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Algumas impressões: Campus Party 2009

André Deak

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Um evento de tecnologia. Um espaço onde gente do mercado (publicitários, investidores, desenvolvedores e outros por aí) tenta fazer contatos e mapear possíveis “parcerias”. Uma competição barulhenta de video-games. Uma oficina de código para programadores. Um acampamento de férias da turminha do colegial classe média, misturado com um Acampamento da Juventude do Fórum Social Mundial. Uma lan-house gigante, com todo mundo no Orkut e no MSN ao mesmo tempo. Um oficina mecânica para computadores tunados. Um espaço para shows e para gente que cria música no PC. A turma do software livre. Lá no fundo, bem minoria mesmo – mas com destaque na imprensa, talvez porque aí esteja também a novidade -, um encontro de pensadores livres, de idéias progressistas e de gente que tenta construir redes éticas para mudar o mundo.

Depois de ter passado alguns dias no #CParty, a impressão principal foi essa: a de que, no fundo, é um encontro de fãs de tecnologia para computadores – seja software ou hardware -, e que são poucos ali os preocupados com os rumos dessas mesmas tecnologias. Corrijam-me se estiver errado.

Ouvi alguns dizerem que o Campus Party desse ano estava “mais voltado para o mercado, com as empresas tomando conta de tudo”, e menos “bicho-grilo geek”. Disseram que “a vibe do encontro estava diferente, mais pesada”. Ouvi chamarem de São Paulo Fashion Geek. Não estive em 2008, mas acredito. Lembro de alguns protestos bem humorados (essa história até se repetiu, mas já não era novidade). Dessa vez, fora o protesto contra o projeto do Azeredo (que também teve em 2008), soube de histórias bem deprimentes, como a expulsão de um grupo de música do palco, simplesmente porque não gostavam da música (atitude “nerdista”, meio nerd e meio nazista); e o roubo de notebooks, provavelmente incentivado por gente que fez um vídeo explicando como burlar a segurança.

Me parece também que, em geral, foram bons os encontros entre blogueiros, famosos ou não. Encontrar fisicamente aqueles que conheciam apenas virtualmente sempre é válido, fortalece laços criados na web. Desses encontros surgem projetos, idéias, amizades e outras redes. O contato pessoal ainda é imbatível na eficácia para troca de informações. Agora, quais informações? Essa é a questão.

Dahmer já dizia não acreditar em nenhuma revolução patrocinada por qualquer multinacional – ou algo mais ou menos assim. De fato, o Campus Party não me pareceu trazer nenhum grande avanço em nenhum sentido (comparando com as redes e as ações que se formam a partir do FSM ou do FISL, por exemplo). Talvez tenha gerado algumas idéias para alguém ganhar algum dinheiro, talvez alguns contatos que possam render emprego. E talvez, quem sabe,  lá num espaço qualquer, alguns dos encontros produzam conhecimento que sirva para melhorar o mundo um pouquinho. Sendo bem otimista.

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1 comentário

  • Thiago Marangon

    27 de janeiro de 2009

    Roubaram meu notebook e me deram uma m… de PC de mesa que nem abria 2 programas ao mesmo tempo. Me prometeram um note novo na quinta e depois falaram que não dariam nada até acabar a Campus Party, já entrei em contato e nem resposta obtive.