
No final do ano passado, a Google gerou alguns receios junto dos defensores do princípio da neutralidade da rede no mês passado quando o Wall Street Journal divulgou um artigo segundo o qual o gigante da Web tinha desistido da luta em favor de uma Internet livre ao propor aos principais ISPs norte-americanos um plano chamado OpenEdge de modo a obter um tratamento preferencial para os seus serviços.
Não demorou no entanto muito tempo para se descobrir que se tratava de mais um caso de jornalismo “profissional” desleixado. Não só o diário de referência fez uma leitura incorrecta das declarações do jurista Lawrence Lessig como também foi desmentido pela Google no blog da empresa. Na verdade, o OpenEdge apenas abrange a assinatura de acordos não exclusivos com as operadoras para a implementação de tecnologia de edge caching destinada a colocar alguns dos seus servidores nas suas infra-estruturas de rede de modo a proporcionar um acesso mais rápido e económico aos serviços da empresa.
E se dúvidas restassem quanto à dedicação da Google ao princípio de que os operadores de telecomunicações não devem discriminar os dados que circulam através da sua rede – independentemente do tipo de conteúdo, destino ou meio de distribuição, ontem a empresa dissipou boa parte delas com o lançamento do Measurement-Lab (M-Lab). O anúncio foi feito pelo próprio Vinton Cerf, um dos “pais” da Internet e Chief Internet Evangelist da companhia.
O M-Lab oferece de uma forma fácil e acessível a todos os internautas um conjunto de ferramentas que permitem saber se o seu fornecedor de banda larga lhe oferece uma ligação à Internet mais lenta do que aquela que é prometida e se anda a interferir com o tráfego de BitTorrent.
Uma das ferramentas que será sem dúvida mais do interesse dos partilhadores é a Glasnost, uma aplicação Web lançada no final de Março do ano passado pelo Instituto Max Planck para Sistemas de Software na Alemanha. Trata-se de um applet concebido em Java que permite saber se o nosso ISP bloqueia os torrents. Para tal, ele efectua o upload e download de dados via BitTorrent durante alguns segundos e compara a velocidade atingida com a nossa velocidade habitual de downloads. A partir daí, ele conclui se o operador limita todo o tráfego de BitTorrent ou se apenas restringe o tráfego de BitTorrent originário de algumas portas.
A Ferramenta de Diagnóstico de Rede permite que os utilizadores testem a sua velocidade de ligação e recebam um diagnóstico detalhado de todos os problemas que estão a limitar os seus downloads e uploads. Por fim, o Diagnóstico de Aplicação e Percurso de Rede detecta eventuais falhas relacionadas com a “última milha” que possam estar a afectar negativamente a nossa ligação.
Embora a iniciativa tenha o selo Google, ela partiu de um esforço conjunto entre o Open Technology Institute da New America Foundation e o Consórcio PlanetLab. Embora boa parte das ferramentas já existissem através da rede do PlanetLab, a ajuda da Google será bastante importante na medida em que o projecto necessitava de uma infra-estrutura tecnológica poderosa capaz de aguentar com o poder de processamento que estes testes da neutralidade da rede exigem.
Embora nesta fase inicial apenas três servidores da Google se encontrem exclusivamente disponíveis para o M-Lab, o objectivo é que até ao final do ano a empresa disponibilize 36 servidores em 12 locais espalhados pelos Estados Unidos e Europa. Mas a empresa está a convidar todas as entidades interessadas a alojar um servidor para o site. Para tal, basta apenas dispor de três servidores dedicados montados em modo rack cada um equipado com processadores quad-core e uma ligação à Internet bastante rápida. Todo o código utilizado nas ferramentas encontra-se livremente disponível e a Google promete que todos os dados experimentais recolhidos serão disponibilizados ao público.
Na calha está também o lançamento de dois novos produtos, DiffProbe e Nano, que darão ao internauta a possibilidade de saber se o seu ISP está a conceder prioridade a certos tipos de tráfego, aplicações ou utilizadores.
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