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Patrimônio com mais verba

Jornal do Commercio - PE, Myllena Valença, 26/01/2009

Iphan transforma a Feira de Caruaru em Pontão de Cultura e vai destinar ao local R$ 400 mil

Dois anos depois de conceder à feira de Caruaru o título de patrimônio cultural e imaterial brasileiro, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) dá inicio em fevereiro às ações de preservação do espaço. Um montante de quase R$ 400 mil foi disponibilizado pelo Ministério da Cultura (MinC) para que, junto à prefeitura, o Iphan promova atividades para conservação do local.

De acordo com Mabel Baptista, técnica do Iphan, o trabalho a ser implantado pelo instituto é denominado Pontão de Cultura, um instrumento de promoção de atividades destinado a bens registrados como patrimônio cultural. O objetivo é promover mecanismos de difusão da feira e a organização de ações que promovam troca de experiências com outros locais considerados Pontão de Cultura.

Feirantes estão sendo acionados desde 2007 pelos coordenadores do projeto para identificar suas necessidades, segundo Mabel. Após esse diagnóstico, estão previstos, para o início do plano, oficinas de artesanato e programas de formação de guias turísticos mirins, nos quais serão aproveitados estudantes da rede pública para atuarem na tradicional feira. Também estão previstas a promoção de mais um concurso de literatura de cordel – já no mês de março – uma nova edição da Feira de Guloseimas, a construção de um telecentro e de sala de áudio e vídeo, para o registro do dia-a-dia dos feirantes, além da divulgação do patrimônio.

Para abrigar os trabalhos, a Casa da Cultura de Caruaru José Conde, localizada na Feira, será reformada. “A casa possui rachaduras, pisos danificados e precisará de grandes intervenções”, adiantou José Pereira, presidente da Fundação de Cultura e Turismo de Caruaru. Pereira pretende, com a contrapartida da prefeitura (10% do valor total investido), criar um museu de arte popular, dando espaço aos brinquedos antigos e bem típicos da região vendidos até hoje no espaço.

Outra ideia do presidente é montar o Museu do Traje. “A história da feira está correlacionada com a Sulanca e isso vai ‘dar panos’ (possibilitar) para fazermos um rico museu, com peças de roupa que carregarão parte de nossa cultura”, idealiza Pereira. Ele pretende ainda destinar um espaço em frente à Casa de Cultura para a comercialização de comidas características da feira, a exemplo de caldo de cana, tapioca e rapadura.

Novos planos de ações serão trabalhados e mais recursos virão para viabilizá-los. “Este ano, vamos trabalhar a educação patrimonial com os feirantes através de palestras e cursos. Novos recursos virão para esse fim, independente do Pontão”, garante Mabel. Para a técnica, o trabalho será de longo prazo. “Não teremos resultados imediatos, é um processo de soma e melhorias graduais. Não vamos mudar a cara da feira, mas preservar e tentar amenizar suas dificuldades. Temos o compromisso de acompanhar esse bem por dez anos para que ele não corra o risco de perder o título de patrimônio brasileiro. O apoio da comunidade será fundamental”,frisa.

Números

A Feira de Caruaru situa-se no Parque 18 de Maio, onde também estão a Feira de Importados e da Sulanca (às terças-feiras) e as feiras do artesanato, livre, de ferragens, calçados e confecção (de segunda a sábado). Hoje, há cerca de sete mil barracas no local. Às terças, outros 16 mil bancos são fixados. Semanalmente são movimentados por seus comerciantes R$ 65 milhões. Participam de negociações 25 mil vendedores a cada semana e 80 mil compradores passam pelo centro de compras, a maioria das rgiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os números foram levantados em 2008 em pesquisa realizada pela administração da feira.

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