Brasil Acesso à Informação
quarta-feira, 23 de maio de 2012 RSS Ouvidoria Fale com o Ministério
« Voltar Imprimir

File volta seus olhos para a arte digital latina

Gustavo Miller - O Estado de SP

Um celular com tecnologia GPS que vira um pincel para desenhar sobre um mapa digital. Uma incrível ferramenta de buscas que caça imagens em toda a internet para representar sonhos. Um software que junta todas as fotos de sua máquina digital e cria sobre elas uma imagem panorâmica em 360°. Quem vê essas descrições logo imagina que o Link foi até uma nova feira de tecnologia. Não parece, mas elas são obras de uma exposição de… arte!

Pela primeira vez em Porto Alegre, o Festival de Linguagem Eletrônica, o FILE (www.file.org.br), está mostrando como cada vez mais ferramentas hi-tech que fazem parte de nosso dia-a-dia podem ganhar um viés artístico. O evento tem como tema o projeto “Se Liga”, um convite para que as pessoas se conectem ao mundo virtual e às novas formas de arte: a tecnologia do século 21.

O grande exemplo dessa conexão é a proposta inédita de dar ao FILE duas mostras simultâneas: uma na capital gaúcha, que começou no último dia 20 e segue até 20 de abril no Santander Cultural, e outra menor no Rio, que irá de 27 fevereiro a 30 de março. Juntas, as exposições gratuitas somarão 323 obras e instalações de 206 artistas de 30 países. Muito do que está sendo apresentado em Porto Alegre já foi exibido nas outras oito edições do evento, mas também há obras inéditas.

É o caso de GPSarte, dos artistas brasileiros Cícero Silva e Marcos Khoriati, que faz uma ponte entre a mostra de Porto Alegre e a carioca. Eles criaram um software especial para celulares (www.gpsarte.com) que, na verdade, é um GPS comum. O seu diferencial é traçar o percurso e pintar com cores a rota feita pelo espectador em um mapa do Google Maps. Duas telas LCD mostram qual foi o caminho feito pelos públicos gaúcho e carioca. A idéia é transformar qualquer pessoa em um artista digital.

Dreamlines, do argentino Leonardo Solaas, traz um terminal de computador em que o espectador deve digitar uma ou mais palavras que possam definir um sonho que ele deseje sonhar. O sistema (Google, no caso) procura na internet imagens associadas a essas palavras e depois as difunde em uma só pintura cheia de pixels, criando um caráter onírico.

Já Convergenze Parallele é uma instalação audiovisual em que, quando se assopram partículas de pó em frente a um microfone, criam-se efeitos sonoros e feixes de luz em um telão. O trabalho do norte-americano Ernesto Klar faz referência a um clássico da arte digital: Les Pissenlits, dos franceses Edmond Couchot e Michel Bret.

Como em toda mostra de arte eletrônica, a interação é a palavra de ordem entre as obras apresentadas. Essa relação entre artista e público é o grande barato da arte digital, pois acaba atraindo um público que não é muito visto em exposições artísticas: crianças e jovens que possivelmente não teriam lá muita paciência para apenas contemplar um trabalho.

Hermanos

Apesar de Porto Alegre ser considerada uma cidade em que a cultural digital é muito presente e debatida (em abril haverá a nona edição do Fórum Internacional Software Livre), o curador Ricardo Barreto levou o FILE à capital gaúcha por outro motivo – a proximidade com o Uruguai e Argentina. “É um ponto estratégico. Esses países são pólos de cultura digital e seus artistas não têm muito espaço para divulgar seus trabalhos.”

A busca pelos “artistas hermanos” ocorre porque a participação brasileira no evento ainda é muito pequena. Dos mais de 200 artistas que estão no FILE, cerca de 20 deles são brasileiros. A próxima edição do festival na capital paulista será de 4 a 31 de agosto.

Compartilhe:
  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • MySpace
  • TwitThis
  • email
  • LinkedIn

Participação do Leitor

Espaço reservado exclusivamente para comentários acerca da matéria ou publicação veiculada nesta página. Solicitação de informações ou dúvidas devem ser encaminhadas por meio do Fale com o Ministério; reclamações ou denúncias devem ser dirigidas para Ouvidoria.

*

max. 1000 caracteres


Regras para comentários:

1. Os comentários terão moderação desta Assessoria de Comunicação.

2. Comentários que fujam ao teor da matéria serão excluídos.

3. Ofensas e quaisquer outras formas de difamação não serão publicadas.

4. Não publicamos denúncias. Nestes casos, serão enviadas à Ouvidoria, que as encaminhará aos órgãos cabíveis.

5. A postagem de comentários com links de matérias não produzidas por este ministério será excluída.

6. Respostas a questionamentos e esclarecimentos exigem consulta, impedindo-nos, por vezes, retorno imediato.