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Transferência da direção da Funarte para Brasília não vai esvaziar o Rio, diz ministro da Cultura

Agência Brasil - DF, Vladimir Platonow, 17/11/2008

A direção administrativa da Fundação Nacional das Artes (Funarte) vai ser transferida para Brasília, informou hoje (17) o ministro da Cultura, Juca Ferreira.

Ele negou que o deslocamento de parte dos funcionários possa contribuir para o esvaziamento econômico e cultural do Rio de Janeiro, fenômeno que afetou a cidade desde a transferência da capital para Brasília, nos anos 60, e que contribuiu para a decadência do município nas décadas seguintes.

Juca Ferreira alegou que a transferência da cúpula da Funarte para Brasília visa agilizar o diálogo com o ministério, aproximando os gestores da entidade com o centro de poder. Ele participou da posse do novo presidente da fundação, o ator Sérgio Mamberti, no Palácio Gustavo Capanema.

“Isso não pode ser visto como um demérito para o Rio de Janeiro, que ganha se a Funarte for forte. E é isso que é preciso compreender. Não é a direção aqui, fazendo com que a Funarte só opere até o túnel, a saída para fortalecer o Rio de Janeiro. Uma Funarte forte, que tenha recursos, que opere com o Brasil inteiro, que tenha confiança de todos os artistas brasileiros. O Rio ganha com isso, pode ter certeza. A gente volta a conversar daqui a um ano e você vai ver”, disse o ministro.

Segundo ele, a transferência de parte da diretoria vai ser imediata, até porque o novo presidente já mora na capital federal.

Mamberti também negou que a transferência de parte da instituição representaria uma perda para os cariocas. “Não é que o Rio de Janeiro vai ganhar ou deixar de ganhar. É uma operação administrativa. A Funarte, em seus estatutos, está lotada no âmbito do Distrito Federal. É para que esteja efetivamente articulada com o sistema Minc [Ministério da Cultura]. Eu darei expediente aqui e lá”, disse Mamberti.

Mas para o deputado federal Chico Alencar (Psol-RJ), presente à cerimônia, a decisão de transferir parte da fundação para Brasília pode representar perdas para a cidade. O parlamentar considerou “frágil” o argumento do ministro de que haveria vantagens em aproximar a cúpula da Funarte do ministério.

“É um argumento frágil, mas sempre lembrado. Vamos ver na prática como as coisas se dão. Vai depender muito do que nós, aqui do Rio, produzirmos como iniciativa cultural. Nós temos aqui um prédio muito importante [Palácio Gustavo Capanema], que não pode ficar vazio e ocioso. Há esse risco de esvaziamento, mas temos que ocupar o espaço que nos cabe”, disse Alencar.

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