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terça-feira, 2 de dezembro de 2008
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12 de março de 2008

Sítio Histórico ganha visibilidade

Jornal do Commercio - PE, Da Redação, 12/03/2008

Obras realizadas com recursos federais e internacionais ajudarão a preservar patrimônio da cidade, que está em festa hoje

A demolição de nove imóveis que ocupam área pública no Sítio Histórico de Olinda, ontem, para permitir a abertura de um trecho da Avenida Ministro Marcos Freire, no entorno do Fortim do Queijo, teve um significado especial para o município. Além de abrir a fortaleza para a beira-mar, com o desvio do trânsito e a construção de um calçadão de lazer, a obra aconteceu um dia antes do aniversário de 473 anos da Cidade Patrimônio Cultural e Natural da Humanidade.

Igualmente ao Recife, a vizinha Olinda, dois anos mais velha que a capital pernambucana, também está em festa hoje, dia 12 de março, feriado municipal. A obra no fortim tem ainda outro simbolismo, porque encerra um convênio assinado entre a prefeitura e o Ministério da Cultura no ano 2000, o Monumenta-BID. A cidade conseguiu R$ 7,47 milhões para investir na recuperação do patrimônio histórico, a maior captação de recursos para a área, nos últimos oito anos.

“Esse é o primeiro programa de revitalização de áreas históricas urbanas, em todo o País. Tivemos dificuldades e enfrentamos burocracia, mas o Monumenta deixa obras importantes para a cidade”, diz a secretária de Patrimônio de Olinda, Márcia Souto. A meta do programa é restaurar o patrimônio, criar estacionamentos para equilibrar a circulação de veículos na área tombada e garantir a manutenção dos monumentos.

A intervenção no Fortim, com prazo de oito meses para execução, prevê a criação de 89 vagas de estacionamento. Essa quantidade se soma às 44 vagas já implantadas no Largo da Conceição, na Sé, às 30 em construção no Largo do Varadouro e às 39 vagas em execução no Largo do Rosário, na Estrada do Bonsucesso. Todas com recursos do Monumenta, programa financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). No momento, o estacionamento da Conceição é gratuito.

Porém, a prefeitura desenvolve estudos visando a exploração econômica desses locais. “A cobrança já estava prevista desde o início do programa, para assegurar a manutenção do Sítio Histórico. Falta definir como será feita”, informa Márcia Souto. A primeira obra inaugurada com recursos do Monumenta foi a recuperação do guarda-corpo da Rua Saldanha Marinho, na lateral da Igreja da Misericórdia, em 2002.

A maior intervenção realizada pelo Monumenta, até agora, é o Parque do Carmo, o primeiro do gênero construído na cidade, que consumiu R$ 1,37 milhões e inclui o Sítio de Seus Reis e a Praça da Abolição. A obra se completa com a restauração da Igreja do Carmo e o entorno do templo católico, uma das obras mais lentas da cidade, ainda em execução. Porém, a maior obra do contrato é o Fortim do Queijo.

O investimento é de R$ 1,96 milhão numa área de 45.668,45 metros quadrados. O trecho da Avenida Ministro Marcos Freire que passa na beira-mar, nas imediações da fortaleza, vai ser desviado para a parte de trás do fortim. Corresponde a um quilômetro, dos Correios do Carmo até o bar Manicômico. Ontem, a prefeitura começou a demolição das peixarias.

Dos nove imóveis, cinco são derrubados integralmente (peixarias) e quatro terão demolição parcial. Vendedores de peixe questionaram a ação, mas tiveram de desocupar os imóveis.

Conforme Márcia Souto, a prefeitura depositou em juízo R$ 119,6 mil para as indenizações, desde 2005. Eneida Amaral, que alugava um boxe na peixaria há nove anos, ainda não sabe onde vai trabalhar.

“A indenização é do proprietário, eu era apenas inquilina, não recebo nada”, diz ela. A prefeita Luciana Santos (PCdoB) esteve no local, no início da operação, às 8h, e colocou o Mercado Eufrásio Barbosa, no Varadouro, à disposição dos peixeiros, para a Semana Santa.

Depois, cada um terá de arranjar um ponto fixo. “A obra vai embelezar a cidade, mas não é prioridade”, reclama Eneida.

Moradores do Sítio Histórico criticam a lentidão das obras. “Três anos para construir um estacionamento e uma área de lazer no Largo do Rosário é tempo demais”, diz Andréia Alheiros, que vive perto da Igreja do Rosário. Hoje, a prefeitura assina ordem de serviço para iniciar a obra de recuperação do Alto da Sé (barracas padronizadas, construção de mercado de artesanato e colocação de elevador panorâmico na caixa d’água), com recursos do Prodetur.


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1 comentário para "Sítio Histórico ganha visibilidade"

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  1. 27 de março de 2008 às 9:47 Vera Milet

    A filosofia inicial do Programa Monumenta propugnava a participação e discussão da população dos projetos do Programa. Esses projetos são realizados na SEPACTUR sem que a população tenha conhecimento do seu conteúdo.






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