Assinada pelo ministro da Cultura, Juca Ferreira, a portaria nº 126 foi publicada no último dia 16 de dezembro. Por meio dela, criou-se o Programa de Estímulo e Fomento ao Rádio Brasileiro – Rádio Brasil. Ao abrigo do projeto, dois editais serão lançados ainda nos primeiros meses de 2010.
Focado na produção independente, o Rádio Brasil tem três objetivos: fomento à criação e difusão radiofônica; recuperação e preservação da memória do rádio brasileiro; e capacitação de técnicos e realizadores – profissionais ou amadores. “O secretário do Audiovisual, Sílvio Da-Rin, tem a missão de articular o trabalho, com o apoio de duas outras secretarias do MinC: a da Articulação Institucional e a de Políticas Culturais”, diz James Gorgen, coordenador geral de Políticas Audiovisuais.
Um dos editais do programa, visando o incentivo à produção das rádios do campo público, será lançado por meio da Petrobras e realizado pela Arpub (Associação das Rádios Públicas do Brasil). Outro, chamado Nossa Onda, pretende revitalizar a cultura radiofônica entre jovens e adolescentes integrantes de programas sociais. James ressalta que por enquanto, há esses dois editais previstos. “Mas estamos conversando com algumas entidades para atingir as duas outras pernas do programa: capacitação e memória”, afirma.
O Nossa Onda irá patrocinar 26 radiocontos e 26 radiodocumentários sobre o tema Diversidade Cultural. Os materiais devem ser produzidos por pessoas entre 17 e 29 anos, das classes C, D ou E. “As crianças e adolescentes das classes mais altas dos grandes centros urbanos possuem acesso a uma série de tecnologias e fontes de informação que deixaram o rádio em segundo plano. Eles estão crescendo ao som dos podcasts”, diz o coordenador.
Para o coordenador, o programa pode se tornar uma alternativa de emprego e renda para os jovens em situação de vulnerabilidade socioeconômica, mantendo-os em contato com sua realidade regional. Ele acrescenta que a preocupação do Ministério “é com os moradores do interior do Brasil, dos mais de dois mil municípios até onde a internet não chega. Esses jovens ouvem rádio, veem televisão. Levam os aparelhos a pilha para a roça, onde trabalham o dia inteiro ouvindo música e notícias ao lado dos pais. Queremos que esse público registre sua vida por meio dos radiodocumentários, recrie sua literatura produzindo radiocontos”.
O início das ações do Rádio Brasil, no ano que vem, também representa um maior destaque – com foco na democratização – para uma mídia pouco beneficiada pelos projetos culturais. “O programa dará visibilidade a um dos meios de comunicação mais simpáticos dos brasileiros, no qual nossa cultura se manifesta de forma permanente. É motivante pensar que ouvintes serão estimulados a se transformar em produtores de obras radiofônicas, que jovens do campo e da cidade poderão conhecer as técnicas que fazem do rádio uma promessa de futuro profissional, que toda aquela cultura que um dia esteve no ar poderá ser revitalizada com a recuperação de acervos importantes do ponto de vista social, político e cultural”, afirma James.
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