Com recursos da Funarte, cantores, compositores, músicos e grupos escolhidos vão produzir discos e fazer circuitos para divulgar o trabalho em sua própria região
Até o ano passado, os selecionados para o Projeto Pixinguinha se juntavam em caravanas e percorriam o país apresentando shows. Para a edição de 2009, haverá mudança significativa no conceito do evento. Com recursos da Funarte, cantores, compositores, músicos e grupos escolhidos vão produzir discos e fazer circuitos para divulgar o trabalho em sua própria região.
Nas reuniões ocorridas na primeira semana deste mês, comissões de seleção apreciaram quase 700 projetos originários de todas as regiões e concorrentes a bolsas de R$ 90 mil. Desses, 55 eram do Centro Oeste – Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso Sul. O DF teve o maior número de inscrições, 27.
Desses, foram escolhidos o do percussionista e compositor Amoy Ribas e o do contrabaixista Hamilton Pinheiro, do grupo de samba e choro Galinha Caipira Completa. São músicos que surgiram a partir do boom da música instrumental em Brasília, nos últimos anos.
Amoy já está em pré-produção do CD que começa a gravar no começo de 2009. “A exemplo do primeiro disco, este será totalmente autoral. A novidade é que algumas das 13 músicas terão letras, com a assinatura de Marku Ribas. As gravações começam em janeiro, no Zen Studio, com participação de Rafael dos Anjos (violão), Oswaldo Amorim (baixo), Bruno Medina (sax), Ademir Jr. (clarineta e sax) e Moysés Alves (trompete). Tambores de Apuama, Cavaca Silva e Café com canela são algumas das músicas.
O percussionista morou no Rio de Janeiro entre 2003 e 2007. De volta a Brasília, desenvolve trabalho solo e toca com outros instrumentistas. Desde o ano passado, é professor da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello. “Pelo que observei, houve grande valorização da música instrumental pela comissão que avaliou os projetos. Esse é um dado importante para nós”, comemora.
Quando seu segundo álbum gravado no Brasil ficar pronto, Amoy vai lançá-lo com shows nos teatros do Sesc em Taguatinga e Ceilândia, na Sala Martins Pena e no Centro Cultural Banco do Brasil. “Espero levar o trabalho também a outras cidades brasileiras.” Em viagem à Alemanha, este mês, o músico gravou um disco com o Ral Trio. O grupo tem ainda os alemães Lutz Häsner (sax) e Rainer Böhm (piano). “Quatro das músicas do repertório são minhas”, anuncia.
Sonoridade potente
Há um ano, Hamilton Pinheiro formou, com Márcio Marinho (cavaquinho), Rafael dos Anjos (violão de seis cordas) e Rafael dos Santos (bateria e percussão), o grupo Galinha Caipira Completa, que tem como proposta desenvolver uma sonoridade mais potente, inspirada no trabalho de Hamilton de Holanda. “Fizemos apresentações na Escola de Música, no Schlob e no Goiás Festival, em Goiânia. Depois nos concentramos na criação de arranjos para músicas do disco de estréia.”
Foi com surpresa que Hamilton soube da escolha do projeto. “Mesmo sendo um projeto bem realizado, poderia pesar o fato de termos menos de um ano de vida, embora os músicos já tivessem boa bagagem. Vamos caprichar na produção do disco, que deverá ser lançado até meados de 2009. Faremos shows para lançá-lo em escolas públicas de Taguatinga, Ceilândia e outras cidades do DF e no Plano Piloto”, adianta.
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