Projeto anuncia exportação da série para Europa e EUA
Monique Cardoso
Depois de consolidar 10 anos presente na programação clássica no Rio e nas principais capitais brasileiras, o projeto Música no Museu segue rumo ao exterior. No mês passado foram cinco concertos em Portugal, um na República Tcheca – estes com o grupo Quadro Antiquo e repertório em homenagem aos 200 anos da vinda da família real para o Brasil – e dois nos Estados Unidos, onde outras apresentações estão marcadas para o fim de julho e para agosto. Para tornar permanente a realização de concertos fora do país, a idéia é criar uma rede de relacionamento e mobilizar músicos brasileiros que moram na Europa. Por aqui, a série abre no dia 10, sua programação de Música Antiga, com curadoria da violista da gamba Kristina Augustin, do Quadro Antiquo, que tem como principal estrela o cravista português Mario Trilha, no dia 23.
– Minha intenção é organizar os concertos na Europa a partir do Rio, com participação dos músicos que estão fora e, num segundo momento, levar artistas daqui para tocar lá – diz Sérgio da Costa e Silva, diretor do projeto.
Em Portugal, o projeto ganhou uma espécie de franquia – entrou na programação permanente do Museu do Aveiro. Além de Lisboa e Porto, umas das cidades visitadas pelo projeto foi Santarém, onde Pedro Álvares Cabral viveu em seus últimos anos. Em Praga, o prédio que abrigou o concerto tem forte vínculo com o Brasil: pertenceu à família de um dos filhos da Princesa Isabel. Para os espetáculos, Costa e Silva contou com o apoio do Ministério das Relações Exteriores e de embaixadas brasileiras. Acreditando no crescimento da série fora do país, inscreveu um projeto e obteve autorização pra captar, via Lei Rouanet, patrocínio para o Música no Museu Internacional. Além dos países já visitados, a série pode chegar à França, Alemanha e Espanha.
– Apesar da pouca estrutura, os concertos que realizamos lá provaram que com boa logística é possível fazer.
Parceria com universidade
A apresentação rendeu ao Quadro Antiquo um convite para tocar no Festival de Música Antiga de Praga do ano que vem. Para os projetos no exterior, Sérgio da Costa e Silva pensa em seguir a mesma linha dos recortes temáticos que adota no Brasil, valorizando concertos destacando naipes, como cordas ou metais. Outra atuação internacional do Música no Museu é a parceria com a James Madison University, do Estado da Virgínia, nos EUA. O projeto está realizando seu primeiro concurso para jovens instrumentistas e recebeu 60 inscrições. A final acontece em outubro, na Sala Cecília Meireles, e o premiado ganha bolsa de estudos no valor de US$ 93 mil na instituição americana.
– A procura nos surpreendeu. É uma boa oportunidade de descobrirmos jovens parta tocar na série.
Na mostra de Música Antiga, Mario Trilhas faz, no dia 23, programa com peças de Dietrich Buxtehude, Telemann e Bach, ao lado de Kristina Augustin. Outro nome do cravo é Roberto de Regina, que toca no dia 27, no MAM.
Participação do Leitor
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