Responsável pelas emissoras públicas de TV e rádio, Markun quer colocar Twitter e até lan house na programação
FUTURO É A WEB? – “Em quatro, cinco anos, a rede deve se transformar na mídia mais importante”, diz
Ele quer levar o mundo virtual para a tela da TV e vice-versa. Isso inclui estrear um programa que acontece em uma lan house, colocar o “hypado” Twitter em um dos programas de entrevista mais tradicionais da televisão brasileira, chamar para produzir gente que surgiu no YouTube e, claro, desaguar na rede conteúdos específicos para a web.
Desde o ano passado como presidente da Fundação Padre Anchieta, que mantém a TV Cultura e as rádios Cultura AM e FM, o jornalista Paulo Markun está na busca por quebrar barreiras e misturar, cada vez mais, internet, televisão e rádio. “É cada vez mais evidente que nos tornamos produtores de conteúdo, não importa a mídia. Hoje a TV é predominante. Mas quem garante que daqui a dez anos vai continuar? Quem garante que não será uma mistura de tudo: internet, televisão, rádio…?”
Markun diz não ter bola de cristal. Mas na sala de reuniões da Fundação, no bairro da Água Branca, arrisca um palpite, enquanto é maquiado para a foto desta página. “Eu, pessoalmente, acho que a web irá se tornar a mídia mais importante em quatro, cinco anos. Mas isso não significa dizer que os outros meios irão acabar: o cinema não acabou com o teatro; a TV não acabou com o rádio. As mídias sobrevivem e encontram seu caminho.”
Enquanto acompanha essa evolução, a ordem na Cultura é experimentar, experimentar e experimentar. “Os novos meios são uma das minhas prioridades”, diz ele, que assumiu o cargo em junho de 2007. “A idéia é ficar de olho em tudo o que acontece de novo. Temos de estar preparados”. Markun cita com conhecimento sites como Twitter, Joost, OhMyNews, Digg e outros bambambãs que freqüentam as páginas do Link.
Bem informado, hein? Mais ou menos. Ele confessa que o grande responsável por abastecê-lo com informações sobre os bits e bytes é seu filho Pedro, de 22 anos, um consultor informal para assuntos tecnológicos e “habitué” de eventos sobre cultura digital – de BlogCamp e Campus Party à reunião da ONU que discutiu no Rio a internet, em 2007.
“Hoje já não é mais tão assim, também acompanho novidades. Mas o Pedro sempre está um passo adiante”, diz Markun. “Minha aproximação com esse universo se deu por causa dele, que está sempre enfurnado no PC. E eu dizendo: ‘Você nunca vai ser nada na vida, não estuda.’ No fim, tive de dar a mão à palmatória. O Pedro estava certo e aproveitou muito bem o seu tempo.”
Pelas dicas do filho, há cinco anos, o jornalista montou um blog, hoje fora do ar pois “presidente não pode ter blog pessoal”. Também se animou a montar um portal de jornalismo colaborativo, o Jornal de Debates (www.jornaldedebates.com.br), onde os internautas opinam sobre os assuntos do dia-a-dia e que hoje é tocado por seu filho.
Todas essas experiências, diz, ele carrega agora para a Fundação. Foi criado um núcleo só para novas mídias. Os sites estão em reforma e já cresceram 11% em audiência entre agosto e abril deste ano. Cerca de 200 entrevistas do Roda Viva devem estar na web em dois meses. E, todos os dias, no jantar, Markun continua batendo aquele papo com o filho para ver o que há de novo. “Aí vemos como aplicar na prática.”
Foi daí que nasceu a idéia, por exemplo, de colocar o Twitter no programa Roda Viva. “Três blogueiros transmitem o que acontece no programa.” A novidade estreou na semana passada. Foi daí também que nasceu o site Radar Cultura, um projeto que possibilita aos internautas definirem as músicas que serão veiculadas na rádio Cultura AM, por meio de votos.
No menu digital de Markun e equipe, ainda devem figurar conteúdos para celular, um programa de TV gravado em uma grande lan house em que o público leva o próprio PC (numa espécie de mini Campus Party) e uma série com os mesmos criadores do mitológico vídeo Tapa na Pantera, que fez sucesso no YouTube. Ah, e Markun ainda quer colocar todos os funcionários da Fundação (mesmo quem não for apresentador/artista) com um blog no site da Cultura.
“É preciso mudar a cultura da Cultura”, diz. “Com os blogs, por exemplo, a idéia é fazer com que os funcionários descubram as possibilidades da rede”, diz ele, que deve criar um “blog do presidente”. “Vamos experimentar e temos espaço para isso, pois não somos uma rede comercial. As novas mídias permitem acertar e errar gastando muito pouco.”
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