Para quem vai ao Rio de Janeiro ou para quem mora na cidade, uma ótima opção é visitar a exposição A Revolta da Chibata – o jornalista e o marinheiro, organizada pela Fundação Biblioteca Nacional (BN), vinculada ao Ministério da Cultura. A mostra fica em cartaz até 10 de novembro e a entrada é franca.
O trabalho foi criado para comemorar os 50 anos de lançamento do livro A Revolta da Chibata, escrito pelo escritor e jornalista cearense Edmar Morel (1912-1989), que pela primeira vez retratou a vida do marinheiro negro e filho de escravos João Cândido Felisberto (1880-1969), líder, em 1910, de uma rebelião que teve o objetivo de acabar com os castigos corporais contra os marujos na Marinha de Guerra brasileira. Apelidado de “Almirante Negro”, inspirou a música Mestre-Sala dos Mares, de João Bosco e Aldir Blanc, composta na década de 1970, interpretada por Elis Regina.
Segundo o historiador e professor Marco Morel, neto de Edmar Morel, naquela época, os marinheiros, formados em sua maioria por pardos e negros, ainda apanhavam de chibata, mesmo depois da assinatura da Lei Áurea, em 1888, que pôs fim à escravidão no Brasil.
Muitas foram as tentativas pacíficas de acabar com a violência, mas nenhum sucesso foi obtido. Então os marujos se organizaram, e no dia 22 de novembro de 1910, sob a liderança de João Cândido, tomaram os principais navios de guerra da Marinha e apontaram os canhões para a cidade do Rio de Janeiro e para o palácio de governo, exigindo o fim dos castigos. O movimento foi vitorioso.
Curiosidades - De acordo com Marco Morel, uma das curiosidades dessa história é que tanto o autor do livro quanto o personagem principal foram perseguidos por seus feitos. Após a vitória do movimento, o gaúcho João Cândido foi preso por um tempo, sofreu torturas e foi expulso da Marinha. Morreu aos 89 anos, pobre, trabalhando na Praça XV, no Rio de Janeiro. Edmar Morel tornou-se um dos mais famosos jornalistas brasileiros, mas depois da publicação do livro, sofreu perseguições e foi impedido de ser repórter com o advento do golpe de 1964.
Para redigir o livro, Edmar reuniu uma série de documentos oficiais, jornais, publicações e também entrevistou várias testemunhas, inclusive João Cândido, de quem se tornou amigo. O material pesquisado pelo jornalista está guardado na BN e serviu de base para a exposição.
A mostra está montada no terceiro andar da Fundação Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h.
Leia também: Mostra – A Revolta da Chibata – o jornalista e o marinheiro.
(Texto: Gláucia Ribeiro Lira, Comunicação Social/MinC)
(Fonte: Ascom FBN/MinC)

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