Karina Nappi
SÃO PAULO – O Brasil é o maior destino tecnológico da América Latina da empresa Dassault System, afirmou o vice-presidente da empresa, Marcelo Lemos. De acordo com ele, os negócios entre o Brasil e a companhia acontecem há 10 anos e crescem em média 20% ao ano. “Quando falamos de negócios entre a Dassault e o Brasil, os empresários pensam no setor aeronáutico, mas nossos sistemas tecnológicos abrangem diversos setores, dentre eles o setor automobilístico, calçadista e têxtil”, explicou o vice-presidente.
O executivo afirmou ainda que a expectativa da empresa francesa é de elevar o comércio com empresas brasileiras no longo prazo, a ponto de transformar o Brasil em um dos cinco maiores parceiros comerciais.
Segundo o presidente da Câmara de Comércio França Brasil, Louis Bazire, o objetivo traçado no início do ano de mobilizar mil empresas francesas para o mercado brasileiro será atingido até o final do próximo mês.
“O Brasil hoje é um país prioritário para as autoridades e empresas francesas, sendo o principal parceiro comercial na América Latina. O País contribui com 35,8% dos fluxos comerciais da região, à frente do México (14,3%), Chile (11,4%) e Argentina (8,7%). Com o encerramento oficial das operações econômicas do Ano da França no Brasil, teremos rodadas de negócios entre 65 empresas e pólos de competitividade franceses e mais de 300 empresas brasileiras”.
Hoje, há mais de 400 filiais de empresas francesas no Brasil e a presença é considerada relativamente equilibrada entre os setores da economia, pois 17,3% delas estão em nichos como aeronáutica, espaço, tecnologia da informação, comunicação e eletrônica; 13,9% ocupam o segmento de bens de consumo, 12,6% atuam na construção de obras públicas, transportes, engenharia e meio ambiente, enquanto 10,6% das companhias pertencem à área financeira e jurídica.
Contudo, os setores industriais brasileiros não são competitivos o suficiente para exportarem produtos com maior valor agregado. A informação é do diretor titular de competitividade da Federação das indústrias de São Paulo (Fiesp), José Ricardo Roriz.
Quando questionado sobre a competitividade brasileira para venda de produtos com maior valor agregado para o país europeu ele afirmou que “não temos competitividade na maioria dos setores manufaturados”, ele declarou ainda que “existe uma parcela de produtos que temos essa capacidade, é o caso dos aviões da Embraer e algumas empresas de informática”.
Caças
A escolha brasileira da licitação que decidirá a compra dos 36 aviões caças para a Força Aérea Brasileira, segundo Roris deverá sair ainda este ano, no entanto, ele ponderou que não há definição entre Estados Unidos, França e Suécia.
“Não está claro para nós o processo de escolha. O governo terá que analisar as decisões políticas, técnicas e econômicas mas deve divulgar o resultado ainda este ano”, ressaltou o diretor.
Para o vice-presidente da Dassault, uma das empresas concorrentes, o modelo Rafale seria a melhor escolha, uma vez que outros acordos no setor de defesa foram firmados com os franceses.
Deputados federais entrevistados pela reportagem disseram ainda que a proposta sueca não atende aos requisitos básicos de transferência de tecnologia ao Brasil e o preço apresentado pelos Estados Unidos é mais alto.
O setor aeronáutico representa, tradicionalmente, de 25% a 30% das exportações da França para o Brasil.
Para Marco Cecchini, gerente de Engenharia sênior da Embraer, se houver investimentos no setor de aviação o Brasil terá condições de produzir as peças e equipamentos importados de diversos países para a produção de aeronaves totalmente composta por estruturas nacionais, além de aprender a construir as aeronaves do modelo de defesa (caça).
“Com investimentos qualquer setor vai para frente, o setor de aviação não é uma exceção, com aporte financeiro para pesquisas e desenvolvimento em conjunto com inovação tecnológica teremos a possibilidade de produzir aeronaves inteiramente brasileiras”, relatou o gerente.
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, acrescentou que “o Brasil e a França desenvolveram parcerias e inovações. Depois deste ano, resta agradecer aos franceses por ajudarem o Brasil a crescer com seus investimentos”.
“Este ano fez com que pensássemos numa retomada mais forte das parcerias e ainda ampliamos os eventos culturais. Foram investidos US$ 54 milhões no compromisso educacional e cultural, utilizando principalmente a Lei Rouanet”, encerrou o Ministro da Cultura, Juca Ferreira.
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