Agenda de trabalho ficou de lado nas 18 horas de visita à capital baiana
A pauta previa uma série de discussões sobre temas tão diversos quanto o desenvolvimento do turismo étnico-afro e a produção de biocombustíveis. Em sua visita a Salvador (BA), porém, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, não deu muita importância a isso.
Condoleezza passou praticamente todas as 18 horas em que esteve em Salvador como uma turista de luxo. Chegou às 16h35 da quinta-feira, na Base Aérea, e à noite jantou com o governador do Estado, Jaques Wagner, com o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro, e com três ministros – da Cultura, Gilberto Gil; do Turismo, Marta Suplicy; e da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima -, entre outros convidados. Aproveitou o pocket-show promovido pelos músicos Gilberto Gil, Carlinhos Brown e Margareth Menezes. Depois de comer, dançou e a tocou pandeiro, para deleite dos 30 convidados.
Na manhã de ontem, sorridente e receptiva, Condoleezza visitou o Pelourinho. Conheceu a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, onde acompanhou um ritual inter-religioso. Depois, teve contato com as obras sociais e visitou o Museu Afro da Bahia. Tudo intercalado por apresentações musicais, como da banda Olodum.
“Como herdeira das raízes africanas, percebi que a Bahia tem uma identificação muito forte com os assuntos ligados aos negros”, disse. “Gostei muito, tive momentos ótimos. Vou recomendar.” Condoleezza estava tão à vontade que, como a maioria dos turistas que vai ao Pelourinho, foi abordada por um menino que lhe pediu R$ 1. Ela não entendeu o pedido, mas o assédio das equipes de segurança fez o garoto fugir correndo.
Condoleezza não chegou a ver manifestações anti-americanas. O único grupo que se dispôs a promover um apitaço tinha 20 pessoas e chegou depois de a secretária deixar o bairro, às 10 horas. Em seguida, embarcou para Santiago (Chile).
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