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É para colocar o cinema francês em dia

Jornal do Brasil - RJ, Carlos Helí de Almeida, 03/04/2009

Algumas iniciativas virão incrementar a dieta habitual de atividades já consagradas no calendário cinematográfico nacional

São quilômetros e quilômetros de película que, estendidos, dariam para cobrir facilmente a distância entre Paris e Rio. Cerca de 350 títulos, entre longas e curtas, alimentarão os eventos audiovisuais do Ano da França no Brasil, que será oficialmente aberto dia 21 com show de fogos de artifício na Lagoa Rodrigo de Freitas. O marco inaugural, que acontece antes disso, é a mostra Marguerite Duras: escrever imagens, com 15 filmes experimentais dirigidos pela escritora francesa, que a Caixa Cultural passa a abrigar a partir do dia 14. Mas o número de atrações chanceladas pela embaixada francesa no país já são 45, incluem seminários e convidados especiais, e podem aumentar até o fim da agenda, em novembro.

Algumas iniciativas virão incrementar a dieta habitual de atividades já consagradas no calendário cinematográfico nacional, como o Cine PE (abril), que traz Costa-Gavras para comemorar os 40 anos de Z (1969), o Anima Mundi (julho), o Festival do Rio (setembro), e a Mostra de São Paulo (outubro). A maior parte da agenda, no entanto, é composta por programas originais, como mostras itinerantes de diretores tão distintos quanto Jacques Tati (1907-1982), Jean Rouch (1917-2004) e Chris Marker, seminários e oficinas de co-produção. Trará também nomes como a atriz Isabelle Huppert, a ser homenageada com uma restrospectiva.

Anunciado em 2006, em reciprocidade ao Ano do Brasil na França, realizado no ano anterior, o programa francês não sofreu perdas significativas com a crise financeira mundial. O total de atividades, que inclui exposições, espetáculos de teatro, dança e encontros científicos e comerciais, está orçada em cerca de 15 milhões de euros, e a ser dividida entre empresas privadas patrocinadoras e os governos dos dois países.

- A crise fez a grade de projetos chancelados ficar cerca de 15% menor, o que é uma perda pequena se levarmos em consideração a profundidade e a abrangência dos estragos gerados pelas incertezas econômicas que atravessamos – avalia Brigitte Veyne, adida do audiovisual do consulado carioca.

Os projetos aprovados foram submetidos por produtores culturais brasileiros e franceses e avaliados segundo critérios de “pertinência temática, viabilidade e possibilidade de parceria entre os dois países”. Algumas ideias, claro, partiram das próprias entidades promotoras, como a mostra O mundo de Tati, que fica em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio entre os dias 28 de abril e 3 de maio e depois segue para o CCBB de São Paulo.

- A ideia da mostra do Tati veio da Brigitte. Estávamos fechando com a Cinemateca da Embaixada da França o ciclo de clássicos africanos restaurados, para a mostra que celebra os 50 anos do cinema naquele país, e ela nos disse: “Lá em Paris tem uma retrospectiva do Tati, com os longas em película e alguns curtas. Vocês teriam interesse em trazê-la para cá?” – conta Sidnei Pereira, coordenador do departamento de cinema e vídeo do CCBB.

- Conseguimos trazer todos os cinco longas e dois curtas dirigidos por ele, além de da primeira aparição do Tati na tela, em curta dos anos 30 dirigido por René Clément (1913-1996). Será um acontecimento porque mais comum ver por aqui Meu tio (1958) e As férias do Sr. Hulot (1953), mas acredito que esta será a primeira vez que o brasileiro verá todos longas dele em película, inclusive títulos pouco exibidos por aqui, como Trafic (1971) e Parade (1974) – diz Pereira.

Embora o foco da programação audiovisual do Ano da França no Brasil seja Rio e São Paulo, várias outras capitais, como Porto Alegre, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Recife e Manaus, e até cidades do interior dos estados receberão manifestações culturais francesas ao longo de 2009. Paraty, no litoral Sul do estado do Rio, e seus arredores, por exemplo, receberá em novembro o Cinebus, uma mostra de filmes franceses exibidas a céu aberto. Palmas (Tocantins) e Belém (Pará) servirão de paradas para um empreendimento batizado de Correspondência, que permitirá o diálogo entre jovens brasileiros e franceses por intermédio de cartas audiovisuais, feitas com a ajuda de celulares e internet. A partir do fim de abril, Manaus, Teresina e Goiânia, além do Rio, recebem a Cinemateca da Dança Nômade, que projetará trabalhos de videodança.

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