O primeiro dia do Seminário Internacional W3C Tecnologias Móveis: seu papel no desenvolvimento social, que termina nesta terça-feira, aqui em São Paulo, deixou todos os presentes com ao menos uma certeza: a de que o SMS pode ser um instrumento poderoso para inclusão social dos menos favorecidos. Inicialmente, através da oferta de serviços M-gov. Basta querer. E as ações podem começar já. Não é necessário aguardar mudanças no modelo de negócio das operadoras quanto a comunicação de dados. Nem mesmo a queda do preço das mensagens curtas de texto, ainda baratas se comparadas ao custo das comunicações por voz e dados através da rede celular aqui no Brasil, mas também uma das tarifas mais caras do mundo, se comparada a de outros países, como Singapura.
A defesa do SMS foi feita por Ken Banks, da kiwanja.net, organização gestora de várias iniciativas usando soluções baseadas nas mensagens curtas lá no continente africano. Segundo ele, a troca de mensagens curtas já está melhorando, e até salvando a vida dos africanos. Em especial através de aplicações na área da saúde, com informações sobre prevenção, dignóstico e tratamento da AIDS.
“Não é necessário desenvolver aplicações sofisticadas, em Flash, web based. A inteligêngia tem que estar no back office, no computador que vai controlar a aplicação. Não lá na ponta. Até o celular mais simples é capaz de receber e enviar mensagens de texto”, disse ele.
Discurso referendado por Merrick Schaefer, da Unicef, que apresentou casos de sucesso através de aplicações multimodais combinando SMS, IVR (interactive voice prompts), TTS (text-to-speech) e mensagens de áudio (usando inclusive o veículo mais democrático em se tratando de comunicação: o rádio). Parte delas ancoradas na Web. Nem todas.
“O importante é fazer a informação, o serviço, chegar a quem precisa dele e possa fazer uso com a ferramenta que tiver disponível. As aplicações podem ter mais opções para quem tem um celular mais poderoso e bem simples para quem tem aparelhos modestos, que só falam e usam o SMS, disse Merrick.
Vale a pena ler o paper que Merrick distribiu no evento, disponível em www.w3.org/2008/02/MS4D_WS/papers/unicef-w3c-presentation.html.
Outra vantagem do SMS é que ele pode ser habilitado nas redes fixas, já digitais, como no caso do Brasil. Poderia inclusive ser habilitado nos telefones públicos, muitas vezes o único aparelho disponível em milhares de pequenos municípios brasileiros ainda não cobertos pelo sinal das celulares.
Ao depoimento dos dois somaram-se o de representes de governos estaduais, como o do Paraná, que já ganhou um prêmio Conip com uma aplicação de comunicação SMS entre funcionários da administração o pública como forma de redução dos custos de comunicação. Ao ouvir Mário Ripper defender a redução do custo do SMS, principalmente entre redes de diferentes operadoras, que hoje não sai por menos de R$0,40, a representante do Paraná lembrou que lá essa questão foi resolvida com ação firme do governo convocando todas as operadoras e contratando um pacote de serviços ao preço de R$0,10, após uma licitação.
Para Ripper, enquanto a Anatel, como representante do governo, não determinar que o custo da interconexão das redes celulares para mensagens de texto baixe para a casa dos centésimos de centavo, elas continuarão concordando com o discurso de que pode ser mais vantajoso cobrar barato pelas mensagens e ganhar na escala, viabilizando economicamente muitas aplicações de M-gov e também aplicações comerciais, sem mudarem um centavo, na prática.
O seminário, que acontece no auditório da Fecomércio de São Paulo, termina hoje. Logo na primeira palestra, fala a Anatel . Vamos ver o que irá dizer.
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