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Discurso do secretário executivo Juca Ferreira durante o Seminário Nacional Retratos da Leitura no Brasil

BRASÍLIA, 28 DE MAIO DE 2008

Fazia muito que o Ministério da Cultura esperava por uma pesquisa como esta: a Retratos da Leitura no Brasil II. Ela é fundamental para compreendermos melhor a conjuntura que estamos vivenciando no Brasil e para orientar as políticas públicas ligadas ao livro e à leitura. Podemos ver o impacto desse bom momento, com a economia crescendo, associada à redução da desigualdade social, e os reflexos na subjetividade dos brasileiros, como por exemplo, esse aumento da disposição de ampliar o conhecimento e a informação pela leitura.

E o resultado é, no mínimo, animador. Embora não seja possível comparar completamente a pesquisa deste ano com a de 2001, por conta da metodologia e do público pesquisado, se nos atermos apenas aos 3,7 livros per capita/ano do mesmo público e mesmo tipo de livros, veremos que eles apontam, de fato, um avanço.

Esse avanço está claramente ligado ao aumento da escolaridade do brasileiro e sua relação com o fato, também mostrado na pesquisa, de que o público com maior escolaridade lê mais. E lê também mais livros não-indicados pela escola, ou seja, livros de leitura cultural e de lazer. Isso aponta para o papel fundamental da escola na formação dos leitores, uma responsabilidade que vemos como não apenas do Ministério da Educação, mas de todo o governo e de toda a sociedade.

Já são muitos brasileiros compreendendo que o livro é uma ferramenta insubstituível para o crescimento individual, que a leitura qualifica as relações e o ambiente social, é fator de saúde, de segurança e ajuda o desenvolvimento de uma cultura de respeito às diferenças humanas e ao meio ambiente, imprescindível para se fazer do Brasil um país mais justo, sustentável e em condições de enfrentar os desafios do desenvolvimento.

Cabe a nós, Ministério da Cultura e Ministério da Educação, responsáveis pelas políticas públicas ligadas à leitura e ao livro, estudarmos os dados dessa pesquisa e definirmos nossas ações levando em conta todos os aspectos da realidade que pudermos captar para avaliarmos os programas que vêm sendo desenvolvidos e a aplicação do Plano Nacional do Livro e da Leitura nestes próximos anos. Um desses dados que considero de suma relevância e é o de que as mulheres lêem mais que os homens e que a mãe é a principal agente de leitura do Brasil.

Outro dado é de que 67% dos pesquisados declararam conhecer alguma biblioteca. Isso mostra que este equipamento cultural não só é o melhor distribuído entre os municípios do Brasil, como está cada vez mais perto da vida dos brasileiros. Vale lembrar que, em 2003, no início do atual governo, 1.170 municípios não possuíam bibliotecas. Chegamos a 2008 com 330 municípios nessa situação. E temos condições de, ainda este ano, passar esta página, zerando o número de municípios brasileiros sem bibliotecas.

Mas ainda é pouco. É preciso mais e melhores bibliotecas, que atuem como verdadeiros centros culturais capazes de atrair não só o mesmo público, mas também aqueles que ainda não foram sensibilizados para o mundo da leitura.

O Brasil está no caminho certo no que se refere à sua transformação em sociedade leitora. E que caminho é esse? É o da construção de um grande pacto nacional pelo livro e pela leitura, envolvendo muitos ministérios, governos estaduais e municipais e principalmente de mobilização da sociedade.

Este pacto é o caminho para a descoberta do livro e da leitura por milhões de brasileiros, o caminho para fazer do livro o principal meio de acesso a informação, ao conhecimento e ao deleite artístico e intelectual. Esse caminho passa por dentro da escola desde os primeiros contatos com o alfabeto, passa pela família, pelos grupos de interesses, associações, ambientes de trabalho, organizações culturais e as chamadas não-governamentais.

Essa mobilização é fundamental para fazer a cultura brasileira se desenvolver também em sua dimensão escrita. Uma cultura que, como já dissemos em outras oportunidades, ecoando as palavras do ministro Gilberto Gil, é rica em sua oralidade, espontaneidade e diversidade, e que precisa se desenvolver também a partir do rico e potencializador mundo da leitura.

Obrigado!

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1 comentário

  • Paula Carina de Araújo

    29 de maio de 2008

    Sou Bibliotecária e e gosto da temática formação de leitores. Hoje vemos um grande progresso, temos muitas bibliotecas nos municípios brasileiros, o que falta agora é dar vida a esses espaços de disseminação do saber e para isso temos o Bibliotecário