O que você faria se ganhasse R$ 50 para gastar com cultura? O Vida & Arte Cultura perguntou a dois trabalhadores, enquadrados nos limites do projeto de lei. a seguir, as impressões e as possibidades reais do novo programa do MinC
“O projeto é bom porque vai propiciar a muitas pessoas uma ida ao cinema ou ao teatro e, para quem gosta de ler, comprar um bom livro”. Essa é a avaliação do porteiro Laudenir Linhares, convidado para responder à seguinte pergunta: “O que você faria se recebesse o Vale Cultura mensalmente?”. Após lhe entregar o valor do benefício, R$ 50, e explicar como funciona o novo projeto do Ministério da Cultura (MinC), a reportagem do O POVO acompanhou suas compras para saber como ele aproveitaria este crédito.
Por ser ainda um projeto de lei, a proposta do Governo federal de financiar o consumo de bens culturais é pouco conhecida de uma forma geral. O porteiro Laudenir, no entanto, garante que tinha ouvido falar alguma coisa sobre o assunto pela televisão e gostou. “Para muitos que não têm condições, esse dinheiro é bem aceito. É uma boa iniciativa,”, avalia. Então, já se dirigia a uma livraria. Aliás, logo que foi convidado pela equipe do O POVO, ele se empolgou com a possibilidade de aumentar sua biblioteca. “Gosto muito de ler. Nem sempre compro por causa das condições, mas estou sempre pegando algum emprestado”, disse, confessando, em seguida, que é fã de livros de autoajuda.
Após comprar dois livros, Laudenir programou ainda uma sessão de cinema. “É raro eu ir ao cinema, basicamente por causa do preço”, destacou. Também não é costume dele visitar outros equipamentos culturais, como o Centro Dragão do Mar, por exemplo. No entanto, ele considera como maior vantagem deste projeto a oportunidade que ele teria de realizar seu sonho que é ir ao teatro.
Quem também sonha em um dia conhecer um teatro é Lúcia Sousa. Atualmente trabalhando como doméstica, ela torce para que este benefício seja estendido e facilitado para os trabalhadores da sua categoria. “Achei a ideia maravilhosa. Espero que dê certo”, diz ela, que teve como primeira opção para gastar seu “Vale Cultura” uma loja de discos. “Eu queria comprar os CDs originais, para não comprar os piratas”, reforçou. Sua segunda opção foi, também, ir ao cinema. A opção: o filme Harry Potter e o Enigma do Príncipe.
Essa foi a segunda vez que ela foi ao cinema. “Já fui ao Dragão (do Mar) algumas vezes, mas nunca entrei no cinema e no teatro”. Totalmente a favor do Vale Cultura, Lucia espera que esta oportunidade aconteça para poder assistir aos shows de Chico Buarque e Zeca Pagodinho -seus ídolos, como Fábio Jr. e o rei Roberto Carlos – e poder comprar mais livros. Duas histórias, muitos desafios. (Marcos Sampaio)
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