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“Eu me penitencio, não estava generalizando”

O Estado de São Paulo, 28/11/2009

Manifestação sobre jornalistas não se referia a toda a imprensa, mas aos interlocutores naquele momento, diz o ministro

Jotabê Medeiros

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, foi levado ao centro de uma controvérsia esta semana ao apresentar, no Senado, um folder em que listava congressistas que, conforme a relação impressa, votam de acordo com os interesses da Cultura. O documento foi apontado pela oposição como instrumento de propaganda eleitoral ilegal. No dia seguinte, no Rio, Ferreira irritou-se com repórteres e disse: “Vocês recebem para dizer mentira, mas eu, não.” A Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) condenaram as declarações. Ontem, em entrevista ao Estado, Ferreira disse que não se referia a toda a imprensa, mas somente a seus interlocutores naquele momento. Ele também negou intenção de fazer propaganda eleitoral, dizendo que o polêmico folder é um esforço suprapartidário para beneficiar 12 milhões de trabalhadores. “Não aceito chamar Jesus de Genésio, cachorro de cacho. A minha marca principal é a transparência.”

Há federações de jornalistas que manifestaram indignação. Dizem que o sr. exagerou ao dizer que os jornalistas só escrevem mentiras.

Tem três assuntos que são importantes nessa série de incidentes. O primeiro é o que aconteceu no Senado em torno do folder. O segundo é esse diálogo que eu tive no Rio. A terceira é o pinto, que eu acho que é o mais irrelevante, porque ali não tem palavra de baixo calão. Eu falei do cérebro, do coração, do estômago, e ficaria estranho, inclusive para a tese que eu estava defendendo, que é a integridade, que eu não falasse.

E esse caso, o senhor considera que é irrelevante?

Mas torna-se relevante porque, de alguma maneira, é uma demanda de que, para ser ministro, tem de ser eunuco. Mas, para cuidar da Cultura, eu acho muito melhor um ministro íntegro tanto no sentido ético, quanto no que eu aprendi e procuro manter como uma força pessoal, que é essa minha inteireza. Eu não estava dando uma entrevista, estava enfrentando um jovem jornalista, que estava me provocando diante da minha afirmação que não daria entrevista sobre o folder. Eu estava indignado com a reportagem em que diziam que o folder apresentado no Senado continha propaganda eleitoral.

E não tinha?

É apenas um folder estimulando que os parlamentares votem na pauta da Cultura. O jornalista ficou atrás de mim, me perseguindo, perguntando se eu não me sentia mal usando dinheiro público para patrocinar campanha política, e que eu tinha mentido. Ele insistia, insistia, insistia. Aí eu voltei e disse: “Eu não sou vocês que recebem dinheiro para contar mentiras.” Claro que eu não estava me referindo à imprensa. Em nenhum momento eu usei a palavra imprensa. Eu estava me referindo às pessoas que, independentemente dos fatos, desrespeitam a dignidade das outras pessoas.

Mas não ficou com um tom de recado?

Agora, assumo que, naquele enfrentamento, a minha palavra isolada dá a impressão que eu estava mandando recado para a imprensa. Então, me penitencio. Não estava generalizando. E coloco na mesa toda minha relação com a imprensa, que é bastante positiva.

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