A cerimônia que deu o pontapé inicial na fase decisiva da II Conferência Nacional de Cultura – a instalação da sua Comissão Organizadora Nacional, no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, nessa quinta-feira, 4 de fevereiro – foi aberta pelo ministro da Cultura, Juca Ferreira. A II CNC será realizada de 11 a 14 de março, em Brasília.
O ministro Juca Ferreira avaliou que o ambiente de política cultural respira avanços, como o projeto do Vale-Cultura e do Plano Nacional de Cultura, ambos em fase de aprovação no Congresso Nacional. Assim como a Reforma da Lei Rouanet, que começará a ser analisada este ano.
Censura
Sobre a Conferência Nacional de Cultura, o ministro afirmou ter ficado espantado com a reação de alguns veículos de imprensa. “Volto de férias e vejo artigos condenando as conferências, como se elas restringissem o espaço de manifestação”, disse. “Mas a verdade é que não tivemos nenhum episódio de censura neste governo”, destacou, para em seguida lembrar que a única pessoa molestada neste direito, a “pichadora da Bienal”, teve o próprio ministro da Cultura como seu advogado de defesa, ao se manifestar num espaço da instituição que convidava explicitamente à expressão.
Na opinião de Juca, acusações como esta se baseiam num tempo em que “as verdades eram tão sólidas que muitos achavam possível dirigir a cultura – hoje, eu pergunto: dirigir para onde?” Trata-se de uma época marcada pela ideologia da Guerra Fria, que Juca classifica como “o tempo do B52″, em referência ao bombardeiro norte-americano que se tornou o epicentro tático dos ataques aliados da Segunda Guerra.
Construção democrática
Assim, na sua opinião, esse dirigismo nem existe, nem há como existir. O que há, na sua avaliação, é a construção firme de uma sociedade democrática. Inclusive a partir de sua base econômica: a ONU, lembrou, classifica a libertação dos cerca de 40 milhões de brasileiros da linha da miséria como o maior movimento de migração socioeconômica deste fim/início de século.
Juca desfiou, então, os números que definem o universo do desfrute cultural no Brasil. “Os nossos números são muito ruins. A única instância cultural que consegue incorporar mais que 20% dos brasileiros é a TV aberta.”
Emergência da diversidade
A II CNC, segundo o ministro, é uma fresta privilegiada no favorecer a emergência de vozes e atores no cenário cultural nacional. Para Juca, eventos como a conferência provam como é positivo e essencial que a sociedade tome cada vez mais iniciativas, uma vez que o papel do Estado é criar as condições para o acesso, para o desfrute. Isso, na sua opinião, deságua na emergência e no estímulo à diversidade de vozes e práticas.
“Isso tudo reflete o quê? Que através desse método democrático de discutirmos tudo, as prioridades, os métodos, os projetos, estamos valorizando a cultura, responsabilizando o Estado pela construção dessa sensibilidade plena, dessa economia tão importante que é a cultura.”
Confira o pronunciamento do ministro da Cultura:
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(Texto: Nei Bomfim, Comunicação Social/MinC)
(Fotos: Jurandréia Santos)



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