O acadêmico Eduardo Portella será o orador oficial da solenidade
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina hoje decreto que estabelece o cronograma para a vigência do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e orienta a sua implementação. A assinatura será às 15h, na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, durante sessão solene de celebração dos 100 anos de morte de Machado de Assis. O acadêmico Eduardo Portella será o orador oficial da solenidade.
O Acordo Ortográfico prevê 20 bases de mudanças na língua portuguesa, tais como o fim do trema, a supressão de consoantes mudas, novas regras para o emprego do hífen, inclusão das letras w, k e y ao idioma, além de novas regras de acentuação, em que palavras como “idéia” e “assembléia” perderão o acento agudo.
De acordo com o decreto, o acordo entrará em vigor a partir de janeiro de 2009, mas as duas normas ortográficas – a atual e a prevista no acordo – poderão ser usadas e aceitas como corretas nos exames escolares, vestibulares, concursos públicos e demais meios escritos até dezembro de 2012.
A novidade chegará aos livros didáticos em 2010, quando todos deverão ser editados de acordo com a nova ortografia, com exceção de reposições e complementações de programas em curso.
Grafia. A expectativa é que a reforma ortográfica amplie a cooperação internacional entre os países falantes da língua portuguesa ao estabelecer uma grafia oficial única do idioma. A medida também deve facilitar o processo de intercâmbio cultural e científico entre os países e ampliar a divulgação do idioma e da literatura em língua portuguesa.
O presidente da ABL, Cícero Sandroni, afirma que na solenidade de hoje Machado de Assis será duplamente exaltado. “De um lado, a Academia lhe rende a mais expressiva homenagem neste ano em que celebramos o centenário de sua morte com dezenas de realizações, entre as quais exposição sobre sua vida e obra já visitada por milhares de pessoas, na sua maioria estudantes. E de outro, a assinatura, pelo presidente Lula, dos decretos que promulgam o Acordo Ortográfico dos sete países lusófonos, ato que concretiza uma aspiração de Machado, no discurso de encerramento do ano acadêmico de 1897: “A Academia buscará ser a guardiã de nosso idioma, fundado em suas legítimas fontes – o povo e os escritores, todos os falantes de língua portuguesa”
Já confirmaram presença os ministros da Educação, Fernando Haddad, da Cultura, Juca Ferreira, e o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.
Histórico. Assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990, o acordo busca unificar o registro escrito nos oito países que falam português – Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Brasil e Portugal.
Em 1990, os presidentes dos sete países onde a língua portuguesa é idioma oficial (na época, o Timor-Leste ainda não havia declarado independência) assinaram um tratado ortográfico que passaria a vigorar em 1994 e foi ratificado pelo Brasil por meio do Decreto Legislativo nº 54, de 18 de abril de 1995.
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) foi criada em 1996 e, dois anos depois, foi assinado, em Praia, capital de Cabo Verde, o protocolo modificativo do acordo, que alterou sua data de vigência. O protocolo modificativo foi ratificado pelo Decreto Legislativo nº 120, de 12 de junho de 2002.
Em 2004, foi assinado novo protocolo modificativo que previa a adesão do Timor-Leste, após sua independência, em 2002, e a entrada em vigor do Acordo a partir de sua ratificação por pelo menos três dos estados signatários em 1990.
Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Portugal já incorporaram a reforma ortográfica a seu ordenamento jurídico. No caso do Brasil, para que a nova norma possa ter efeitos, além do decreto que organiza e determina a entrada em vigor da nova ortografia, serão assinados outros três decretos: um de promulgação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e dois para promulgar cada um dos dois protocolos modificativos.
Participação do Leitor
Espaço reservado exclusivamente para comentários acerca da matéria ou publicação veiculada nesta página. Solicitação de informações ou dúvidas devem ser encaminhadas por meio do Fale com o Ministério; reclamações ou denúncias devem ser dirigidas para Ouvidoria.