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Encontro mapeia atuação de revistas culturais

O Estado de S. Paulo - SP, Livia Deodato, 5/11/2008

Críticos, jornalistas, poetas e produtores discutem, de hoje a sexta-feira, a relevância de publicações que não estão nas bancas

Em reuniões do programa Cultura e Pensamento realizadas no ano passado pelo Ministério da Cultura, constatou-se que era necessário e urgente criar um mecanismo que favorecesse a produção cultural independente.

O jornalista Antonio Martins, com outros membros dessa comissão, realizou intensa pesquisa e observou a existência de centenas de publicações destinadas a tratar sobre cultura em diversos pontos do País – e que dificilmente alcançam a esquina mais próxima de uma banca de jornal.

“Elas divergem bastante no que diz respeito à qualidade. Algumas já estão estabelecidas, outras são efêmeras e caminham em um circuito pequeno, mas todas representam grupos de universos distintos e relevantes e que não fazem idéia do que está sendo produzido ao seu redor”, diz o jornalista, editor do jornal online Le Monde Diplomatique Brasil desde sua criação, em 1999.

O primeiro passo, então, foi estabelecer a conexão entre alguns desses jornais e revistas, sejam eles impressos ou virtuais. Antonio frisa que esse, por enquanto, ainda é um levantamento inicial e, por isso, não teve a capacidade de abarcar ou ao menos mencionar todas as publicações existentes atualmente. A idéia é começar a tecer a rede que vai colocar todos em contato, fortalecê-la e assim buscarem apoios a fim de manter os projetos por um longo prazo sob um padrão de qualidade.

Entre os representantes ou colaboradores das publicações que participam do Encontro Nacional de Revistas Culturais Independentes, cuja realização acontece entre hoje e sexta-feira, estão Ademir Assunção (Revista Coyote, PR), Regis Bonvicino (Sibila, SP), Ana Maria Maia (Dois Pontos, PE), Adalberto Paranhos (ArtCultura, MG), Taísa Palhares (Número, SP), Oona Castro (OverMundo, RJ) e Cléber Eduardo (Cinética, SP).

Críticos das mais diversas áreas também marcam presença amanhã, das 14h30 às 17 horas, na mesa que pretende propor reflexões sobre o atual papel dessa profissão ingrata. Vilma Arêas, Rubens Machado, Irineu Franco Perpétuo e Glória Ferreira participam do debate que será mediado por Priscila Figueiredo, idealizadora do encontro ao lado de Martins.

Duas mesas do encontro estão destinadas ao debate sobre a internet. Com poucos recursos e sem quaisquer restrições, a rede que permite estreitar relações com o que quer que se deseje, onde quer ele esteja, será tema de um bate-papo entre Eugênio Bucci (jornalista, escritor e professor da ECA-USP) e Carlos Seabra (editor e produtor de conteúdos de multimídia e internet), com mediação de Antonio Martins. Um outro assunto, que será debatido sob o mesmo tema e que deve levantar certa polêmica, diz respeito à perspectiva em lidar com uma “ditadura de não-especialistas”, na sexta-feira, das 14h30 às 17 horas.

Como resultado desse encontro e para firmar o entrelaçamento entre as publicações, Martins adianta sobre a criação de um blog que está sendo desenvolvido, ainda sem nome. “O blog tem um caráter informal, mas já é um sinal de um trabalho inédito e interessante que visa estimular contato.”

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