O tema central desta 14ª edição da Ordem do Mérito Cultural será a homenagem a Machado de Assis. A solenidade de condecoração será realizada no dia 7 de outubro, às 17h30, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com as presenças do presidente da República, Lula da Silva, e do ministro da Cultura, Juca Ferreira, que farão a entrega das insígnias.
Para assinalar o centenário da morte do jornalista, cronista, contista, romancista, poeta e teatrólogo Joaquim Maria de Machado de Assis (1839-1908) – reconhecido como um dos mais importantes autores de língua portuguesa – foi sancionada lei instituindo 2008 como o Ano Nacional Machado de Assis.
Além de romances, contos, crônicas, poesias e crítica literária, Machado de Assis exprimiu seu talento em peças teatrais. Por isso, o Ministério da Cultura estende a homenagem ao Teatro Brasileiro e a outros grandes nomes das artes cênicas do país: Artur Azevedo, também pelo centenário da sua morte; João Caetano, pelo bicentenário do nascimento; e Solano Trindade, Zbigniew Ziembinski e Dulcina de Moraes, pelo centenário do nascimento.
Aclamado como o pai do Teatro Brasileiro, o jornalista, poeta, contista e teatrólogo Artur Azevedo (1855-1908) era amigo de Machado de Assis e seu contemporâneo na Academia Brasileira de Letras, a qual foi um dos fundadores. Consolidador da comédia de costumes, foi um dos responsáveis pela criação do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e que, não por acaso, foi escolhido para sediar a solenidade da OMC 2008.
João Caetano dos Santos (1808-1863) é outra figura expressiva das artes cênicas no Brasil. Ator excepcional, ensaiador, encenador e empresário, publicou livros sobre a arte de representar, criou uma escola de arte dramática e uma premiação para o teatro nacional.
Em sua luta pela valorização da herança africana para a identidade cultural brasileira, o pesquisador, teatrólogo e pintor Francisco Solano Trindade (1908-1974) fundou o Centro de Cultura Afro-Brasileiro, o Teatro Experimental do Negro, o Teatro Folclórico e do Teatro Popular Brasileiro.
O ator e diretor polonês Zbigniew Marian Ziembinski (1908-1978) é considerado o primeiro encenador brasileiro. Sob sua direção, a peça Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, se tornou o marco do Teatro Brasileiro Moderno.
Além de atriz, diretora e produtora, Dulcina de Moraes (1908-1996) destacou-se como educadora. Foi a pioneira da profissionalização da carreira no país, criou a Fundação Brasileira de Teatro e a primeira faculdade de artes autorizada e reconhecida oficialmente. Em reconhecimento à sua contribuição às artes cênicas, lhe será outorgada in memoriam a condecoração da Ordem do Mérito Cultural.
Também serão condecorados nesta 14ª edição da OMC três grupos artísticos e outras cinco personalidades das artes cênicas e da dança brasileiras:
Centro Cultural Piollin - Desenvolve e promove a cultura no estado da Paraíba. Viabiliza projetos de difusão cultural e ações de inclusão social por meio de iniciativas pedagógicas. Idealizado por um grupo de atores que queriam desenvolver atividades de estudos e produção de teatro em João Pessoa, foi criado em 1977 e, transformou-se, desde então, em um núcleo de referência na difusão da cultura paraibana.
Eva Todor - Em sete décadas de carreira, a atriz Eva Todor tem construído personagens marcantes no teatro e em novelas, minisséries e seriados na TV. No cinema, apesar de poucos trabalhos, a sua participação no filme Os Dois Ladrões, de Carlos Manga, em 1960, em que contracena com Oscarito, é um marco no cinema brasileiro.
Giramundo Teatro de Bonecos - As produções teatrais e as atuações do grupo estendem-se também ao cinema, vídeo, televisão, escolas de marionetes, oficinas de construção de marionetes, exposições, cursos e formação de profissionais na área. Com a consolidação do eixo ‘teatro, museu, escola’, o grupo vinculou sua atuação à educação, à conceituação do Teatro de Bonecos e à formação de novos marionetistas.
Leonardo Villar - Ator com destacada atuação no Teatro, no Cinema e na Televisão brasileira. Formado na primeira turma da Escola de Arte Dramática, em São Paulo, alcançou reconhecimento da crítica especializada por suas memoráveis interpretações de alguns dos clássicos personagens da dramaturgia e em outros papéis marcantes. Dentre esses, o de protagonista da peça O Pagador de Promessas, que lhe rendeu diversas das premiações.
Nelson Triunfo - Dançarino, coreógrafo e educador social, é reconhecido como o pai do Hip Hop no Brasil. Também é um dos pioneiros dos trabalhos sociais com jovens periféricos, em parcerias com os governos Federal, estaduais e municipais, organizações sociais e comunidades. Atualmente, desenvolve oficinas culturais de Hip Hop nas escolas e centros culturais de Diadema, em São Paulo, dentre outras cidades.
Orlando Miranda - Empresário e produtor teatral, atualmente, suas principais atividades são a administração do seu Teatro Princesa Isabel, a presidência da Escolinha de Arte do Brasil, a presidência da Associação Cultural da Funarte e as consultorias prestadas à Sociedade Brasileira de Autores Teatrais e à Fundição de Arte e Progresso.
Quasar Cia de Dança - Uma companhia brasileira de dança contemporânea criada e sediada em Goiânia, tem o seu trabalho conhecido em vários países do mundo. Fundada em 1988 por Vera Bicalho e Henrique Rodovalho, promove a reflexão, pesquisa e discussão da arte contemporânea a partir das manifestações do corpo. Atualmente, realiza a montagem do espetáculo Por um instante de felicidade, em comemoração aos 20 anos de sucesso.
Teresa Aguiar - Uma das mais destacadas atrizes de teatro no Brasil. Começou na década de 50 no Teatro do Estudante de Campinas. Em 1967, transformou o TEC no primeiro grupo profissional do interior do Estado, o Rotunda. Teresa Aguiar também incursionou pelo cinema: foi responsável pela direção de atores de A Ilha do Terrível Rapaterra e dirigiu Topografia de um Desnudo.
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