
O canteiro de obras que ergue em estágio avançado a Biblioteca Brasiliana da USP no campus original da universidade, na Zona Oeste de São Paulo, recebeu nesta terça-feira (dia 1º de dezembro) a visita de dois responsáveis capitais pela sua realização – o Ministério da Cultura, representado pelo ministro Juca Ferreira, e a Petrobras, por meio de seu presidente Sérgio Gabrielli.
A biblioteca, que será a maior do mundo custodiada por uma universidade no gênero que lhe dá o nome – brasiliana, isto é, especializada em Brasil -, ocupará seus 20 mil m² com biblioteca física e virtual. Sua inauguração é prevista para 2011.
“O ministério tem o maior orgulho de ter apoiado esta obra ainda antes da doação da coleção Mindlin”, afirmou o ministro Juca Ferreira enquanto percorria as obras.
Ativos disputados
O ministro fez esta afirmação referindo-se à entrada do ministério no processo de criação da biblioteca, via Lei Rouanet, ainda antes de o bibliófilo José Mindlin haver doado seu raríssimo acervo de cerca de 20 mil títulos, em 2006. O MinC viabilizou a construção da biblioteca em sua complexidade física e virtual, via Lei Rouanet, e fez ainda a ponte com corporações de peso, como a Petrobras, capazes de proporcionar os aportes renunciáveis no volume necessário.
A coleção Mindlin é referência na área bibliófila por ser repleta de obras capitais sob vários critérios. Algumas delas exibem raríssimas primeiras edições que vêm do Século 16.
Mas o acervo Mindlin não será o único manancial da Brasiliana (cujo nome original é Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin).
Conforme explicou o professor da USP István Jancsó, um dos responsáveis pelo projeto na universidade, parte dos 6,5 milhões de títulos que compõem o acervo da USP, via Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), reforçarão a Brasiliana em versão digital.
Durante a visita, Jancsó lembrou ao ministro e a Gabrielli o quanto os acervos bibliográficos vêm crescentemente se convertendo em ativos em âmbito mundial. Em função da era do conhecimento, bibliotecas clássicas despertam o interesse agressivo de companhias de ponta do universo cyber. É o caso do Google, lembra Jancsó, que adquiriu os direitos de reprodução da Complutense, a antológica biblioteca da universidade homônima cujas origens remontam a 1293 na Espanha.
Foco no acesso
Juca deixou claro que o apoio do MinC ao empreendimento objetiva desde o início a preservação do acervo mindliniano e o que, afinal, a justifica: a maximização do acesso às obras.
Por isso, o edifício responsável pela guarda física qualificada – projeto dos arquitetos e urbanistas Eduardo Luiz Paulo Riesencampf de Almeida e Rodrigo Mindlin Loeb – cola-se a um outro edifício invisível, que é a biblioteca virtual.
Assim, livros dos quais se conhecem quando muito dois exemplares em papel, por exemplo, já estão sendo escaneadas por robôs da Brasiliana para, desta maneira, se disponibilizarem generosamente a “ene” leitores curiosos. Milhares destes certamente jamais poderiam acessar tais raridades na perspectiva física.
Sob intensa bateria de perguntas do ministro e do presidente da Petrobras (este insistia na tecla da velocidade do escaneamento das obras, para, segundo ele, “não voltarmos à condição dos padres copistas da Idade Média”), o professor Jancsó explicou como o canteiro de obras virtual vai se erguendo paralelamente à sua contraparte física.
Cronograma
Assim, até fevereiro de 2010, ou seja, nos próximos três meses, uma equipe que inclui especialistas da Politécnica e doutorandos de outras áreas vem realizando dois lançamentos digitais por semana. Nesta velocidade, todas as edições de Castro Alves e de José de Alencar, por exemplo, estarão virtuais até fevereiro.
É quando, testados os limites e superada essa fase experimental, a roda se acelera e os lançamentos digitais passam a ser diários. Até o fim do primeiro semestre de 2010, a cada dia uma nova obra será lançada nas prateleiras virtuais da Brasiliana.
Saiba mais sobre a Brasiliana USP.
(Texto: Nei Bomfim, Comunicação Social/MinC)
(Fotos: Adilson Lopes Ferreira)
Participação do Leitor
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