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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
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20 de fevereiro de 2008

Injeção para a cultura do Maranhão

O Estado do Maranhão - MA, Carla Melo, 20/02/2008

Mestre Apolônio Melônio, do Boi da Floresta, foi contemplado com o prêmio Culturas Populares Mestre Duda 100 Anos de Frevo, dinheiro que custeará seu tratamento de saúde

Aos 89 anos e com muita história para contar, seu Apolônio Melônio segue firme, apesar de alguns problemas de saúde. E ele tem motivo para continuar na estrada: o mestre foi um dos contemplados com o prêmio Culturas Populares Mestre Duda 100 Anos de Frevo, concedido em dezembro passado pelo Ministério da Cultura. A premiação em dinheiro será destinada ao tratamento de saúde do amo do Boi da Floresta e fundador do tambor de crioula de Apolônio.

Sofrendo de polineurite - doença neurológica que provoca dores, inflamações e alterações sensoriais nas mãos e nos pés - o mestre Apolônio deverá usar os recursos para dar continuidade ao tratamento. A doença, que o atingiu na década de 90, tem prejudicado o cantador que se movimenta com dificuldades e já não pode mais escrever.

De acordo com Nadir Cruz, esposa de mestre Apolônio e seu braço direito à frente do batalhão, a premiação, no valor de R$ 10 mil, foi uma surpresa. “Mandamos o projeto explicando o estado de saúde dele e a importância do dinheiro para continuar o tratamento”, diz ela. “Não tinha fé que fosse passar”, frisa ele.

Um dos principais representantes do sotaque da Baixada, o bumba-meu-boi da Floresta, também conhecido como Boi de Apolônio, foi fundado por seu amo em 1972, no bairro da Liberdade. Antes, ele passou por grupos como São João Batista, Pindaré e Viana. “Comecei a brincar boi em 1926, aos 8 anos de idade e de lá para cá nunca mais parei”, relembra o mestre, cuja vida é totalmente dedicada à cultura popular.

Batalhão

As limitações, no entanto, não impedem o amo de continuar à frente de seu batalhão. Com o auxílio da esposa, Nadir Cruz, ele ainda compõe toadas e acompanha de perto o andamento dos preparativos para o próximo São João.

A última toada composta por mestre Apolônio foi feita anteontem, durante a visita da reportagem de O Estado à sua casa. “Outro dia veio aqui um cara e disse que o boi não era escola de cantadores, mas de passarinho. Ontem à noite, acordei e me veio uma toada em resposta a isto”, diz o mestre.

Ainda sem título, a música foi ditada, pela primeira vez, por Apolônio: “O comprido da Praia Grande disse que nossa escola só se for para ensinar passarinho/ mas se ele quiser pedir desculpa, pode pedir/ porque de todo cantador pagão eu sou padrinho”, diz a letra.

A última composição do ano passado fala de sua trajetória no bumba-meu-boi. “1926 eu era pequenininho e já mandava boi no terreiro/ de Viana pra Penalvae de São Bento pra Pinheiro/ hoje eu já tô muito velhinho, já não posso dar no lombo do galheiro”. A toada, composta por ele, é interpretada por Mundoca, um dos cantadores do Boi da Floresta.

Com muitos projetos para 2008, o Boi da Floresta planeja duas viagens. A primeira será em março, para participar do Festival de Teatro de Curitiba. A outra será em maio, quando o grupo participará da Festa Xamanica em Pernambuco.

Social

Em 2007, o Boi da Floresta desenvolveu um projeto social composto por três oficinas destinadas à comunidade. Com o patrocínio do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), o grupo ofereceu, durante um ano, cursos de caretas de cazumbá, bordado tradicional e produção de indumentárias. “Este ano, daremos continuidade ao projeto”, diz Nadir Cruz.

Um dos objetivos do projeto, de acordo com Nadir Cruz, é fazer com que os participantes da oficina aprendam um ofício. “Aqui também produzimos artesanato cultural, tanto em tamanho normal como miniaturas e souvenirs. Também recebemos encomendas de outros grupos ou pessoas interessadas. Basta ligar para os telefones 3251-9222 e 8822-8756″, diz. A maior parte da produção das oficinas do ano passado será usada nas festas juninas de 2008.


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