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Manifesto

Ministro da Cultura recebe de artistas e intelectuais documento em defesa da exposição pública de obras de arte

Um grupo de artistas, curadores e intelectuais entregaram um manifesto ao ministro da Cultura, Juca Ferreira, na última quinta-feira, 6 de agosto, na sede do Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro. Com 23 assinaturas – incluindo nomes como Ferreira Gullar, Carlos Zílio e Paulo Sérgio Duarte -, o documento reivindica medidas do governo frente a um problema corrente no mundo das artes visuais: as dificuldades impostas pelos herdeiros de artistas para a exposição das obras de arte ou sua reprodução em livros e catálogos.

A dificuldade sobre a falta de limites com que herdeiros de artistas tratam a questão dos direitos de autor e de imagem das obras de seus parentes é antiga, mas foi um fato recente que motivou o grupo a se manifestar. “Fizemos recentemente uma exposição sobre Alfredo Volpi e, apenas pelo direito de reproduzir suas obras no catálogo, o advogado do pintor nos cobrou R$150 mil, o que inviabilizaria o catálogo e a própria exposição”, conta Flávio Pinheiro, superintendente executivo do Instituto Moreira Salles. Pinheiro se refere ao catálogo da mostra Volpi: As Dimensões da Cor.

Também presente na reunião, a arquiteta e professora da PUC-Rio, Ana Luiza Flores, conta que há casos em que herdeiros chegam a cobrar pelos direitos de reprodução das obras em dissertação de mestrado. “Há famílias que exigem autorização por escrito para apresentação de teses e dissertações em universidades e, como se não bastasse, o direito à leitura prévia das pesquisas”.

Tanto a Constituição Federal (1988), como a Lei de Direito Autoral Brasileira (Lei n.º 9.610, de 19 de fevereiro de 1998) estabelecem que cabe ao autor e, depois de sua morte, aos seus herdeiros, os direitos de utilização de suas obras. São os direitos patrimoniais, assegurados aos herdeiros por 70 anos após o falecimento do artista. Há outros casos conhecidos no setor, envolvendo herdeiros de artistas como Lygia Clark e Hélio Oiticica, também mencionados pelo grupo. “São pessoas que, se estivessem em vida, certamente gostariam de ver suas obras expostas”, diz Rodrigo Naves, crítico de arte.

Para o advogado Eugênio Pacelli, dificuldades como essas impedem o cumprimento social da obra. “Ainda que haja os direitos do autor, há também os direitos à educação e cultura”, diz. O arquiteto Otávio Leonídio completa: “Obras de arte são criadas para serem vistas. Não existe uma história da arte se as obras ficam invisíveis”.

Ministro Juca Ferreira e Flávio Pinheiro

Para o ministro Juca Ferreira, o Ministério da Cultura é sensível às críticas do manifesto. “Ancorada em uma formulação legal indevida, impede-se que a arte cumpra a sua função social”, disse o ministro que vai consultar a Advocacia Geral da União (AGU) para estudar as possíveis soluções para essa situação. Também será criado um grupo de trabalho, envolvendo o MinC e integrantes do manifesto, para a discussão de propostas. O ministro estava acompanhado do secretário de Políticas Culturais, José Luiz Herencia, e do coordenador geral de Direito Autoral da SPC/MinC, Marcos Alves Souza, que coordenarão o GT.

Após a reunião com os artistas e pensadores, o ministro visitou as instalações do Instituto Moreira Salles e apreciou a mostra fotográfica de Robert Polidori.

Sobre o Manifesto

“A idéia de que o legítimo direito de remuneração pode preceder o dever da exibição e divulgação pública da obra de arte é inadmissível. O empenho por parte de alguns herdeiros, motivado por demanda comercial desmedida ou impertinente, em obstruir a exibição pública de obra de arte de artista desaparecido não é apenas absurdo, é imoral”, trecho do manifesto.

O documento conta com as assinaturas de Abílio Guerra, Agnaldo Farias, Ana Luiza Nobre, Carlos Zílio, Cecília Cotrim, Fernando Cocchiarale, Ferreira Gullar, Glória Ferreira, Guilherme Wisnik, João Masao Kamita, Ligia Canongia, Luiz Camillo Osorio, Otavio Leonídio, Paulo Sergio Duarte, Paulo Venâncio Filho, Renato Anelli, Roberto Conduru, Rodrigo Naves, Ronaldo Brito, Sophia Telles, Suely Rolnik, Tadeu Chiarelli.

Leia a íntegra do Manifesto.

(Nanan Catalão, Comunicação Social/MinC)

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42 comentários

  • Katia Maria Nunes Damasceno

    22 de maio de 2012

    Concordo com o manifesto. Pois a arte que faz parte do patrimonio social são criações que devem ser apreciadas por todos.

  • Luciana A R Petrecca

    21 de maio de 2012

    É estranho as pessoas pensarem assim só em vantagens, lucros.Imagino que o próprio artistra sentiria orgulho em ver suas obras divulgadas, conhecidas pelo mundo afora.Porém, por outro lado imagino que os familiares devam ter alguns direitos, mas também, não precisam exagerar, né?

  • Luciana A R Petrecca

    21 de maio de 2012

    É uma pena as pessoas pensarem tão pequeno, e verem só vantagens, lucros.Imagino que o próprio artistra sentiria orgulho em ver suas obras divulgadas, conhecidas pelo mundo afora.

  • Juselene S.OLiveira

    19 de maio de 2012

    JUSELENE SILVA
    O manifesto do arquiteto é legitimo arte pertence a humanidade ,deveriamos ter no Brasil uma lei que limita-se os abusos por partes dos herdeiros .

  • Gláucia Oliveira Cruz

    15 de maio de 2012

    A Arte faz parte do patrimômio social cultural da humanidade.Este manifesto ressalta a lógica de que a arte é a expressão do homem e sendo assim, cabe que mesmo se o autor da obra esteja morto, sua obra viverá por séculos e séculos… Não cabe a ninguém tirar o privilégio de conhecer e saber de outros saberes que foram expressos por meio da arte. Concordo também que a família não seja prejudicada física e financeiramente.

  • patricia

    13 de maio de 2012

    CREIO SER DA MÁXIMA IMPORTÂNCIA, ESTE MOVIMENTO JÁ QUE A ARTE NÃO É UNICA E EXCLUSIVA DE NINGUEM! DEVE SER CONSIDERADA UM PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE. ENTRETANTO O ARTISTA DEVE SIM SER RECOMPENSADO POR SUA DEDICAÇÃO E EMPENHO NA EXECUSSÃO DO QUE PRA MUITOS É UM OFÍCIO. O QUE NÃO SE DEVE HAVER É EXPLORAÇÃO POR NENHUMA DAS PARTES. SUGIRO UM VALOR FIXO A TODO E QUALQUER ARTISTA, OU FAMILIARES, EM TROCA DE SUAS OBRAS DE ARTE. ASSIM NÃO HAVERÁ DESIGUALDADE.

  • odani Benedita Lona Alves Nascimento

    7 de maio de 2012

    Realmente colega , se há herdeiros eles precisam reivindicar o que lhes é por direito. Também a união de todos os envolvidos é fundamental para resolverem suas reivindicações.

  • lucilaine da silva

    6 de maio de 2012

    O manifesto é uma maneira das pessoas dizerem o que pensam, sua satisfação ou insatisfação, acgo que foi válido, pois todos tem o direito de apreciar arte.

  • Verônica C. Silva Sousa

    5 de maio de 2012

    Herdeiros cobram verdadeiras fortunas só para expor um obra de arte. Para ter acesso à obra de arte em exposição ( fazer uma visitação ao museu) às vezes pagamos um absurdo. Dessa forma o País vai continuar nas trevas em relação à cultura e a arte. que bom que houve esse manifesto, só gostaria de saber se houve resultado.

  • Renata Lima Duraes

    30 de abril de 2012

    O Manifesto é uma maneira das pessoas expressarem o que acham e pensam , concordo piamente com as considerações do arquiteto Otávio Leonídio “As obras de arte são criadas para serem homenageadas,apreciadas,questionadas; não existe uma história; e arte se as obras ficam ocultas”. Sendo assim observo que a cultura em nosso país é muito privativa e cara, os valores poderiam ser mais acessível, para que todos pudessem ter acesso pois a cultura faz parte da nossa vida e nós dela,dessa forma ambas tem que ser valorizada…Renata Lima Durães

  • ADRIANA PALMEIRA DOS SANTOS GOES SILVA

    25 de abril de 2012

    Muito importante este manifesto pois a arte quando esta expost num mueu faz parte do patrimonio social, onde todos podem e devem apreciar e refetir sobre a obra, e tudo isso sem fins lucrativos.

    Ass: ADRIANA PALMEIRA DOS SANTOS GOMES SILVA.

  • monica milani

    18 de abril de 2012

    Acho muito válido o manifesto pois percebo que o interesse dos herdeiros e seus representantes é puramente financeiro sempre querendo tirar proveito de alguma situação. É aí que vem a afirmação: ‘ganha-se mais depois de morto”.

  • ana paula heringer

    17 de abril de 2012

    Toda obra deve ser vista e apreciada por todos, independente da classe social e do tipo de público e a manifestação é super válida , pois mostra a insatisfação com a arte no Brasil

  • ercilia

    16 de abril de 2012

    Digo tem que ser divulgadas e expostas ao público em geral tanto para o público do senso com quanto para os conhecedores de técnicas

  • ISAURA

    15 de abril de 2012

    Muito bom que houve esse manifesto com relação a um assunto que algumas pessoas acham sem valor.Uma obra de arte e o artista que a produziu, devem ser respeitado, pois além de cultura, marca uma época, conta uma história muitas das vezes e em tudo isso há também um valor sentimental da parte de pintot, artista e ninguém tem direito de mesnospreza isso!Esse manifesto veio em muito boa hora, parabéns para os cabeças desta ação!

    • EDLAINE ELLER

      22 de abril de 2012

      A arte deve em si deve ser considerada patrimônio da humanidade, o artista produz para expor suas ideias ao mundo e não para guardá-las pra si. Por mais que seja digno o artista tirar seu sustento de sua arte, não se justifica restringir o ascesso a ela. Pois o dever primordial da arte é a representação social.

  • ercilia

    13 de abril de 2012

    Estou de acordo com o manifesto,obras são criações, que ser divulgadasexpostas ao público em geral.A final é dessas obras que pesquisadores estudam técnicas e os artistas crião outras.
    Ercília Moreira da Silva

  • Elissandra Pinheiro Cardoso Muzel

    13 de abril de 2012

    O manifesto apresentado ao Ministro da Cultura, senhor Juca Ferreira foi muito importante para a história da Arte no Brasil, que ultimamente, não tem sido valorizada como deveria ser, assim sendo, faz-se necessario apresentar propostas inovadoras para que o ministro da cultura reveja a importancia da cultura em nosso país.

  • Karina Pedroso

    13 de abril de 2012

    Com certeza que o manifesto é de suma importância para a expansão Cultural hoje, pois, as pessoas não cultivam a cultura, a arte é vida, é reviver, é simplesmente expandir sentimentos, emoções, sensibilidades. Ao elaborar uma obra artística o autor transmite algo além do comum, ou seja, o autor vive arte em si.

  • Odani Benedita Lona Alves Nascimento

    11 de abril de 2012

    Boa noite a todos!
    Concordo plenamente com o manifesto,pois o público em geral tem o direito de ver e apreciar arte, por isso elas são criadas. O artista vive a arte; o dinheiro é importante ,mas o fundamental para ele é o amor no que faz. e a satisfação de mostrar sua arte.
    Abraços! Odani Lona

    • Elissandra Pinheiro Cardoso Muzel

      13 de abril de 2012

      Boa Tarde! Acho sua colocação muito coerente, pois, o artista vive a arte, e por incrivel não é valorizado como deve ser. Infelizmente, os artistas não saõ valorizados emj nosso país. Por isso que o manisfeto foi muito significativo.

  • Isabel Virginia

    8 de abril de 2012

    Concordo com minha colega
    O Manifesto é uma maneira das pessoas expressarem o que pensam , concordo plenamente com as palavras do arquiteto Otávio Leonídio “Obras de arte são criadas para serem vistas. Não existe uma história da arte se as obras ficam invisíveis”. Gostaria de fazer uma observação a respeito da cultura em nosso país é muito cara, o preço poderia ser mais acessível, para que todos pudessem ter acesso.

    • Isaura da Silva Seraphim

      15 de abril de 2012

      É verdade Isabel!
      Se as obras de arte tivessem um valor mais acessível seria muito bom para o artista e também para quem adquirir essas obras!Mas por outro lado, os materiais teriam que ser mais em conta também!Porque não é só a obra em si que é cara e sim também os materiais que o artista utiliza, na minha opinião teria que mudar muita coisa para a expansão dessa arte no Brasil.

  • Isabel Virginia

    6 de abril de 2012

    Estou de acordo com o manifesto pois as obras devem ser divulgada e apreciada pelo público em geral.

  • játia

    4 de abril de 2012

    é claro que essas atitudes ferem diretamente o direito ao acesso à cultura.É óbvio que todos os artistas faziam arte pela arte e não pelo dinheiro, portanto tudo isso é um enorme absurdo.
    Espero que haja uma maneira de se resolver isso, de modo a beneficiar todos nós enquanto cidadãos.

  • KÁTIA

    3 de abril de 2012

    É claro que essas atitudes ferem diretamente o direito ao acesso à cultura.É óbvio que todos os artistas faziam arte pela arte e não pelo dinheiro, portanto tudo isso é um enorme absurdo.Espero que haja uma maneira de se resolver isso, de modo a beneficiar todos nós enquanto cidadãos.

  • Lilian G. S Rodrigues

    3 de abril de 2012

    Boa Noite a todos!
    Estou de pleno acordo com o manifesto,toda obra deve ser divulgada e apreciada pelo público.

  • Cleide Fontebasso Silvano

    28 de março de 2012

    Cleide Fontebasso
    Concordo com o manifesto, toda a abra deve ser apreciada, este manifesto deixa claro a necessidade do acesso a cultura.

  • Adriana

    11 de março de 2012

    Achei legal, pois essas obras tem um grande valor cultural e educacional pois e com elas que nossos alunos podem apreciar a maneira que cada artista representava sua epoca e seus manifestos com suas obras.

    • Karina Pedroso

      13 de abril de 2012

      Concordo pois a arte deve ser vista com importancia, pois, reflete em varios contextos soicais. Infelizmente existem pessoas que não apreciam a arte com o devido valor que merece.

  • Juliana Dias dos Anjos

    3 de março de 2012

    Concordo com o manifesto , isto digo em nome de todos os apreciadores de Arte.A sociedade deve conhecer e apreciar as obras de artistas já vividos, e a cultura que ali está inserida. Quanto aos herdeiros em fazer reproduções, acredito que é um direito deles e que jamais deveria passar pela anti-ética do advogado citado, cobrando um valor exorbitante, somente para dificultar a exposição de seus antepassados.

  • Andreia do Carmo Moreira

    22 de fevereiro de 2012

    Achei de suma importância os herdeiros se juntarem para reivindicar as autoridades cabíveis uma solução para este problema. Pois eles estão lutando pelos os direitos que lhes pertence e defendendo a sua cultura.

  • Cássia Mariana Bastel monteiro

    13 de março de 2011

    Concordo com o manifesto, pois o artista indepentedente da arte deve ser preservado e respeitado de acordo com o seus direitos. É importante ter um equipe responsável que regulamente essas leis fazendo com que elas prevaleçam, mantendo a integridade do artista.

  • solange Cristina Coriliano Santos

    12 de março de 2011

    Foi de extrema importância este manifesto,pois ele é a prova de que não se pode deixar morrer ao esquecimento obras tão distintas.Temos direito à educação e a cultura,e os herdeiros estão cumprindo sua parte para preservar e divulgar nosso patrimônio de modo que todos nos saibamos da relevância e status que isso pode proporcionar.

  • Adriana Carlos

    18 de fevereiro de 2011

    Muito interessante a ideia do manifesto, pois resgata os interesses sociais da obra que deve ser apreciada por todos e coloca em questão os interesses particulares que dificultam a exposição das obras

  • Kely Evangelista

    15 de setembro de 2010

    Concordo com a fala do advogado Eugênio Pacelli, dificuldades como essas impedem o cumprimento social da obra. “Ainda que haja os direitos do autor, há também os direitos à educação e cultura”.

  • Polyanne

    13 de setembro de 2010

    Adorei e idéia do manifesto, quando que um aritista cria algo para remuneração?Acredito que desenvolvem a arte por satisfação pessoal e beseados no que acreditam e o manifesto articula muito bem a posição que defende: lutar pela posição do manifesto

  • Valquiria Maria Felippe Barreiros

    29 de agosto de 2010

    Gostaria de mais informações sobre este manifesto.
    Grata, Valquiria Maria Felippe Barreiros
    valbarreiros@yahoo.com.br

  • Manifesto sobre a herança artística « Blogosférico Cultural

    12 de agosto de 2009

    [...] http://www.cultura.gov.br/site/2009/08/10/manifesto/   Deixe um comentário [...]

  • Eduardo Ribeiro

    10 de agosto de 2009

    Poderia haver um limite. Por exemplo: para festas com até 200 pessoas ser livre. Para 201 a 500 um valor menor e para números superiores, outro…

    • LEILA AGUIAR DE LIMA

      1 de março de 2012

      O Manifesto é uma maneira das pessoas expressarem o que pensam , concordo plenamente com as palavras do arquiteto Otávio Leonídio “Obras de arte são criadas para serem vistas. Não existe uma história da arte se as obras ficam invisíveis”. Gostaria de fazer uma observação a respeito da cultura em nosso país é muito cara, o preço poderia ser mais acessível, para que todos pudessem ter acesso.

  • Eduardo Ribeiro

    10 de agosto de 2009

    Ótima a idéia do Manifesto. Também deveria ser revista a Lei de direito autoral quanto ao ECAD e direito para execussão pública de músicas. Quando compramos o livro temos direito de o ler em qualquer lugar. O CD não.