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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
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18 de fevereiro de 2008

Sbat anuncia entidade cultural com a Petrobras

Jornal do Brasil - RJ, Da Redação, 16/02/2008

 Fundada em 1917 como um centro de referência dos autores teatrais, a Sbat reunia informações de tudo o que se passava nos palcos brasileiros até o começo dos anos 90

O diretor Aderbal Freire-Filho faz questão de chamar a Sbat não pela sigla, mas pelo nome completo, menos conhecido: Sociedade Brasileira de Autores Teatrais. Diz que, dessa forma, fica claro que o órgão funciona não apenas como um arrecadador de direitos autorais, mas como um grêmio de artistas, um centro cultural. Uma série de iniciativas, que começaram terça-feira com a assinatura de convênio com a Biblioteca Nacional, vai reforçar esse caráter agregador da Sbat a partir deste mês, como por exemplo a criação do Instituto Cultural Sbat, com cursos de formação e leituras para dramaturgos e o patrocínio da Petrobras para a recuperação de seu acervo - que vai para a Biblioteca Nacional em abril. O processo de restauração das obras ficará acessível na biblioteca e no site da entidade (www.sbat.com.br).

- Quando o Orlando Miranda (empresário da área de teatro e autor), que já tinha feito um trabalho magnífico no Instituto Nacional de Artes Cênicas (nos anos 60 e 70), foi trazido para a Sbat há um ano, começamos a pôr ordem na casa - explica Aderbal, membro do conselho diretor desde 2004, ao lado dos escritores Alcione Araújo, Millôr Fernandes e Ziraldo. - Começamos a saldar nossas dívidas e a organizar a administração.

Foi quando começaram a aparecer as conseqüências da má administração, com processos judiciais se multiplicando. Grandes mudanças na produção teatral também tiveram influência nos problemas do órgão, pois os autores de sucesso passaram a ser produtores das suas peças e a instituição perdeu parte da receita (a cobrança dos direitos autorais).

No projeto de reestruturação da sociedade, ainda são muitos os oficiais de Justiça caminhando pela sede no Centro. Mas as dívidas com autores e outras pendências já estão mapeadas e começaram a ser pagas este mês.

- Em 1992, o acervo foi doado à Biblioteca, mas de forma ilegal - lembra a diretora do Centro de Referência e Difusão da instituição, Carmen Moreno. - Acabamos devolvendo tudo, em 2005. Quando li uma notícia de que a sede da Sbat seria penhorada fiquei preocupada com esse material, muito valioso.

A preocupação também deu olheiras à dramaturga, atriz e produtora Ana Velloso, ex-integrante do conselho da Sbat.

- Fiquei com medo de que os credores levassem o acervo, que, na verdade, é um bem imaterial - afirma Velloso, que, por meio de sua empresa, a Lúdico Produções Artísticas, conseguiu firmar o intercâmbio entre as duas instituições. - São 50 mil documentos da Sbat, 40 mil peças e 10 mil diversos.

Entre as próximas iniciativas, está a reedição da Revista da Sbat, que circulou entre 1924 e 2002, com algumas interrupções. Por enquanto, estão previstos três números, que sairão em março, maio e julho. As seções ainda estão sendo escolhidas, mas a idéia é se guiar por um tema a cada edição.

- Vamos começar falando sobre direitos autorais e o papel da Sbat - adianta Aderbal. - Também planejamos a publicação de uma peça a cada número.


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