ghandi”, disse, antes de sair do palco sob aplausos.

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