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Um mercado latente a se desenvolver

Diário Catarinense, 2/7/2009

Secretário do Audiovisual do MinC fala sobre o cinema infanto-juvenil

O Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura (MinC), Silvio Da-Rin, esteve na Capital catarinense, no último final de semana. Ele participou do 5º Encontro Nacional do Cinema Infantil, parte da programação da 8ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Em entrevista, ele falou sobre a possibilidade do governo federal criar uma linha de crédito voltada para a produção infanto-juvenil. Da-Rin também abordou a perspectiva de cooperação entre Brasil e outros países, e a criação de um canal de televisão do MinC, que deverá inaugurar em 2010.

A 8º Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis segue até 12 de julho no Teatro Governador Pedro Ivo. Durante este período há exibição de filmes gratuitas, nos dias úteis, para escolas agendadas; e sessões abertas, aos finais de semana, ao custo de R$ 2. O evento promove ainda várias atividades paralelas como Oficina de Sombra Chinesa (4 e 5 de julho); pré-estreia nacional do longa A Casa Verde, de Paulo Nascimento; lançamento do livro A Menina Flor e o Boto, de Dira Paes (5 de julho); palestra do cineasta francês Michel Ocelot (10 de julho); shows infantis No Dorso do Rinoceronte (5 de julho) e O Melhor do Palavra Cantada (12 de julho).

Há perspectiva do fundo setorial do audiovisual criar uma linha de financiamento ou de cotas específicas para a produção de cinema infanto-juvenil?

Silvio Da-Rin - O fundo setorial do audiovisual lançou em dezembro do ano passado as quatro primeiras diretrizes, mas são genéricas. São duas linhas voltadas para a produção, uma para cinema e outra para TV, e duas voltadas para a distribuição – uma de filmes ainda em desenvolvimento (aquisição de direitos de distribuição) e a outra de distribuição convencional. Mas estas linhas, por exemplo a da produção de cinema (R$ 15 milhões), ou para a TV (R$ 7 milhões), não distinguem gêneros e formatos. Não existe uma linha pensada até este momento para a produção de cinema infantil, mas nós acreditamos que nossos colegas do comitê gestor serão sensíveis a uma proposta que levaremos e que estamos dispostos a defender numa próxima reunião.

Há possibilidade de fortalecer acordos com a Escandinávia e Holanda para a coprodução de cinema infantil, já que estes países se destacam na produção para este segmento?

Da-Rin - Quanto a um possível acordo bilateral do Brasil com países nórdicos, isso depende de um entendimento com as autoridades cinematográficas e audiovisuais daqueles países. Nós acreditamos que seria muito oportuno, uma vez que eles têm destacadas políticas públicas para a produção de cinema infantil e infanto-juvenil. Nós estamos cada vez mais percebendo que esse é um mercado latente, que está precisando ser desenvolvido no Brasil. Acreditamos que uma relação mais estreita com países como Noruega, Dinamarca, Suécia e mesmo Holanda poderia contribuir neste sentido com a troca de experiências.

O governo federal continua com o acordo bilaterial com o Canadá para o audiovisual?

Da-Rin - O acordo com o Canadá, original, primeiro acordo, feito em meados dos anos 1980, teve dois focos: a animação e o aperfeiçoamento do som para o cinema brasileiro. A retomada do acordo, em março de 2006, tem esbarrado em alguma mudança do foco do National Film Board do Canadá. A instituição mudou bastante, está primordialmente voltada para as novas mídias, e é muito provável que só possamos renovar o acordo dentro deste escopo mais restrito. Mas nós estamos insistindo para manter a animação porque o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, foi estruturado e organizado no momento da assinatura do primeiro acordo.

O Ministério da Cultura tem travado acordos com o Ministério da Educação em relação ao projeto de lei do senador Cristovam Buarque, que sugere a obrigatoriedade do uso da produção audiovisual brasileira dentro da sala de aula?

Da-Rin - Estamos muito sintonizados com isso. O Ministério da Cultura e o Ministério da Educação têm uma ampla interface a ser explorada no âmbito do programa Mais Cultura, que faz parte da agenda social do governo e é parte do Programa de Aceleração do Crescimento. Além disso, o MinC tem desenvolvido uma aproximação muito grande com o Ministério da Ciência e Tecnologia. Recentemente, os ministros Juca Ferreira e Sérgio Machado Resende assinaram um termo de parceria que envolve um conjunto de ações. A principal e a primeira é o Banco de Conteúdos Audiovisuais Brasileiros. Além disso, no plano Mais Cultura, o Ministério do Desenvolvimento Social e o Ministério do Desenvolvimento Agrário têm sido importantes parceiros, sobretudo na criação dos cines Mais Cultura, uma rede de 1,5 mil a 2 mil cinemas com projeção digital, com base em DVDs e que estão sendo criados com prioridade para os municípios brasileiros que ainda não têm salas de cinema ou que não têm mais salas de cinema. Nós sabemos que os cinemas estão muito concentrados no Brasil. Menos de 8% das cidades brasileiras têm salas de cinema, de modo que o objetivo dos cines Mais Cultura é levar conteúdos brasileiros de produção independente, como os conteúdos que fazem parte dos DVDs da Programadora Brasil para estes municípios.

A novidade que o senhor apresentou no 5º Encontro do Cinema Infantil é a criação de canal de televisão do MinC para o próximo ano. Já tem nome esse canal?

Da-Rin - Nós não temos ainda esta definição. Estamos trabalhando no conceito e na missão institucional do canal. Vamos começar a desenvolver propostas de grades de programação e é preciso que o ministro Juca Ferreira se posicione com relação a diversos temas antes que nós possamos revelar detalhes sobre o canal. Em julho de 2006, um decreto do presidente da república deu ao poder público federal a prerrogativa de criar quatro canais de televisão. Nós nos integramos às discussões e estamos nos preparando para dentro de um ano apresentar à sociedade uma programação de televisão do MinC com uma personalidade, uma fisionomia própria, um diferencial para os telespectadores.

diario.com.br

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