Última parada: 174, de Bruno Barreto, representa o brasil na disputa de uma das cinco vagas à estatueta de filme estrangeiro
A comissão de seleção do Ministério da Cultura (MinC), destinada a eleger o representante brasileiro para disputar uma das cinco vagas à categoria do Oscar de melhor filme estrangeiro, optou pelo nome mais óbvio. Bruno Barreto, já indicado em 1998 por O que é isso companheiro?, será o candidato à façanha de conquistar a nomeação da Academia de Arte de Hollywood. Para isso, o cineasta de Dona Flor e seus dois maridos (um dos maiores sucessos de bilheteria do país e concorrente ao Globo de Ouro em 1979) apresenta a versão ficcional de uma tragédia brasileira já familiar aos norte-americanos. A do ônibus 174, que circulou, com desenvoltura, pelo circuito de arte dos Estados Unidos com o documentário de José Padilha.
O anúncio foi feito ontem, no Rio, pelo secretário do Audiovisual, Silvio Da-Rin. O júri que participou da seleção era formado por Alfredo Bertini, Cleber Eduardo, Silvia Rabello, Maria Dora Mourão, Giba Assis Brasil e Paulo Sérgio Almeida. Para entrar na pré-seleção de filmes que concorriam à vaga, Última parada: 174 foi lançado discretamente em uma sala de Jundiaí (SP), na última sexta-feira. A estratégia não é nova: no ano passado, Tropa de elite usou do mesmo expediente, mas ficou de fora da disputa. O longa de Bruno Barreto ficará em cartaz até a próxima sexta-feira, atendendo os requisitos do MinC. Para que a inscrição fosse aceita, a produção deveria ser lançada entre 1º de outubro de 2007 e 30 de setembro de 2008.
Última parada fez estréia mundial no Festival de Toronto, na semana passada, e será lançado no Brasil na abertura do Festival do Rio, no dia 25. Ainda sem data para circular pelos cinemas brasileiros, o longa-metragem teve os caminhos abertos, já que uma das melhores produções do ano, Linha de passe, não se inscreveu na disputa. Sem o peso de Walter Salles, a obra de Bruno Barreto passou a ser a favorita. Havia a aposta de Meu nome não é Johnny, do diretor Mauro Lima, alavancada muito mais pelo desempenho do público do que pela excelência do filme.
A versão ficcional de Bruno Barreto foi inspirada no documentário de José Padilha, mas segue narrativa oposta. Com roteiro de Bráulio Mantovani, Última parada: 174, rodado há um ano no Rio, privilegia a história de Sandro Nascimento (em vez da tragédia), partindo do encontro do menino (Michel Gomes) com a mãe adotiva, Mariza (Cris Vianna), que acreditava ter reencontrado o filho perdido. A trajetória de Sandro é desfiada até a morte, aos 22 anos. Um dos pontos altos é a reconstituição da chacina da Candelária, já que o menino foi um dos sobreviventes do ataque do esquadrão da morte.
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