Nesta terça-feira, 12 de janeiro, o ministro da Cultura interino, Alfredo Manevy, anunciou a liberação de R$ 10 milhões para a restauração e reconstrução do patrimônio histórico de São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, em São Paulo. A declaração foi feita durante entrevista coletiva à imprensa. A cidade ficou praticamente submersa por causa das chuvas do dia 1º de janeiro.
De acordo com Manevy, o valor anunciado já está disponível e deverá ser liberado assim que os técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/MinC), autarquia vinculada ao ministério, concluírem as avaliações. Desde o dia 5, técnicos do Iphan/MinC trabalham – em esquema de plantão – para avaliar as perdas e resgatar peças importantes para a recuperação da cidade. “Recebi autorização do presidente Lula para acrescentar esse valor [R$ 10 milhões], a fundo perdido”, disse.
O ministro interino ressaltou, ainda, que existe uma grande mobilização em torno da recuperação da cidade: “O Estado como um todo está articulando seus diversos níveis, inclusive os parlamentares, para auxiliar a reconstrução”.
Durante a visita, Alfredo Manevy conversou por telefone com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que assegurou o envio de barracas das Forças Armadas para abrigar os objetos de valor histórico recuperados nos escombros por técnicos e moradores da cidade.
Segundo o presidente do Iphan/MinC, Luiz Fernando de Almeida, que também participou da coletiva, o valor foi estabelecido com base nos investimentos utilizados na reconstrução de Goiás Velho (GO), em 2001, que teve 170 imóveis destruídos pela cheia do Rio Vermelho.
Restauração
Almeida esclareceu que não é possível prever uma data para concluir a reconstrução das edificações prejudicadas pela chuva, pois esse é um trabalho delicado e que exige uma pesquisa minuciosa.
“Precisamos compreender o que aconteceu e se isso pode ocorrer novamente. Essa compreensão foi determinante em Goiás Velho para definir que o sistema de reconstrução fosse a taipa”, afirmou.
“Temos que combinar velocidade com critérios. Uma igreja reconstruída de maneira diferente não vai servir para a população se reconhecer e afirmar nela. Não é por acaso que as pessoas estão remexendo escombros para recuperar tudo que retratava sua identidade”, completou o ministro da Cultura interino, Alfredo Manevy.
Nesta semana será montado um escritório em um dos casarões que resistiram à força das águas. O local será utilizado também como depósito do material a ser restaurado e reutilizado na reconstrução dos imóveis. O Iphan dará início a serviços imediatos, como a seleção de materiais construtivos reutilizáveis, escoramentos emergenciais, cadastramentos de imóveis, projetos e obras de recomposição, restauro e consolidação de paredes e estruturas. As ações incluem também elementos artísticos, de acervos documentais e de bens móveis.
Durante a coletiva, o ministro interino também falou que o processo de tombamento – para que a região seja reconhecida como patrimônio nacional – deverá ser antecipado pelo Iphan/MinC. O pedido já estava sob análise da autarquia antes da enchente que atingiu a cidade. Manevy explicou que o tombamento por parte do Governo Federal fortalece a estratéria de reconstrução, facilita a liberação de verbas e garante maior presença do Estado na região.
Experiência
O modelo de trabalho para reconstruir São Luiz do Paraitinga deverá ser o mesmo utilizado na Cidade de Goiás, inundada pelas águas em 31 de dezembro de 2001. O município foi totalmente recuperado por técnicos do Iphan/MinC e, dois anos após a tragédia, recebeu o Centro Histórico com os monumentos restaurados e reconstruídos.
Mais Cultura em Paraitinga
A secretária de Articulação Institucional do Ministério da Cultura e coordenadora executiva do Programa Mais Cultura, Silvana Meireles, que também acompanhou o ministro interino durante a visita, afirmou que em 90 dias, o MinC destinará um kit de biblioteca do Mais Cultura: acervo de mil livros, mobiliário e um telecentro com 11 computadores para instalar uma biblioteca pública em São Luiz do Paraitinga. A única biblioteca do município, que ficava em frente à igreja matriz, foi destruída em decorrência das chuvas que atingiram a cidade.
“A população não pode esperar um ano para ter uma biblioteca. É preciso garantir o acesso da comunidade a um espaço vivo, dinâmico e essencial para a formação leitora”, destacou Silvana. A prefeitura municipal cederá um prédio para o funcionamento da biblioteca.
O MinC, por meio do Mais Cultura, também implantará um Cine Mais Cultura – espaço para exibição gratuita de filmes – e um espaço cultural multiuso em Paraitinga. Nessa quarta-feira, dia 13, a secretária se encontra, em Brasília, com a prefeita de Paraitinga, Ana Lúcia Bilard, para dar continuidade às negociações.
(Texto: Grazielle Machado e Renina Valejo)
(Com informações de Nei Bomfim e Rafael Ely)
(Fotos: Agência Estado)







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