sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012 RSS Ouvidoria Fale com o Ministério
« Voltar Imprimir

LITERATURA – Para que 73% passem a ler, 1% dos recursos

Correio Braziliense - DF, caderno Brasil, Rodrigo Couto, 02/07/2009

Fundo vai destinar pequeno percentual do mercado editorial para programas que incentivem a imensa maioria da população a adquirir o hábito da leitura. Reticentes, editoras culpam a crise

O baixo índice de leitura do brasileiro – em torno de 4,7 livros por habitante a cada ano -, considerado um grave problema para a formação de estudantes e profissionais, pode ser combatido com mais vigor em 2010. No ano que vem, deve ser aprovada a criação do Fundo Pró-Leitura, que vai destinar 1% (algo em torno de R$ 46 milhões) do faturamento do mercado editorial nacional ao incentivo da prática. Proposta pela cadeia produtiva do livro em dezembro 2004, quando o governo federal deixou de arrecadar 9% em tributos com a desoneração do pagamento do PIS/Cofins, a ideia se somará ao Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) e ao Programa Mais Cultura. Antes de bater o martelo na redação final do projeto que será apresentado à Câmara dos Deputados, Estado e empresários encomendaram estudos para avaliar os impactos da iniciativa.

Além do preocupante percentual de leitura no país, 73% da população não têm o hábito de frequentar uma biblioteca. “Com a criação do fundo, o Brasil só tem a ganhar”, diz Fabiano Piúba, diretor nacional de Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura. Aprovada pelo Congresso, a iniciativa vai aplicar recursos para projetos que não apenas incentivem a leitura, mas também a instalação de bibliotecas públicas.

Apesar de ter proposto a criação do fundo setorial há 5 anos, e de ser beneficiado com a isenção de impostos que totalizam cerca de R$ 160 milhões por ano, o setor vê com cautela a ideia. “Não estamos resistentes. Somos a favor da criação do fundo Pró-Leitura. Mas existe uma preocupação com o elo fraco da cadeia produtiva, que são os distribuidores e pequenos editores e livreiros. Para avaliar os impactos, o setor vai contratar um instituto que realizará um estudo econômico”, afirma Rosely Boschini, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL). De acordo com ela, a crise financeira não é uma desculpa, é real. “Enfrentamos dificuldades para acessar o crédito e há inadimplência.”

Histórias infantis

Sem biblioteca pública ou qualquer outro lugar estruturado destinado à leitura, o Areal, localidade vizinha de Águas Claras e Taguatinga, situada nos arredores de Brasília, poderia ser uma das regiões beneficiadas com a criação do fundo. Por enquanto, as quase 6,5 mil crianças, de um total de aproximadamente 18 mil habitantes do bairro, se viram como podem. Um dos locais preferidos pela garotada é o Núcleo Educavida, espaço que reúne o trabalho das organizações não governamentais Central Única das Favelas do Distrito Federal (Cufa), Educação em Foco e Educando para a Vida. “Aqui, crianças e adolescentes participam de aulas de dança, reforço escolar, educação profissional e sexual”, afirma o orientador Fernando Alves.

Localizado na principal avenida do Areal, o espaço dispõe de apenas 160 títulos para consultas e empréstimos, todos doados por um projeto do governo local.

Com apenas 8 anos, a pequena Luana Cavalcante, estudante da 1ª série do ensino fundamental, se diverte com as histórias infantis. Mais velha, Cláudia Santos, 15 anos, que cursa a 8ª série, frequenta o espaço para melhorar o rendimento escolar. “Gosto mais dos livros de ciências.” O local também é ponto de encontro das estudantes Nathália Santos, 10 anos, e Gleiciane Ramos, 11 anos, ambas da 4ª série. “Seria muito bom se tivéssemos mais livros para melhorar ainda mais nossos estudos”, afirma a pequena Gleiciane.

Compartilhe:
  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • MySpace
  • TwitThis
  • email
  • LinkedIn
Reproduzido conforme o original, com informações e opiniões de responsabilidade do veículo.

Participação do Leitor

Espaço reservado exclusivamente para comentários acerca da matéria ou publicação veiculada nesta página. Solicitação de informações ou dúvidas devem ser encaminhadas por meio do Fale com o Ministério; reclamações ou denúncias devem ser dirigidas para Ouvidoria.

*

max. 1000 caracteres


Regras para comentários:

1. Os comentários terão moderação desta Assessoria de Comunicação.

2. Comentários que fujam ao teor da matéria serão excluídos.

3. Ofensas e quaisquer outras formas de difamação não serão publicadas.

4. Não publicamos denúncias. Nestes casos, serão enviadas à Ouvidoria, que as encaminhará aos órgãos cabíveis.

5. A postagem de comentários com links de matérias não produzidas por este ministério será excluída.

6. Respostas a questionamentos e esclarecimentos exigem consulta, impedindo-nos, por vezes, retorno imediato.