A palestra “Internet sob ataque: as tentativas de controle da rede e o combate da cultura hacker”, com o sociólogo e doutor em Ciência Política Sérgio Amadeu, abordou os problemas do controle da Internet pelas grandes empresas. Ele contou a história da rede mostrando que, no início, se pensava que uma Internet aberta funcionaria muito melhor. “O anonimato na rede é fundamental, é uma questão de democracia, essa vigilância deve ser impedida. A Internet cresceu na base da liberdade”, defendeu.
Amadeu lembrou que a cultura hacker teve uma função essencial para a criação da rede. Segundo ele, a liberdade na rede, defendida por ativistas do software livre, está fortemente ameaçada. “Estamos sob ataque”, disse o professor. Amadeu também explicou que, para manter o controle da rede, grandes grupos de direitos autorais se baseiam apenas no broadcast (distribuição), e querem criminalizar a P2P, que é uma rede de compartilhamento.
Ele citou a tentativa do presidente francês Nicholas Sarcozy de controlar a rede na França e ainda avançar a medida para toda a Europa. Criticou o projeto do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) de criar um provedor “dedo-duro” para controlar acessos e ainda responsabilizar empresas que não identifiquem usuários.
O caso da transmissão de um show da banda Pearl Jam que foi interrompida após o vocalista ter criticado o presidente norte-americano, George W. Bush também foi citado na palestra.
Amadeu defendeu que não é porque algumas pessoas cometem crimes aproveitando-se do anonimato que todas devam ser responsabilizadas por isso. Para ele, “é como responsabilizar a Volkswagen por atropelamentos que aconteçam”. Mas a maior preocupação do ativista é que as grandes corporações queiram o controle absoluto da rede. “A Internet existe por causa do compartilhamento e isso não pode mudar”, concluiu.
Participação do Leitor
Espaço reservado exclusivamente para comentários acerca da matéria ou publicação veiculada nesta página. Solicitação de informações ou dúvidas devem ser encaminhadas por meio do Fale com o Ministério; reclamações ou denúncias devem ser dirigidas para Ouvidoria.