Durante coletiva à imprensa realizada nesta sexta-feira, 30 de outubro, no Rio de Janeiro, o secretário executivo do Ministério da Cultura, Alfredo Manevy, anunciou dados atualizados sobre a recuperação do acervo. A totalidade dos Metaesquemas e dos trabalhos do Grupo Frente está salva. Mais de 70% da obra do artista plástico Hélio Oiticica poderá ser preservada.
Exatamente duas semanas após o incêndio que destruiu parte das obras do artista plástico Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro, o Ministério da Cultura divulga balanço preliminar do trabalho de restauração coordenado pelo Instituto Brasileiro de Museus: mais de 70% do acervo poderá ser preservado. Cerca de 2.200 itens foram salvos, incluindo todos os Metaesquemas (246 desenhos) e os 139 trabalhos do Grupo Frente – movimento neoconcretista liderado pelo artista carioca Ivan Serpa, do qual Lygia Clark fez parte, entre outros. Quatro Bólides foram recuperados e outros poderão ser restaurados.
A boa notícia foi anunciada nesta sexta-feira, 30 de outubro, durante coletiva à imprensa realizada no Rio de Janeiro, no mesmo local onde as obras estão sendo tratadas. Além do secretário executivo do MinC, Alfredo Manevy, participaram da entrevista o secretário de Políticas Culturais, José Luiz Herencia, e os coordenadores do Projeto Hélio Oiticica, César Oiticica e César Oiticica Filho.
Manevy ressaltou a agilidade do MinC e do Ibram em recuperar grande parte das obras em menos de 15 dias da tragédia. “Apesar da fatalidade, o incêndio trouxe à tona o debate sobre a conservação dos acervos brasileiros. Nosso propósito é ampliar as políticas de conservação dos acervos”, enfatizou. “A criação do Ibram [autarquia vinculada ao ministério], no ano passado, nos permite potencializar o trabalho nessa área”, concluiu.
“Agora estou mais animado por causa do trabalho de restauração”, afirmou César Oiticica, referindo-se a sua declaração inicial de que 90% do acervo havia sido perdido no incêndio. Segundo ele, o que mais o impressionou foi a mobilização do Governo Federal. “Na manhã seguinte ao incêndio cinco técnicos do Ibram/MinC já estavam aqui”, destacou.
Emocionado, César declarou que “se tivesse perdido o acervo, seria pior do que perder o irmão pela segunda vez”. Do total da obra de Hélio Oiticica, 90% estava na casa atingida pelo incêndio. Os outros 10% estão em museus. O secretário José Luiz Herencia elogiou a família Oiticica: “É um exemplo de conservação do acervo, muito próxima do ideal”.
Muitos documentos manuscritos que estavam na reserva técnica do Projeto Hélio Oiticica foram chamuscados ou encharcados durante o incêndio. Acondicionadas em sacos plásticos, as pilhas de papéis (cadernos, documentos e outros) foram submetidas a um congelamento rápido, a cerca de -30ºC.
Também foram utilizadas seis secadoras especiais na recuperação de outras obras sobre papel, documentos e fotografias. Os equipamentos foram disponibilizados pelo Museu da República, Museu Nacional de Belas Artes, Escola de Artes Visuais do Parque Lage e pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
As obras retiradas das secadoras, como os Metaesquemas, foram empilhadas entre folhas de papel mata-borrão em estantes metálicas, consideradas mais adequadas por possibilitarem melhor acesso, ventilação e visualização do material.
O Museu Casa de Benjamin Constant emprestou um termo-higrômetro para viabilizar o controle ambiental, garantindo as condições necessárias de secagem das obras. O museólogo Antonio Carlo dos Santos Oliveira, especialista em controle ambiental, verificou as condições de umidade e temperatura da sala de trabalho.
Outros especialistas também se colocaram à disposição para colaborar na recuperação do acervo, como os técnicos do Arquivo Nacional (Casa Civil) e as restauradoras Claudia Nunes e Ana Elisa Frazão, que já trabalharam no Projeto Oiticica.
Incêndio – Por volta das 22h30 do dia 16 de outubro, no Rio de Janeiro, ocorreu um incêndio que destruiu parte das obras de Hélio Oiticica (1937-1980). No dia seguinte, sábado, atendendo à solicitação do MinC, o Ibram enviou uma equipe técnica para prestar solidariedade e verificar as medidas de apoio necessárias. Segundo a família, a suspeita é que o incêndio tenha começado devido ao curto-circuito de um desumidificador de ar. A obra é mantida por parentes do artista plástico, em uma casa no Jardim Botânico.
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