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Um ministério que mete o P. Pelas mãos

Veja Online, 25/11/2009

Como dizem os pastores de certa seita, chegamos “ao fundo do poço”.

Blog-Reinaldo Azevedo

Leiam esta declaração:

“Meu pinto, meu coração, meu estômago e meu cérebro é [sic] uma linha só. Não sou um cara fragmentado, entendeu? Fui desrespeitado pela imprensa, que reverberou sem investigar, e por dois ou três parlamentares. É um trabalho suprapartidário. Não trabalho com esse critério, a cultura é muito mais ampla do que a política.”

Quem é esse? É o tal Juca Ferreira, ministro da Cultura- vocês já devem ter ouvido falar dele. A que está se referindo? É o seguinte: o Ministério da Cultura mandou imprimir um folder com projetos de sua pasta que estão no Congresso. O material traz o nome de 50 deputados que integram uma tal Frente de Apoio à cultura e recomenda que a população vote neles. Em suma: o Ministério da Cultura produziu um material de óbvio apelo eleitoral, o que é proibido.

Na terça-feira, Juca Ferreira esteve no Senado – e creio que carregasse os mesmos “pinto, coração, estômago e cérebro” – e negou que sua pasta fosse responsável pela impressão do material. Pouco depois, confrontado com os fatos, admitiu que era, sim. E, hoje, tentou se justificar. Acompanhem como pensa uma mente tumultuada.

Referindo-se aos jornalistas, mandou ver: “Vocês recebem para dizer mentiras”. O oposto da verdade foi o que Juca disse aos senadores. Era mentira que o Ministério da Cultura não tivesse financiado o material. Mas ele foi além: “Vocês estão comendo mosca. Tem [na lista] Rodrigo Maia [deputado federal do DEM-RJ], você acha que vou fazer campanha pro Rodrigo Maia? Olhe nos meus olhos e diga”.

Eu jamais olharia nos olhos de Juca Ferreira. Vai que ele quisesse me oferecer a “linha toda”. Nem Dante pensou um círculo do inferno para punição como essa. Não vi a lista. E pouco me importa se há deputados da oposição e da situação. Não falo, pois, sobre o caso em si, mas sobre a sua fenomenal tese: uma ilegalidade partilhada por situação e oposição torna-se, então, legal?

Eis um pensamento que certamente não foi parido pelo cérebro. Na “linha” apresentada pelo ministro, ele esqueceu de citar o intestino, personagem oculta do seu pensamento.

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