Com o avanço da internet, as novas tecnologias que permitem visualizações em três dimensões (3D) já estão sendo incorporadas ao cotidiano das pessoas.
A padronização e a normatização das linguagens usadas para aplicações em 3D serão discutidas no Fórum 3D – Seminário sobre Padrões Abertos em Tecnologias 3D para Interoperabilidade e Visualização 3D do Globo Terrestre que o Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI) da Escola Politécnica da USP realiza na próxima segunda-feira.
Durante o Fórum, que contará com a participação de pesquisadores nacionais e estrangeiros, haverá a apresentação das principais tecnologias 3D existentes; serão mostrados alguns exemplos de aplicação da ferramenta de representação visual de código aberto X3D; e será apresentado o projeto X3D Earth, que tem por objetivo a representação do globo terrestre em 3D.
“O grande diferencial do projeto X3D Earth em relação a iniciativas semelhantes, como o Google Earth e o Virtual Earth, é que X3D Earth não tem fins comerciais”, aponta o professor Marcelo Knörich Zuffo, coordenador da iniciativa no Brasil.
“As aplicações X3D Earth serão desenvolvidas com software livre e voltadas para o interesse público. Elas poderão ser usadas por toda a sociedade e setores públicos, como prefeituras, companhias de água, luz e esgoto, entre outros, em áreas como previsão do tempo, preservação de florestas, aquecimento global, etc”, explica.
De acordo com o professor Zuffo, a idéia é convidar agentes públicos e outros interessados que queiram participar de uma comunidade de desenvolvedores da iniciativa X3D Earth com o objetivo de definir um conjunto de padrões e normas para um sistema internacional de visualização tridimensional do globo terrestre. “Outro diferencial desta iniciativa é que todo o processo de atualização de imagens seria feito pelos participantes desta comunidade”, conta.
O projeto X3D Earth é patrocinado pela Naval PostGraduate School, de Monterey (Califórnia, EUA) e tem a participação de diversas universidades americanas, européias e brasileiras. Na América Latina, o Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI) é o principal condutor das pesquisas de concepção e desenvolvimento dessa ferramenta.
Aplicações
No ano passado, durante o encontro do Grupo de Interesse Especial em Gráficos Interativos e Técnicas, que ocorreu em San Diego, na Califórnia, foi distribuído pelo LSI um CD-Rom sobre a Caverna Digital (Cave Automatic Virtual Environment – sistema de realidade virtual criado pelo LSI e único na América Latina) que traz o estágio atual de padronização da tecnologia X3D.
Uma Caverna Digital é um complexo sistema de realidade virtual que permite ao usuário “mergulhar” num mundo sintético 3D totalmente simulado por computadores. Cavernas são muito utilizadas por cientistas e na indústria para aplicações que impliquem em risco ao usuário, impossibilidade de realização real ou custos extremamente elevados.
Aplicações já desenvolvidas envolvem a Engenharia (Naval, Oceânica, Mecânica, Civil, Automobilística e Eletrônica), a Medicina (simulações cirúrgicas, estudos em anatomia), as ciências básicas (Astronomia, Astrofísica, Biologia e Química), a Arte (Artemídia), a Pedagogia (jogos interativos educativos), a Arquitetura (maquetes virtuais) e o entretenimento (roteiros imersivos e interativos e estudos em imagens de alta resolução).
As indústrias brasileiras de aeronáutica, automotiva e de óleo e gás já começam a se beneficiar dessa tecnologia. Isso porque os custos com a produção digital são muito inferiores aos protótipos reais e tem a versatilidade de alterações em qualquer fase do projeto. Na área médica, treinamentos cirúrgicos já são realizados com a ajuda de uma interface haptic que simula um bisturi.
Para gerar todos esses mundos virtuais, 24 computadores, os chamados aglomerados (clusters) trabalham em conjunto, produzindo um desempenho equivalente ao das supermáquinas gráficas utilizadas nas caves dos grandes centros de pesquisa do mundo. E com custos muito inferiores.
“Quando desenvolvemos a Caverna Digital, em vez de usarmos supercomputadores comerciais, utilizamos computadores da USP programados em clusters. O ambiente de programação foi todo baseado em X3D”, relata Zuffo.
Durante o Fórum, serão apresentadas algumas aplicações em X3D, ligadas à preservação do patrimônio histórico (que permite a visualização tridimensional do centro histórico de São Paulo) e tecnológicas (na área de ciências moleculares, com a visualização da estrutura molecular; em engenharia naval e exploração de petróleo).
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