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Nos EUA, avança a integração com modelo on-line

Raquel Balarin - Valor Econômico

As empresas jornalísticas americanas têm se rendido a uma transformação que até pouco tempo era um verdadeiro tabu entre jornalistas: a integração das redações do veículo impresso e do meio on-line. Apenas neste ano, três empresas anunciaram a medida, entre elas o “The Washington Post” e o “Miami Herald”, de acordo com levantamento apresentado ontem por Rosental Calmon Alves, diretor do Knight Center for Journalism in the Americas, da Universidade do Texas, no 7º Congresso Brasileiro de Jornais, realizado em São Paulo.

A tendência vai muito além da simples reunião dos dois grupos de jornalistas no mesmo espaço físico. “A internet, o jornalismo digital, não é um outro processo de acomodação, como a chegada do rádio e da TV. Desta vez, não se trata de uma simples evolução tecnológica”, diz Alves, ressaltando que a separação entre os meios impresso e digital, inclusive com a segregação das atividades em empresas separadas, foi um erro cometido por muitos veículos de comunicação, não apenas nos EUA, mas em todo o mundo. “Hoje, essa separação é uma discussão superada no mercado americano.”

Paralelamente à integração das redações vem ocorrendo um processo de redefinição dos cargos em empresas de comunicação e da própria maneira de apresentar o trabalho jornalístico. A ordem é integrar as várias plataformas multimídias, como as notícias online, vídeos, áudio e a área impressa. Neste novo modelo, ganha importância o treinamento dos jornalistas para as habilidades multimídia. “No Lance!, começamos há dois anos e meio um programa intensivo de formação, com cursos de textos de rádio e TV, fonoaudiologia, operações de equipamentos multimídia, entre outros”, diz Luiz Fernando Gomes, editor do Lance!, especializado em esportes.

Na discussão das novas tendências, tem sido cada vez mais abandonada a idéia de que a internet vai simplesmente matar o jornal no papel e torna-se mais relevante o conceito de integração entre as várias plataformas. “O jornal hoje é um híbrido, um mix inseparável de papel e internet”, diz Calmon Alves. Um bom exemplo apresentado no 7º Congresso Brasileiro de Jornais foi o do Globo Online, que tem usado as contribuições dos internautas na seção Eu-Repórter para complementar ou até mesmo pautar sua edição impressa. Aloy Jupiara, editor executivo de interatividade do portal, mostrou casos de fotografias feitas por internautas que foram parar na capa do jornal e o exemplo de uma matéria feita no impresso a partir de comentários enviados por leitores do site que concordaram em contar suas histórias sobre “a invasão de micos na selva urbana”.

A participação dos leitores é outra tendência da era digital. Para Calmon Alves, o jornal não pode ser mais um veículo de mão única, de versão unidirecional. No novo jornal da era digital prevalecem qualidades como a abertura à participação da comunidade, o uso de plataformas multimídia e o dinamismo das informações, características que não estão presentes no jornal impresso – que é entregue uma vez ao dia, com informações estáticas, que não podem ser alteradas e que não contam com a participação dos leitores. “A mídia perde poder e controle sobre as informações e os indivíduos em rede ganham poder e controle”, disse o professor.

Para Calmon Alves, os blogs – grande fenômeno de expressão das comunidades – devem ser vistos como aliados dos veículos de comunicação. Ao comentar uma notícia de um jornal e apresentar o link para que o internauta acesse esse conteúdo, os blogs têm contribuído fortemente para ampliar o tráfego dos portais de empresas de comunicação. Mas ele faz uma ressalva com relação à velha discussão sobre direitos autorais. Para o professor, o uso legítimo é aquele em que o blog publica um resumo ou um comentário sobre a notícia e apresenta o link. “Publicar a matéria inteira é ilegal e deve ser coibido”, explicou.

No mercado americano, outra discussão que parece ter sido superada é a de conteúdo totalmente fechado a assinantes em portais com notícias gerais. O New York Times, segundo Calmon Alves, não se arrependeu de ter aberto seu conteúdo. E como ganhar dinheiro nesse cenário? A grande aposta continua sendo a venda de espaços publicitários. Como se vê, o jornal da era digital ainda guarda alguma semelhança com o impresso.

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