O chefe dos Serviços de Coordenação de Políticas e Assessoramento do Governo da África do Sul, ministro Joel Netshitenzhe, encontrou-se na última terça-feira, dia 8 de abril, com o ministro da Cultura interino, Juca Ferreira. Eles conversaram sobre a cultura como fator fundamental do desenvolvimento econômico e social. A audiência foi realizada na sede do Ministério da Cultura (MinC), em Brasília.
A importância da coordenação de políticas públicas entre os dois países, com vistas a promover maior intercâmbio e cooperação nas áreas da cultura e do combate à pobreza e à desigualdade social, foi ressaltada durante o encontro. Também foram mencionados os projetos realizados pelo MinC que contribuem para promover o desenvolvimento sociocultural do Brasil, como a Economia da Cultura, o Direito Autoral, os modelos de negócios, a geração de emprego, dentre outros assuntos.
Participaram também do encontro o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo; os secretários de Políticas Culturais, Alfredo Manevy e de Articulação Institucional, Marco Acco; o gerente de Cooperação e Assuntos Bilaterais, Bruno Melo; além de representantes do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE) da Presidência da República e do Ministério das Relações Exteriores.
Economia da Cultura
Para o ministro interino Juca Ferreira, as permutas culturais e os debates são importantes para as trocas de experiências entre os dois países. “Esta visita vem fortalecer as relações entre as duas nações e compartilhamos com o ponto de vista de que a dimensão cultural é tão importante quanto a dimensão material”, explica.
Joel Netshitenzhe ressaltou que a relação do Ministério da Cultura do Brasil e do Governo da África do Sul deve ser mais do que de negócios e turismo. “Deveriam existir mais trabalhadores culturais nesse processo de intercâmbio.”
O secretário de Políticas Culturais, Alfredo Manevy, lembrou que o trabalho do Ministério da Cultura tem envolvido instituições financiadoras quanto à sensibilização sobre o potencial do investimento em cultura. “Isso levou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social a criar um departamento específico para economia da cultura, com produtos específicos: linhas para cinema e teatro. Não há problema de criatividade, há problema de tradução dessa criatividade em bens culturais que possam achar espaço no mercado.”
O secretário de Articulação Institucional, Marco Acco, afirmou que o conceito de Economia da Cultura está associado ao conceito de diversidade cultural. “Temos muitos setores que deveriam ser considerados nesse conceito e uma das primeiras missões do MinC foi buscar os setores que estavam fora desse conceito de economia da cultura. E para muitos setores, há fatores não econômicos que são muito mais importantes para a economia dos próprios setores. Por exemplo, o Patrimônio Material – questão de regulação.”
Diversidade Cultural
O ministro Joel Netshitenzhe esclareceu que o governo atual tem realizado monitoramento das políticas públicas e avaliação de seu impacto, porém no nível espiritual existe contraste nas sociedades e isso precisa ser melhorado. “A solidariedade humana se dissipa com o individualismo acirrado. Como resolver a dialética entre um sistema material que acirra a ganância em contraposição ao lado espiritual humano. Essa cooperação entre países em desenvolvimento é suficiente para que as pessoas se liguem nessas questões espirituais.”
O presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, lembrou da semelhança entre os trabalhos realizados nos dois países. “As ações da Fundação têm como objetivo o combate ao racismo, à valorização das manifestações de origem negra e inclusão plena do negro na sociedade brasileira. Algo semelhante ao papel civilizatório que a África do Sul teve para com o mundo no combate ao Apartheid.”
Juca Ferreira sugeriu que os próximos debates se aprofundem em três níveis. “No Intercâmbio Cultural – precisamos conhecer melhor a cultura da África do Sul e apresentar a brasileira; na Cooperação Técnica – temos que ter uma discussão mais profunda sobre Economia da Cultura e a eficiência do setor cultural, e por último, a troca de experiências na economia cultural, na cultura como direito de todos e a produção simbólica”. E, também, um novo processo entre Brasil e África do Sul nos foros multilaterais relacionados à Cultura e à Propriedade Intelectual.
A Delegação Sul-Africana era composta pelo diretor Sênior do Departamento de Economia Política, Alan Hirsch; pelo secretário de Políticas Públicas, Percy Moleke; pelo diretor do Departamento de Planejamento Setorial de Políticas Públicas, Hassen Mohammed; dentre outros representantes governamentais.
(Texto: Marcelo Lucena)
(Fotos: André Simas)
(Comunicação Social/MinC)
Participação do Leitor
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