sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012 RSS Ouvidoria Fale com o Ministério
« Voltar Imprimir

O ministro perde a linha (Editorial)

O Estado do Maranhão, 27/11/2009

Pode alguém capaz de proferir disparates como os que proferiu o sr. Juca Ferreira exercer o cargo de ministro de Estado e, sobretudo, de ministro da Cultura? Esta é a pergunta que muitos brasileiros gostariam de ver respondida por quem fez do sr. Juca Ferreira ministro da Cultura e tem a competência para afastá-lo do cargo sem a necessidade de consulta a outras instâncias do poder público: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Convidado a participar de uma audiência em sessão conjunta das Comissões de Constituição e Justiça (CCJ), Assuntos Econômicos e Assuntos Sociais do Senado para discutir o projeto do Vale-Cultura (já aprovado pela Câmara), o ministro Juca Ferreira foi interpelado sobre a edição com dinheiro público de um panfleto com finalidade eleitoral distribuído na ocasião por seu Ministério.

Sem encontrar explicações convincentes para a publicação, Juca Ferreira primeiro tentou negar que seu Ministério tivesse algo a ver com o caso, depois passou a criticar os parlamentares que levantaram o assunto, acusou jornalistas que o entrevistaram ? “vocês recebem para dizer mentira, eu não”, afirmou ? e acabou perdendo a compostura, ao empregar palavrões para tentar mostrar que “tem capacidade de indignar-se”. Indignados devem ter ficado os que ouviram ou tomaram conhecimento de tais declarações de um ministro de Estado da Cultura.

O folheto distribuído aos senadores pela assessoria do ministro é claro. Na capa, além do título “Vota cultura”, está impressa a frase “Apoie o parlamentar do seu Estado que vota pela cultura”. Se isso não é um pedido de apoio, não se sabe o que mais possa ser. O folheto tem a lista de 336 parlamentares que, segundo o Ministério, compõem a Frente Parlamentar Mista em Defesa da cultura? ou seja, aqueles que o ministro apoia.

De início, Ferreira procurou dar desculpas genéricas aos senadores, dizendo que seu Ministério nada tinha a ver com aquilo. “Não tem um tostão do Ministério. O folder foi uma iniciativa da Frente Parlamentar Mista em Defesa da cultura, para a celebração do Dia da Cultura em sessão solene na Câmara. Foi um erro. O Ministério não é responsável por este folder. Não se justifica a reação. Isso não é propaganda eleitoral.”

Em seguida, o Ministério distribuiu nota na qual garantiu que o material era resultado de uma “ação conjunta” da Frente Parlamentar, do Fórum dos Secretários de Cultura, da Câmara dos Deputados e do Ministério, e que não tinha finalidades eleitorais, pois “o folder conclama os cidadãos a participar e contribuir para as discussões, sendo chamado a apoiar o parlamentar que vota pela cultura”. Ora, de que maneira, senão pelo voto, os cidadãos podem apoiar um parlamentar?

Mais tarde, em nova nota, cheia de explicações, o Ministério acabou por admitir explicitamente: “O folder foi impresso com recursos do Ministério da Cultura.”

Antes que o Ministério confessasse sua responsabilidade no caso, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO), advertia que “gastar dinheiro público para promover parlamentares é um ato de improbidade administrativa”. Além disso, a iniciativa do Ministro da Cultura pode trazer aborrecimentos aos parlamentares citados no folheto, que podem ser acusados de fazer propaganda eleitoral antecipada com dinheiro público.

Quando a questão já estava mais clara, e a responsabilidade do Ministério evidente, o Ministro Juca Ferreira atacou a imprensa. Ela “tem de investigar antes de publicar”, disse. “Alguém faz uma espuma e vocês vão atrás sem investigar. Criaram um factoide e vocês são vítimas desses factoides.” Quando perguntado se estava emocionado, descontrolou-se: “Eu sou assim. Meu pinto, meu estômago, meu coração e meu cérebro são uma linha só. Não sou um cara fragmentado. Fui desrespeitado pela imprensa, que reverberou sem investigar, e por dois ou três parlamentares.”

A reação do senador Demóstenes Torres às declarações sintetiza a de muitos brasileiros: “O que assusta não é o fato de ele ser um ministro, pois desse padrão o governo está lotado. Apavora é ser da cultura.”

Compartilhe:
  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • MySpace
  • TwitThis
  • email
  • LinkedIn
Reproduzido conforme o original, com informações e opiniões de responsabilidade do veículo.

Participação do Leitor

Espaço reservado exclusivamente para comentários acerca da matéria ou publicação veiculada nesta página. Solicitação de informações ou dúvidas devem ser encaminhadas por meio do Fale com o Ministério; reclamações ou denúncias devem ser dirigidas para Ouvidoria.

*

max. 1000 caracteres


Regras para comentários:

1. Os comentários terão moderação desta Assessoria de Comunicação.

2. Comentários que fujam ao teor da matéria serão excluídos.

3. Ofensas e quaisquer outras formas de difamação não serão publicadas.

4. Não publicamos denúncias. Nestes casos, serão enviadas à Ouvidoria, que as encaminhará aos órgãos cabíveis.

5. A postagem de comentários com links de matérias não produzidas por este ministério será excluída.

6. Respostas a questionamentos e esclarecimentos exigem consulta, impedindo-nos, por vezes, retorno imediato.