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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
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23 de outubro de 2009

Vivaleitura 2009

Ministro Juca Ferreira participou da solenidade de premiação, em São Paulo

Projetos de Mato Grosso, Pernambuco e Minas Gerais vencem a quarta edição do Prêmio

A cerimônia de entrega do Prêmio Vivaleitura 2009 aconteceu na noite dessa quinta-feira, 22 de outubro, no Museu da Língua Portuguesa, Estação da Luz, em São Paulo.

Na abertura da solenidade, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, falou da importância da formação de leitores no Brasil e destacou o objetivo do projeto, que é tornar o Brasil um país de leitores, e o papel da escola nessa ação.

Também citou a importância das bibliotecas como grandes centros culturais em evolução, bastante ativos, além de enfatizar a relevância dos Pontos de Leitura. Para o ministro Juca Ferreira, o brasileiro ainda lê muito pouco, cerca de 1,7 livro per capita/ano. “O livro e a leitura precisam ser melhor apresentados nas escolas para que não sejam considerados pelos alunos uma tarefa árdua e chata”, disse.

Uma iniciativa da sociedade como o Prêmio Vivaleitura, segundo o ministro da Cultura, é uma demonstração de que o livro faz parte da contemporaneidade, “não é uma ferramenta superada diante das novas tecnologias”. Ele atribuiu à família, à escola e às bibliotecas a tarefa de aumentar o número de leitores, creditando um peso maior às escolas.

“Desde o início, nós incorporamos o Vivaleitura como uma proposta da sociedade civil, de outras instituições, mas que o ministério tinha de abraçar, pela importância, pelo mérito e pela metodologia. Premiar as iniciativas da sociedade que contribuem  para divulgar o livro e a leitura é importantíssimo, porque através dessas ações a gente tem conseguido levar a várias partes do Brasil, em geral, lugares  em que a leitura é muito baixa, o incentivo, o despertar da leitura e uma relação mais íntima com o livro”, concluiu.

Também participaram da solenidade Silvana Meireles, secretária de Articulação Institucional do MinC e coordenadora executiva do Programa Mais Cultura; Fabiano dos Santos Piuba, diretor de Livro, Leitura e Literatura da SAI/MinC; Álvaro Marchesi, secretário geral da Organização Ibero-Americana para a Educação, Ciência e Cultura (OEI); José Castilho, secretário do Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL); André Lázaro, secretário de Educação Continuada do Ministério da Educação; e Andrés Cardo, da Fundação Santillana no Brasil, patrocinadora exclusiva do Vivaleitura desde a sua primeira edição, em 2006.

Quinze projetos finalistas concorreram à premiação nas categorias Bibliotecas Públicas e Privadas, Escolas Públicas e Privadas e Instituições e/ou Pessoas Físicas. Em cada uma, os contemplados receberam o prêmio de R$ 30 mil. Conheça os vencedores:

Bibliotecas Públicas e Privadas

O projeto vencedor foi O Caminho da Leitura, de Campinápolis (MT). A iniciativa combate o analfabetismo entre os indígenas da região através de uma biblioteca que professores e caciques construíram dentro da aldeia Xavante “Semente Viva”. Os primeiros 200 livros do acervo foram doados pelo projeto “Expedição Vagalume”, que também ajudou na formação de mediadores de leitura. No início, cerca de 260 crianças e 80 adultos usufruíam do acervo. Hoje, a biblioteca consegue atender, além da Semente Viva, mais outras seis aldeias da região. O índio Ciro José Sahairo, responsável pelo trabalho, recebeu o prêmio na cerimônia e declarou que o direito à educação é de todos os brasileiros. Com o valor recebido do Vivaleitura, prometeu construir um galpão para abrigar um acervo ainda maior.

Escolas Públicas e Privadas

O projeto vencedor foi o trabalho Flis - Festival Literário do Sertão, de Sertânia, município do interior de Pernambuco situado no sertão de Moxotó, área que representa um dos índices mais baixos de IDH do estado. O festival é realizado pela escola pública, Olavo Bilac, para valorizar a produção literária local e a identidade cultural da região. Em suas duas primeiras edições, o Festival promoveu atividades como saraus, palestras, leitura de contos, poesias e encenações sobre autores e artistas locais. Mais de duas mil pessoas, entre alunos, professores, pais e responsáveis já foram beneficiadas pelo projeto. Segundo o professor de português e literatura da escola, Josessandro Batista de Andrade, que também é o idealizador do Flis, os resultados são visíveis: “desde 2007 registramos um aumento contínuo no número de livros retirados em empréstimo na biblioteca da escola, os alunos criaram um jornal de poesia, chamado “O Nascer do Poeta”, com obras próprias e dos professores, e com o apoio de comerciantes locais realizamos encontros de autores e poetas da região”, diz. Segundo o professor, o próximo Flis acontecerá no mês que vem, entre os dias 15 e 17, sob o tema “Os 60 anos da escola Olavo Bilac - uma usina de talentos”.

Instituições e/ou Pessoas Físicas

O trabalho Poesia Viva - A Poesia Bate à sua Porta, de Mariana (MG) venceu na terceira categoria do prêmio. Idealizado pela artista plástica, Andréia Aparecida Silva Donadon Leal, o projeto bate de porta em porta, nas casas, estabelecimentos comerciais e escolas da cidade e municípios vizinhos, para ler contos, romances e poesias às pessoas. A iniciativa conta com o trabalho voluntário dos poetas da Associação Aldrava Cultural que, além de visitarem as casas, distribuem gratuitamente o jornal da associação e livros aos habitantes. A idéia do projeto é estimular o hábito da leitura no lar e usar a literatura como elo de afetividade entre as famílias. “Acredito que é na família que começa o gosto pela leitura, e é lá que ele também precisa ser cultivado”, disse Andréia. Com a verba do prêmio, Andréia pretende publicar as obras dos poetas da associação e ampliar o acervo de livros que é distribuído pelo projeto. Atualmente, o “Poesia Viva” acontece em Mariana, Ouro Preto, Santa Bárbara, Belo Horizonte e Ipatinga.

Menção Honrosa - O Prêmio ainda concedeu menções honrosas para os seguintes projetos - Flipinha, da Associação Casa Azul, de Paraty (RJ); programa Carro Biblioteca, da Escola de Ciências da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG; programa Prazer em Ler, do Instituto C&A (SP); Parada Cultural -Biblioteca Popular 24h, da ONG Projetos Culturais T-Bone (DF); e programa Arca das Letras, da Secretaria de Ordenamento Agrário do Ministério do Desenvolvimento Agrário (DF).

(Fotos: Marcos Ferreira-MDM)


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