A restauração da Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte, em Cuiabá, está fazendo revelações da época da construção do prédio, há quase 200 anos.
Ao fazer escavações para a troca do reboco, os operários descobriram paredes de pau a pique, um modelo antigo de construção civil que utiliza madeira rústica, amarração e argila massapé no lugar do tijolo.
Na nave da igreja foram descobertos dois tipos de barrados nas paredes. Por traz da atual faixa de madeira instalada a partir do solo e com cerca de 80 centímetros de altura há dois tipos de pintura, uma imitando um painel de madeira e outra similar ao mármore. Ambas mostram figuras em losangos.
Essas descobertas surpreenderam a igreja e o próprio Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN), diz Cláudio Conte, superintendente do órgão em Mato Grosso.
Cláudio Conte acredita que o barrado similar ao mármore é da mesma época da construção dos altares, ou seja, de 1862, e sugere que o recurso foi usado em uma das reformas do prédio para harmonizar o ambiente interno.
A restauração da Igreja da Boa Morte teve início há menos de dois meses. Nessa obra, explica Conte, estão previstas a troca do reboco com reforço e correção de rachaduras e infiltrações, além das instalações elétricas e hidráulicas, além da pintura geral.
Estão sendo investidos cerca de R$ 200 mil nesse projeto, recursos do orçamento do IPHAN, órgão do Ministério da Cultura. A previsão de Cláudio Conte é que no final do mês que vem a igreja seja reaberta, devolvida à população cuiabana. A reinauguração acontece depois de passar quase três anos fechada por falta de condições de segurança para visita e celebrações religiosas, na véspera do bicentenário de sua construção, a ser celebrado em 2010.
Há quase três anos, lembra Conte, o telhado, que estava em péssimas condições, quase ameaçando desabar, foi recuperado com recursos do governo do Estado, liberado por meio da Secretaria Estadual de Cultura.
Na etapa atual da reforma, Cláudio Conte diz que a escassez de recursos não permitiu que incluíssem a restauração dos dois sinos, um deles com rachaduras, dos altares e tampouco a praça e jardim que circulam a igreja.
Para essas obras será necessário, diz Conte, buscar parceria com outros órgãos públicos ou mesmo a iniciativa privada. Conforme Conte, a Nossa Senhora da Boa Morte era a única do conjunto de templos históricos que faltava ser restaurada.
As outras igrejas, de Nossa Senhora do Rosário/São Benedito, Senhor dos Passos e Nossa Senhora do Bom Despacho passaram por obras de reforma e restauração nos últimos cinco anos.
HISTÓRIA – A Igreja da Boa Morte, como é mais conhecida, antes da abolição da escravatura pela Princesa Isabel, era o templo dos brancos, mestiços, pardos e negros libertos. Nessa época, registra a História, os negros que ainda viviam sob o regime da escravidão frequentavam a igreja de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário.
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