Da Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi homenageado hoje à noite, no Rio, por cordelistas e repentistas. Ele compareceu à posse, na Academia Brasileira de Literatura de Cordel, do amigo de 30 anos Crispiniano Neto, e enalteceu, em discurso, seus conterrâneos: “O povo do Nordeste não deve ser visto no Sul só como ajudante de pedreiro”, afirmou, depois de relembrar os tempos em que cruzava o Nordeste com Crispiniano, na condição de líder sindical, e cantar os primeiros versos de Rosa, de Pixinguinha, que segundo ele integrava a trilha sonora de sua vida então.
Ele recebeu uma medalha e um diploma de acadêmico honorário. Bem à vontade, brincou segurando o microfone para o presidente da ABLC, Gonçalo Ferreira da Silva, falar. Antes, ouvira o discurso de Crispiniano, em forma de cordel, que o saudou: “Esse cara sem pose/ é ele o cara/ que é a cara da cara de milhões/ que não treme perante as opressões/ que jamais se dobrou à ditadura/ é dureza dosada com ternura/ é o vento que arrasta as multidões”.
O acadêmico, que foi do grupo fundador do PT e hoje ocupa o cargo de secretário de cultura do Rio Grande do Norte, lançou o livro “Lula na Literatura de Cordel”, com folhetos de artistas de vários Estados nordestinos. A platéia, que tinha cerca de 200 pessoas, em parte era formada por nordestinos. Um homem fantasiado de Lampião chamava a atenção; acabou chamado ao palco e abraçando Lula.
Participaram da cerimônia, realizada no Centro Cultural da Ação da Cidadania, o governador Sérgio Cabral, o compositor Gilberto Gil – “ministro de hoje, ontem e depois de amanhã”, nas palavras do presidente – e seu sucessor, Juca Ferreira, tratado já como titular do Ministério da Cultura. A noite acabou com Gil cantando Asa Branca, de Luiz Gonzaga. Em seguida, o palco foi tomado por repentistas, que improvisaram versos sobre a trajetória de Lula.
Participação do Leitor
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