Ministério da Cultura - MinC

sábado, 4 de julho de 2009
Enviar por e-mail

21 de agosto de 2008

Expansão dos pontos de cultura

Diario de Pernambuco - PE, Da Redação, 21/08/2008

Secretário de programas e políticas do MinC detalha ações e adianta dois novos editais, um deles unindo saúde e cultura

Um dos idealizadores do programa Cultura Viva e designado por Gilberto Gil para o cargo de Secretário de Programas e Políticas Culturais do Ministério da Cultura desde 2004, Célio Turino fala com exclusividade ao Diario. Detalha informações da nova fase dos pontos de cultura, com editais criados e gerenciados pelos estados. Sobre Pernambuco, elogia o empenho da Fundarpe para expansão do programa e a auto-articulação dos 36 pontos pernambucanos já existentes. Entre as novidades, nos adianta sobre dois novos editais que incrementam a política de cultura federal - herança da gestão Gilberto Gil e que, segundo ele, permanece como carro-chefe da pasta de cultura do governo Lula. Confira. (Aline Feitosa)

Entrevista - Célio Turino

“O caminho principal é o convênio descentralizado”

O programa Cultura Viva/ Pontos de Cultura continua sendo prioritário mesmo com a saída de Gilberto Gil do Ministério?

Sim, continua. Estamos aprofundando o trabalho e lançando os editais estaduais. Vamos avançando no processo de solidificação do Cultura Viva; dos pontos de cultura como política pública.

Quantos estados aderiram ao novo formato do Cultura Viva?

Quem não aderiu foram São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

Por que esses ficaram de fora?

O Rio Grande do Sul tem muitos problemas de governo. No Paraná, há problemas de inadimplência do estado e São Paulo porque não quis. A gente até tinha um recurso de R$ 12 milhões por ano para passar para São Paulo, mas o governo paulista não considerou relevante e nós redistribuímos para outros estados.

Ainda há muitos pontos de cultura conveniados diretamente ao MinC?

Em convênio direto, há aproximadamente 520, mais ou menos. Alguns já encerraram, ou estão para encerrar e outros encontram-se no meio do processo. Como também há alguns iniciando convênio.Estamos discutindo no planejamento estratégico a forma de regularizar essa situação. Mas precisamos resolver primeiro os editais estaduais, os novos. Os que já encerraram o convênio cumpriram seu plano de trabalho e prestaram contas. A gente vai apresentar uma proposta de renovação e continuidade.

Haverá outros convênios com o MinC, ou os convênio serão assinados apenas com os estados?

O caminho principal é o convênio descentralizado, com as redes estaduais e em alguns casos municipais. Porque há lugares em que o estado não entrou. Por exemplo: na Paraíba, Campina Grande vai lançar um edital específico para dez pontos. Isso porque o governo do estado está fazendo 20, então era muito pouco.

Então não tem mais edital saindo diretamente do MinC?

O MinC pode até lançar um edital, mas dirigido para lugares que não houve o convênio estadual. Por exemplo: São Paulo. Nós não vamos prejudicar a população de um estado se o governo não quis entrar. Nesse caso, a gente lança. Só que com uma desvantagem, já que acontrapartida do governo estadual não está sendo oferecida.

Pernambuco está adotando um formato que privilegia as manifestações e grupos tradicionais, com projetos de salvaguarda. Há algum outro estado que esteja fazendo esse tipo de edital?

Tem editais semelhantes e isso depende das especificidades culturais de cada lugar. Agora, a gente tem incentivado a idéia de que o programa deve ser voltado para cultura em geral e, na nossa opinião, é muito importante que também tenham projetos de arte contemporânea, de música de vanguarda, experimentações etc. Ainda mais em Pernambuco, terra do Manguebeat, que envolve todo um processo de integração. É importante a preservação, a salvaguarda, mas também é essencial a renovação e invenção. Há espaço para soluções estéticas e inovadoras.

Além da descentralização do programa, há outras novidades sobre os pontos de cultura?

Nós estamos com um edital na praça de cultura e saúde. São prêmios de R$ 15 mil não só para pontos de cultura, mas também para organizações da sociedade que desenvolvam algum trabalho de saúde com cultura. Por exemplo: temos o ponto Cais do Parto (Olinda - PE), com parteiras, direcionado ao parto humanizado. E estamos lançando, ainda este mês, dois outros editais. Um deles é uma central de intercâmbio, onde dois pontos, de estados diferentes, se reúnem, apresentam uma proposta de residência, de troca. Duas pessoas de um ponto vão para o outro e vice-versa. A gente vai selecionar 200 pontos de cultura da rede, em torno de cem propostas para desenvolverem essas residências, uma troca de experiências mais intensificada. O outro edital nós estamos lançando com a Funarte e só falta o acordo final com o departamento jurídico da Funarte. Sai ainda este mês. É de interações estéticas. É um edital no valor total de R$ 2 milhões e estou passando isso para você em primeira mão. Ele é voltado a artistas que desenvolvam trabalhos com um ponto de cultura e que resulte num produto cultural. Não é para a realização de uma oficina cultural, mas é para o processo de interação em todos os campos, como artes visuais, grafite, dança, música… São ao todo 65 prêmios que estamos lançando neste edital.

O senhor sempre falou sobre o objetivo do programa, que é a autonomia e sustentabilidade. Já é possível perceber isso?

Acho que sim. Principalmente a sustentabilidade da ação. Não a econômica propriamente dita, porque ainda é preciso muito mais tempo. Mas a dos pontos se empoderarem, se perceberem enquanto promotores de cultura e serem reconhecidos. Pernambuco é um bom exemplo. Acabamos de ter o encontro em Garanhuns (Casa PE, dos pontos de Cultura, durante o Festival de Inverno), em que o protagonismo foi essencialmente dos pontos de cultura, inclusive da proposição da rede dos pontos de cultura do Mercosul, além da construção de uma rede audiovisual dos pontos. Recentemente, Beth de Oxum (do Coco de Umbigada, Olinda), esteve em Cuba fazendo um filme (Pernancubanos, da TV Viva) e tudo isso é em decorrência do ponto de cultura. Essa é uma verdade que evidentemente vem sendo construída. É um processo muito longo, que ainda exige muito tempo para plantar e que a gente já começa a ver ganhos bem efetivos.


Participação do leitor

  1. (250 caracteres restantes)
  1. (250 caracteres restantes)

Últimos comentários

6 comentários para "Expansão dos pontos de cultura"

RSS dos comentários

  1. 22 de junho de 2009 às 17:48 Paulo Afonso dos Santos Filho

    Caro Secretário. Gostaria de informações sobre como caracterizar uma Associação de Amigos, num ponto de cultura na área do Música através do Canto Coral. Desde já agradeço a atenção.

    RESPOSTA, por Contate@Cultura: Confira se pode entrar em algum Edital Aberto, ou prepare-se para concorrer em Edital a ser lançado. Navegue pelo site do Programa Cultura Viva para se preparar. Boa Sorte!!


  2. 19 de dezembro de 2008 às 18:22 NEIDA ROCHA

    Como posso ter informações para criar um Ponto de Cultura em Canoas/RS?

    RESPOSTA, por Contate@Cultura: Espere o próximo Edital para seu estado. Prepare-se lendo o site do Programa Cultura Viva. Boa Sorte!!


  3. 14 de novembro de 2008 às 7:39 marcia

    Como a ONG de SP pode se inscrever e se tornar um ponto de cultura? Qual o procedimento?

    RESPOSTA, por Contate@Cultura: No momento não há edital para ponto de Cultura para SP. Mas você pode averiguar a possibilidade de inscrever a ONG no I Concurso Pontos de Leitura, que foi prorrogado até 24 de novembro, ou no Edital Prêmio de Ludicidade / Pontinhos de Cultura. Boa Sorte!


  4. 15 de outubro de 2008 às 17:07 Fernanda Paquelet

    Quais são os critérios para ser um Ponto de Cultura e disponibilizar oficinas técnicas para a Comunidade? Sou de Salvador e tenho especial interesse pela área técnica(cenografia, figurino, maquiagem, adereços, contra-regragem e etc). Obrigada!

    RESPOSTA, por Guilherme Barcellos: É preciso se inscrever em edital, mas no momento não está aberto para a Bahia. Quando abrir, publicaremos aqui e aqui - onde há mais informação sobre o Programa Cultura Viva.


  5. 29 de setembro de 2008 às 23:14 Liliam Vieira da Silva

    Estamos localizados na Bahia , e o município é Taperoá, quais os caminhos para que o município venha a aderir através de convênio ações que possam fortalecer a cultura popular local, muito rica como ZAMBIAPUNGA.

    RESPOSTA, por Guilherme Barcellos: Veja os editais com inscrições abertas, talvez vocês tenham algum projeto que se encaixe… ou apresente proposta para a Lei Rouanet, seguindo as orientações gerais. Boa Sorte!


  6. 09 de setembro de 2008 às 10:55 Wilson Tonon Lazarim

    Olá,
    Como funcionaria para uma oscip inserir um ponto de cultura num local onde foi realizado uma pesquisa documentada em video sobre a ausência deste tipo de espaço fisico na região?
    Há a necessidade deste agenciamento ou atravessamento pelo Estado?

    RESPOSTA, por Guilherme Barcellos: Pontos de Cultura podem ser criados por qualquer pessoa ou entidade, mas para receber apoio do Ministério da Cultura é preciso vencer edital. Atualmente não há nenhum edital aberto para novos pontos. Veja mais sobre o Programa Cultura Viva.






Ministério da Cultura - MinC utiliza WordPress. © 2007 Governo Federal

O conteúdo deste sítio é publicado sob uma Licença Creative Commons. Transparência Publica Voltar ao topo