Brasil Acesso à Informação
quinta-feira, 24 de maio de 2012 RSS Ouvidoria Fale com o Ministério
« Voltar Imprimir

Juca Ferreira diz em debate que projeto da nova Lei Rouanet chega ao Congresso até o final deste mês

O Globo - SP, Márcia Abos, em 09/06/2009

SÃO PAULO – Na noite desta segunda-feira, o ministro da Cultura Juca Ferreira participou de um debate sobre a nova Lei Rouanet na Associação dos Advogados de São Paulo (AASP). Ferreira informou que o texto final do pré-projeto de lei para o financiamento da cultura já está sendo finalizado e deve ser apresentado ao Congresso Nacional até o final do mês de junho.

- Foram 18 anos de Lei Rouanet e neste período acumulamos distorções absurdas e não conseguimos criar um mecenato no Brasil. Só 10% dos recursos investidos em cultura são privados. Os 90% restantes são do Estado. Mecenato é quando a empresa mete a mão no próprio bolso. Não conseguimos criar na cultura uma parceria público-privada – disse Ferreira em seu discurso de abertura.

O ministro rebateu críticas sobre o suposto caráter dirigista da nova lei.

“Mecenato é quando a empresa mete a mão no próprio bolso”

- Na lei atual, quem dá dinheiro é o Estado e quem decide o que fazer é a iniciativa privada. É dinheiro público estimulando a exclusão. A cultura brasileira não cabe dentro da renúncia fiscal. Destestaria entrar para a história com a imagem de dirigista. Queremos, sim, um maior controle social sobre o estado para melhorar o uso do dinheiro público.
Juca Ferreira informou que os critérios que devem regulamentar a distribuição de recursos pela nova lei serão elaborados a partir de três premissas.
- Os critérios objetivos da nova lei serão elaborados a partir de três matrizes: contribuição para o desenvolvimento de linguagens, acessibilidade da população aos bens culturais e contribuição para o desenvolvimento da cultura.
O sociólogo Renato Ortiz, um dos debatedores da noite, elogiou os debates públicos promovidos pelo MinC para a criação da nova lei e definiu como interessante o Vale-Cultura.

“Dirigismo cultural por parte do Estado é hoje impossível. Quem ocupa esse espaço é a indústria cultural”

- O Vale-Cultura é uma idéia interessante em um mundo de excluídos e desigual como o Brasil – afirmou o sociólogo, que completou: – Dirigismo cultural por parte do Estado é hoje impossível. Quem ocupa esse espaço é a indústria cultural.
O debate esquentou com participações acaloradas do público presente, formado de artistas, produtores, estudantes e juristas, com as críticas de Cláudio Weber Abramo, representante da ONG Transparência Brasil, ao projeto de lei cultural.
Ele pediu a criação de indicadores de resultados para projetos contemplados pela nova lei.
- Um indicador óbvio de desempenho na esfera cultural é público. Sem indicadores não há avaliação inteligente de coisa alguma.
Abramo também recomendou maior controle, com auditorias externas para os projetos contemplados pelo benefício. Queixou-se da complexidade para se apresentar um projeto ao MinC, que normalmente requer um intermediário apenas para organizar a documentação e o projeto, que para isto cobra um percentual do benefício ao proponente.
- É preciso bolar sistemas para reduzir os custos de intermediação.
Estiveram também presentes à mesa o ministro Ubiratan Aguiar (presidente do Tribunal de Contas da União), o ministro da Educação Fernando Haddad, a professora da Faculdade de Educação da USP, Maria Victoria Benevides. O papel de mediador coube a Sergio Mamberti, presidente da Funarte.

“O MinC está promovento um programa de auditório e não um debate”

Estavam na plateia artistas como Ivaldo Bertazzo, Odilon Wagner, Ney Piacentini, da Cooperativa Paulista de Teatro, Pascoal da Conceição, Rosi Campos e representantes do Teatro Oficina, além do senador Eduardo Suplicy. Uma faixa sem autoria foi pendurada ao fundo e à esquerda da mesa de debates com os dizeres “Basta de privatização da Cultura”.
O debate, que começou por volta das 19h, se estendeu até às 23h. O público pôde fazer 13 perguntas, mas o que aconteceu na prática foi que muitos pegaram o microfone para apresentar opiniões. Um dos presentes, antes mesmo do início da rodada de perguntas, enfadado com as longas explanações dos participantes da mesa, gritou:
- Não estamos tendo chance de participar do debate. O MinC está promovento um programa de auditório e não um debate. Não temos sequer chance de corrigir informações erradas citadas pela mesa.

Compartilhe:
  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • MySpace
  • TwitThis
  • email
  • LinkedIn
Reproduzido conforme o original, com informações e opiniões de responsabilidade do veículo.

Participação do Leitor

Espaço reservado exclusivamente para comentários acerca da matéria ou publicação veiculada nesta página. Solicitação de informações ou dúvidas devem ser encaminhadas por meio do Fale com o Ministério; reclamações ou denúncias devem ser dirigidas para Ouvidoria.

*

max. 1000 caracteres


Regras para comentários:

1. Os comentários terão moderação desta Assessoria de Comunicação.

2. Comentários que fujam ao teor da matéria serão excluídos.

3. Ofensas e quaisquer outras formas de difamação não serão publicadas.

4. Não publicamos denúncias. Nestes casos, serão enviadas à Ouvidoria, que as encaminhará aos órgãos cabíveis.

5. A postagem de comentários com links de matérias não produzidas por este ministério será excluída.

6. Respostas a questionamentos e esclarecimentos exigem consulta, impedindo-nos, por vezes, retorno imediato.