Amanhã, o mundo literário relembra 60 anos sem Monteiro Lobato
Da Redação
Amanhã, 4 de julho de 2008, o Brasil e o mundo literário relembram a data que marca os 60 anos de morte de um dos mais importantes – se não o mais importante – escritores infanto-juvenil brasileiro e da América Latina – José Bento Renato Monteiro Lobato – ou simplesmente o jornalista, crítico de arte, ensaísta e polêmico Monteiro Lobato (como é largamente conhecido), cuja vida e obra ainda hoje servem de inspiração e exemplo para milhares de crianças, jovens e adultos. Em pesquisa divulgada recentemente (Retratos da Leitura no Brasil), Monteiro Lobato foi apontado como o escritor mais lido do Brasil. Nacionalista convicto, o autor centrou a sua obra em personagens ligados à cultura brasileira, principalmente ao campo onde nascera e fora criado, misturados ao folclore brasileiro. Muitos deles de grande sucesso como Jeca Tatu, o Saci, Narizinho, Dona Benta, Tia Nastácia, Emília e o Visconde de Sabugosa.
Jeca Tatu ganhou vida em 1917, a partir da indignação de Lobato com os constantes enfrentamentos com os cablocos da fazenda onde morava e dirigia. Preguiçoso e totalmente diferente dos caipiras idealizados pela literatura da época, Jeca Tatu gerou muita polêmica, por ser um personagem símbolo do atraso e da miséria que representava o campo no Brasil. O camponês volta à cena na publicação de “Urupês”, mais uma vez como protótipo de um camponês brasileiro, mas desta vez abandonado à miséria pelos poderes públicos. De volta da Argentina, em 1947, Lobato reedita o polêmico Jeca Tatu, em seu último livro “Zé Brasil”, dessa vez na pele de um trabalhador sem-terra esmagado pelo latifúndio.
Mas foi por meio da série “Sítio do Picapau Amarelo” – um lugar no interior do Brasil e onde se passaram a maioria das suas histórias infantis – que Lobato se consagrou no consciente das gerações que cresceram sob a influência da sua literatura. A primeira obra da série, “A Menina do narizinho arrebitado” foi publicada em 1920 e, a partir daí, outras tantos livros infantis de sucesso surgiram tendo como centro os personagens que viviam as histórias mágicas. Aliás, sonho e magia eram ingredientes obrigatórios nas criações infanto-juvenis de Monteiro Lobato. E, no início da década de 1930, mais precisamente em 1931, os primeiros livros da série foram compilados na obra “Reinações de narizinho”, em catálogo como tal até os dias de hoje. Embora fosse um árduo defensor da criação brasileira, Lobato sofreu influência direta de obras infantis estrangeiras.
A primeira exibição do Sitio do Picapau Amarelo na TV foi em 1952, na extinta TV Tupi, dentro do programa Teatro Escola de São Paulo, e ficou no ar por dez anos, sendo um grande sucesso na época. Em 1964, foi a vez da TV Cultura exibir o famoso seriado, que ficou no ar por seis meses. Depois, em 1967, a Bandeirantes trouxe o Sítio de volta às telinhas. No entanto, foi na Globo, com a exibição de 1977 a 1986, que o Sítio do Picapau Amarelo ganhou tamanha projeção, inclusive com versão exportada para o mundo, principalmente para os países de língua portuguesa. Os adultos também foram contemplados pelo escritor em livros como “O Saci Pererê: resultado de um inquérito”, “Urupês”, “Zé Brasil”. A política também fez parte da vida do escritor, principalmente na atuação pela defesa do petróleo brasileiro. Demonstrava preocupação com a atual situação brasileira e lutava por melhorias na sociedade daquela época. Mas essa militância só lhe rendeu prisões e perseguições.
Modernismo
Nacionalista convicto, um dos episódios polêmicos na vida do escritor foi a crítica feita a uma exposição da pintora Anita Malfatti. Na época, muitos intelectuais passaram a ver Monteiro Lobato como um reacionário, mas o alvo principal das suas críticas eram os “ismos” da época que vinham do Velho Mundo: futurismo, dadaísmo, surrealismo, algo ele mesmo classificava como “colonialismos”. Por essa influência, criticou Anita Malfatti muito embora a considerasse talentosa.
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