O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/MinC), anunciou os vencedores do Prêmio Manuel Diégues Júnior nesta sexta-feira, 4 de dezembro, durante o encerramento da 14a Mostra Internacional do Filme Etnográfico, realizada no Rio de Janeiro. Foram escolhidos três documentários, dentre os 43 pré-selecionados. Cada projeto receberá um prêmio no valor de R$ 3 mil, além de estatueta esculpida pelo artista popular Valdeli Costa Alves.
Foram escolhidos os seguintes documentários:
- Corumbiara, de Vincent Carelli.
Em 1985, o indigenista Marcelo Santos denuncia um massacre de índios ocorrido na Gleba Corumbiara (RO), e Vicente Carelli filma o que resta das evidências. O caso passa por fantasia e cai no esquecimento. Marcelo e sua equipe levam anos para encontrar os sobreviventes. Duas décadas depois, Corumbiara revela essa busca e a versão dos índios.
- Negros, de Mônica Simões.
Documentário sobre a construção da imagem do negro na Bahia, por meio de filmes e vídeos de arquivo, público e privado, dos anos 20 até o ano 2000. Ao elegerem vários suportes, como película, vídeo e mídias digitais, os produtores incorporaram como linguagem todas as diferenças de cor, textura e áudio. A trilha sonora resulta de uma pesquisa sobre som, música e ritmo afro da Bahia, programas de rádio, televisão, jingles e comerciais, todos dentro do mesmo recorte temporal.
- Um lugar ao sol, de Gabriel Mascaro.
Ter acesso aos moradores de cobertura das cidades de Recife, Rio de Janeiro e São Paulo é um desafio. Das 120 coberturas encontradas nos livros Sociedade Brasileira e Sociedade Pernambucana, 14 moradores concederam entrevista. Oito estão no filme. Reflexão sobre classe média e elite brasileira. Moradores de coberturas são personagens. Abrem seus apartamentos para revelar anseios, desejos, reflexões, incertezas e medos.
A comissão julgadora concedeu, ainda, menção honrosa, aos documentários:
- Homens, máquina e deuses, de Eduardo Duwe, por apresentar a tensão entre narrativas construídas a partir de diferentes sentidos e significados atribuídos a espaços geoculturais amazônicos.
- Os Olhos d´água de Nossa Senhora do Rosário, de Pedro de Castro Guimarães, por revelar uma profunda experiência etnográfica com o congado mineiro, que produziu uma sensível e expressiva narrativa poética.
- Depois rola o mocotó, de Debora Herszenhut e Jefferson Oliveira (Don), pela criatividade da edição e pela original abordagem audiovisual dos usos das lajes nas favelas cariocas.
(Texto: Narla Aguiar, Ascom SAv/MinC)
(Fonte: CNFCP)






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