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sexta-feira, 21 de novembro de 2008
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29 de setembro de 2008

Discurso do ministro da Cultura, Juca Ferreira, na cerimônia de abertura da XIII Reunião Ordinária RECAM - Reunião Especializada das Comunidades Audiovisuais do Mercosul

RIO DE JANEIRO, 29 DE SETEMBRO DE 2008

O secretário Silvio Da-Rin insistiu, em sua fala, no momento pelo qual passa o Mercosul. Toda esta discussão é feita em nome da necessidade de transformarmos o contexto do Mercosul, para além das relações comerciais e geopolíticas, em uma dimensão cultural e estratégica no âmbito do audiovisual e das políticas cinematográficas.

Nós estamos vivendo exatamente o momento de tentar ultrapassar o limite da declaração, da manifestação da intenção de cooperação, para definir um programa prático em cada uma dessas áreas . O esforço que os ministros da Cultura do Mercosul e as autoridades nessa área vêm fazendo é exatamente de possibilitar que a gente avance.

Essa é a segunda reunião na área de cooperação internacional que participo em uma semana. Isso é significativo, da parte brasileira, do interesse em fortalecer essa cooperação. A outra reunião era no âmbito da co-produção, considerado um território mais amplo, com a possibilidade da co-produção vir a ser uma dimensão importante das políticas cinematográficas e do audiovisual no Brasil.
A co-produção evidentemente não pode ser percebida apenas sob o ponto de vista de valores, do que custa e gera em termos de recursos, mas também como um mecanismo de fortalecimento da integração dos mercados audiovisuais e cinematográficos.

Então, a discussão anterior tem alguma relação com essa aqui na medida em que o Mercosul, para o governo brasileiro, é área de cooperação privilegiada e a orientação que a gente recebe do presidente Lula é dar toda a atenção no sentido de fortalecer a dimensão cultural do Mercosul.

E nesta primeira reunião do audiovisual sob a Presidência Pro Tempore Brasileira (PPTB) o elemento central foi dito aqui pelo nosso secretário [Silvio Da-Rin], que é o amadurecimento acelerado em que a RECAM se encontra. O Convênio com a União Européia chegou num momento inesperado, para mostrar a necessidade de fortalecimento da RECAM e colocar metas e prazos para propostas antigas.

Todos os países do Mercosul se envolveram e manifestaram suas opiniões, oferecendo acima de tudo suporte à realização do projeto, independente das assimetrias de que tanto falamos. A receptividade e interesse pela implementação do Convênio, ainda que tardia, acabou por disseminar a RECAM literalmente pelos quatro cantos do Mercosul. Temos que estar preparados para a execução deste compromisso, e não apenas fazendo cada um a sua parte, mas cooperando com as autoridades dos países vizinhos, garantindo a viabilização do projeto.

Esta ação se insere numa lógica muito mais ampla, de aproximação constante dos países do Mercosul, de integração internacional e de formação de um bloco econômico e cultural que possa fazer frente aos desafios e pressões constantes de todas as matizes. E isto requer continuidade, de uma Presidência Pro Tempore para outra.

Neste sentido, cabe lembrar a recente visita do Sr. Alí Mustafá, Diretor Nacional de Políticas Culturais e Relações Internacionais da Secretaria de Cultura da Nação Argentina ao Ministério da Cultura do Brasil, em fevereiro passado, consolidando a idéia de que as Presidências Pró-Tempore Argentina e Brasileira teriam um caráter de continuidade e integração, com vistas a concretizar os projetos acordados com o maior êxito possível. Dentre as prioridades realizadas cito rapidamente o cronograma do Mercosul Cultural e do Mercosul Educacional, a implantação do Selo Cultural e a Declaração Cultural do Mercosul, entre todo um calendário de ações, propostas e atividades a serem levadas a cabo de forma a mais integrada possível - incluindo naturalmente a RECAM.

Já conseguimos, através do programa DocTV Ibero-América, encontrar uma sistemática de co-produção e teledifusão de documentários a partir de um modelo em rede, finalizado em 2007 e com a participação de 13 países. O DocTV Ibero-América proporcionou uma aproximação dos institutos de cinema com as televisões, bem como uma articulação em rede no espaço geopolítico da Ibero-América.

Devemos trabalhar projetos desta envergadura a nível regional, no Mercosul, como este Encontro de Produtores - o segundo em apenas um ano - que ocorre com a participação de 44 produtores de toda a América do Sul, ou seja, o Mercosul e seus associados.

Urge também desenvolver a co-produção no âmbito do Mercosul. Todos os países, independente do tamanho de suas cinematografias, se beneficiam disto. À experiência argentina soma-se a dimensão da indústria audiovisual brasileira, mas também a experiência recente da Venezuela com a distribuição. Aliás, não podemos nunca deixar de priorizar esta questão, que poderia ser alvo de um Fundo comum aos países do Mercosul para que estas co-produções circulem para o nosso público. Todas as etapas do processo de elaboração de uma obra cinematográfica de cunho comercial devem também receber o apoio financeiro necessário à sua plena execução, independente da forma com que este apoio venha a se dar.

Precisamos fortalecer a cooperação acima de tudo soberana para que a nossa presença audiovisual no mundo chegue de forma sustentada.

Estamos apresentando agora dois projetos novos nesta Pro tempore brasleira.

O Programa AnimaSul é composto de ações de capacitação, co-produção, distribuição internacional e difusão em televisão pública de séries de animação. O projeto seguirá, em linhas gerais, o mesmo modelo de gestão desenvolvido nas quatro edições do programa DOCTV: instalação de uma instância de coordenação executiva e de uma unidade técnica para execução, implantação de um fundo financeiro e articulação de uma rede pública de teledifusão.

O outro projeto seria a cooperação entre cinematecas do Mercosul. Propomos o intercâmbio de conhecimento em ações de documentação, catalogação, preservação, restauração, digitalização, difusão e interface entre sistemas. No caso, a Cinemateca Brasileira recebe profissionais de cinematecas dos países do Mercosul para intercâmbio e, ao final do processo, promovemos um encontro dos técnicos visitantes com participantes do Sistema Brasileiro de Informações Audiovisuais, para aprofundamento de discussão sobre políticas de acervo. O encontro oferecerá a apresentação do projeto Banco de Conteúdos Audiovisuais Brasileiros, que está sendo desenvolvido pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura.

Temos vários desafios dentro da RECAM: implementar o Convênio com a União Européia, estruturar uma cooperação com projetos em comum, garantir a continuidade das ações, fortalecer a co-produção em todos os níveis do audiovisual… A lista é longa, o desafio é duro, mas é talvez o mais importante e o que melhor se insere nas prioridades da política externa brasileira.

Desejo a todos sucesso nesse trabalho.

Muito obrigado.


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