Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE
Abril de 2008
Paul Valéry, 1934
1. Apresentação
O presente estudo tem como objetivo trazer elementos para avaliar a contribuição das telecomunicações, em especial da telefonia, do ponto de vista da criação e transmissão de conteúdos culturais, justificando este meio como pertencente ao domínio das atividades artísticas e culturais. O estudo apresenta um caráter abrangente, utilizando, principalmente, fontes de informações atualizadas e disponíveis.
O estudo parte de uma breve referência histórica da telefonia a partir da sua invenção no final do século XIX, sua crescente utilização na sociedade contemporânea, podendo-se distinguir três etapas fundamentais: a inicial, com a expansão da telefonia comutada fixa (ponto a ponto), a telefonia pública, também formando a sua rede de atendimento ao longo do século XX, e, mais recentemente, a telefonia móvel, com fortes impactos na comunicação interpessoal e a sua posição central para a convergência tecnológica das mídias digitais em curso.
Estas três etapas são traduzidas em indicadores de oferta de serviços, que será avaliada, para o caso do Brasil, a partir das informações do Ministério das Comunicações[3], recuperadas através da sua página na internet. Estes indicadores mostram a posição singular do país onde a telefonia móvel celular tornou-se, nos últimos anos, a principal forma de acesso à telefonia, por parte da população brasileira.
A história mais recente da telefonia liga-se ao advento e forte disseminação da internet, especialmente a partir da década de 1990, configurando uma nova situação da mídia, através da formação de uma sociedade interconectada por redes de informações globalizadas, multimídia, em tempo real, caracterizando o que Castels apontou como a emergência de uma “cultura da virtualidade real”[4], comparável ao período de advento do alfabeto na antiguidade, à invenção da imprensa ou ao impacto da segunda revolução industrial sobre os meios de comunicação.
Considerando a centralidade telefone celular e da internet, foram avaliados indicadores sobre a incidência desses meios, o perfil do usuário e tipo de utilização, a partir dos resultados do suplemento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2005 [5].
Na seção seguinte, são explorados alguns dos indicadores da Pesquisa de Inovação Tecnológica de 2005, também do IBGE, identificando o peso das novas tecnologias para o setor de telecomunicações, refletindo-se no atual processo de convergência tecnológica dos meios de comunicação, afetando a produção e disseminação dos conteúdos culturais.
Finalmente é caracterizado, em linhas gerais, o setor de telecomunicações no que diz respeito aos seus impactos econômicos, sendo considerados diversos indicadores quanto à sua participação no mercado em geral e no mercado de trabalho em particular. Para esta avaliação são utilizadas tabulações especiais do Cadastro Central de Empresas do IBGE, informações da Pesquisa Anual de Serviços[6], e a primeira publicação do IBGE em parceria o Minc, sistematizando informações e indicadores culturais[7].
[1] Este estudo foi realizado no âmbito do projeto de produção de indicadores culturais, pela Diretoria de Pesquisa do IBGE, contando com a participação das diversas áreas envolvidas. O autor agradece especialmente à Cristina Lins, coordenadora do projeto, pela idéia e apoio ao estudo.
[2] Cientista Político, pesquisador do IBGE.
[3] As informações foram capturadas do site da internet www.mc.gov.br, em outubro de 2007.
[4] “A cultura da virtualidade real: a integração da comunicação eletrônica, o fim da audiência de massa e o surgimento de redes interativas”. In: “A sociedade em Rede”. Manuel Castells. São Paulo, Paz e Terra, 1999.
[5] “Acesso à internet e posse de telefone móvel celular para uso pessoal”. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios”, Rio de Janeiro, IBGE e Nic.br, 2007.
[6] “Suplemento: Produtos e Serviços, 2004 e 2005”. “Pesquisa Anual de Serviços”. Rio de Janeiro, IBGE,2007.
[7] “Sistema de Informações e Indicadores Culturais, 2004”. Estudos & Pesquisas, Informações Demográfica e Socioeconômica, número 18. Rio de Janeiro, IBGE, 2006.
Leia o estudo Telefone é cultura? na íntegra.
Participação do Leitor
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