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Acesso e Economia da Cultura

Ministro da Cultura concedeu entrevista e falou sobre meia-entrada e carteiras estudantis falsificadas

Sérgio Mamberti e Juca Ferreira

Durante entrevista coletiva à imprensa na manhã desta sexta-feira, 21 de novembro, em Brasília, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o presidente da Fundação Nacional de Artes, Sérgio Mamberti, se pronunciaram sobre a questão do benefício da meia-entrada e o problema das carteiras estudantis falsas.

O tema, que vem mobilizando a opinião pública e os diversos segmentos envolvidos, tem afetado a Economia da Cultura e prejudicado a população por dificultar o acesso à fruição de atividades culturais, já que os produtores, para compensar os custos, elevam os preços dos ingressos ao público pagante.

“Isso vem inviabilizando a tal ponto que houve uma redução do mercado de espetáculos no Brasil devido ao alto custo”, afirmou o ministro Juca Ferreira. “Cada meia-entrada que deixa de ser paga por causa das carteiras falsas é transferida para o custo do bilhete [entrada inteira] e isso reduz o número de brasileiros que podem pagar esses preços, o que ocasiona a diminuição de apresentações pela falta de público.”

A Medida Provisória editada em 2001, que permitiu a emissão de carteiras de identificação estudantil pelas próprias instituições de ensino, possibilitou a perda do controle. O ministro da Cultura disse que, dentro desse cenário, muitas organizações foram criadas apenas para esse fim.

Coletiva à imprensa

“Portanto, há a necessidade de revogação dessa legislação, pois sem isso torna-se impossível qualquer tentativa de fiscalização”, defendeu Juca Ferreira, para quem essa incumbência deve ser privativa do Ministério da Educação, Secretarias de Educação, União Nacional de Estudantes e União Brasileira de Estudantes Secundaristas.

Por sua vez, o presidente da Funarte lembrou que o assunto em discussão ainda diz respeito ao direito à cota dos idosos. “Isso gera uma complexidade, pois essa cota é garantida pelo Estatuto do Idoso”, disse Sérgio Mamberti.

O ministro da Cultura também considerou que o problema afeta os estudantes no seu direito legítimo de ter acesso a eventos culturais. O MinC vem desenvolvendo uma ampla política de acessibilidade que garanta a todos os brasileiros o acesso às atividades artísticas e à cultura em geral, incluindo ações voltadas para a juventude.

“Esse derrame de carteiras falsas, essa crise da meia-entrada, tem dificultado muito o processo porque incide diretamente no custo da inteira, mas também eleva o preço da meia, prejudicando assim o acesso pela permissividade da continuidade dessa situação. Nesse sentido, mesmo não sendo uma questão administrativa da esfera do Ministério, sentimos a necessidade de nos posicionar.”

Juca Ferreira fala sobre a meia-entrada e as carteiras estudantis falsificadas

Para o ministro Juca Ferreira torna-se urgente que esse problema seja resolvido. Ele salientou que o lugar para sua resolução é o Congresso Nacional e que o MinC se posiciona a favor dessa discussão, já que esse é um espaço primordial de debate e a questão envolve muitos atores e direitos diversos como, por exemplo, o do acesso e o de produtores culturais. “Não haverá solução parcial que atenda a demanda de apenas um segmento e o processo de negociação é fundamental.”

Entre as propostas contidas no PLS nº 188/2007, Juca Ferreira destacou a que estabelece dias da semana para o benefício da meia-entrada e a que defende a fixação de cotas para cada espetáculo. Salientou, ainda, a proposta da UNE em confeccionar as carteiras de identificação estudantil na Casa da Moeda, como forma de dificultar a falsificação.

Para finalizar, o ministro da Cultura enfatizou que o MinC apoiará qualquer decisão que surja a partir do debate no Congresso Nacional. O Projeto de Lei que regulamenta a concessão dos ingressos com o desconto deverá ser votado na próxima semana pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal.

Leia, também, Nota de Esclarecimento.

(Texto: Marcos Agostinho)
(Fotos: Marcelo Lucena)
(Comunicação Social/MinC)

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2 comentários

  • Josimar Domingues

    4 de janeiro de 2009

    Nem metade dos estudantes detentores do direito a meia entrada o usam, como então explicar que o número crescente de emissões de ingressos de meia entrada (falsos) esta sobrecarregando as bilheterias a ponto de dar tal prejuizo ao mercado cultural?

  • Jéssica

    22 de novembro de 2008

    O direito à meia entrada é do estudante e isso não tem que ser discutido. Essa mudança vai privilegiar os empresários e infelizmente o Ministro da Cultura, ao que parece está a favor deles. O que é mais importante não é discutido, como ações culturais.
    Bebida é água
    Comida é pasto
    Você tem sede de que?
    Você tem fome de que?

    A gente não quer só comida,
    A gente quer comida, diversão e arte
    A gente não quer só comida,
    A gente quer saída para qualquer parte…